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Ora, provas para quê? O fantástico mundo de Flávio na América

Sob a proteção de um Trump derrotado por um tsunami azul

08/11/2026 04:30
Joe Raedle/Getty Images
Um avião que transporta o candidato à presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, e sua família chega ao Aeroporto Executivo Miami-Opa Locka, em 28 de outubro de 2026, em Miami, Flórida

Era só o que faltava para a família Bolsonaro, seus fiéis seguidores e eleitores de ocasião: Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, reconhecer a vitória de Lula no último dia 25, ou, pelo menos, admitir que o processo eleitoral brasileiro decorreu sem evidências de fraude. Não o fez até hoje. Não está com pinta de que o fará tão cedo.

Como ficariam por lá os fugitivos Flávio e Eduardo? Ou não ficariam? Afinal, ambos dispõem de passaporte italiano que os habilitaria a escapar para a Itália, abrigo temporário ou definitivo da ex-deputada Carla Zambelli. Se tivesse permanecido aqui, ela estaria presa, depois de ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Você não lembra mais de Zambelli, ligada a um hacker famoso? Nem do furor provocado por ela no centro da capital paulista ao correr com uma arma em punho à caça de um militante político com quem trocara desaforos no meio da rua? Foi na véspera do segundo turno da eleição de 2022, perdida por Jair Bolsonaro para Lula.

Habituado a culpar os outros por seus próprios erros, o ex-presidente, condenado por tentativa de golpe de Estado, apontou o dedo para Zambelli: sim, se não fosse ela, ele teria sido reeleito. Para tal, faltaram-lhe poucos votos. O ex-deputado Roberto Jefferson também teve culpa, porque recepcionou com tiros e granadas agentes federais que foram dar uma batida em sua casa, no Rio de Janeiro.

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À falta do que fazer na América, a não ser divertir-se gastando parte do dinheiro que tomou do ex-banqueiro Daniel Vorcaro supostamente para financiar o filme em memória de seu pai, Flávio ocupou-se, em sua primeira semana por lá, em conceder entrevistas aos jornais The New York Times, Folha de S.Paulo e The Washington Post — uma, cópia quase perfeita da outras, com raros acréscimos. Ele sempre foi bom de decoreba. Dá-se mal quando tem de improvisar.

Ao Post, a mais recente, ele afirmou que o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), “não sabe do que está falando” quando diz que não houve fraude nas eleições brasileiras. Flávio foi quem indicou Nunes Marques ao pai para uma vaga de ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ao cabo do primeiro encontro com Jair no Palácio da Alvorada, Nunes Marques saiu de lá na condição de próximo ministro do STF.

“Eu garanto a vocês que ele [Nunes Marques] não sabe do que está falando. Nem eu, nem vocês, nem ninguém que esteja assistindo, nem o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, pode afirmar com 100% de certeza que não houve fraude”, disse Flávio ao jornal norte-americano. Cadê as provas disso?

Ora, provas para quê? Flávio escora-se em Trump. Citou duas declarações de seu guia e protetor. A primeira: “O pleito foi uma fraude”. A segunda: “Foi uma vergonha”. Trump não apresentou provas para sustentar o que disse, mas não importa. Flávio assegurou que Trump “está convencido de que o Brasil não é mais uma democracia plena”.

Como cerca de 60 milhões de eleitores foram capazes de votar para presidente da República em um candidato sem qualificação alguma para exercer qualquer mandato eletivo e cuja história de vida é salpicada de lama? Investigado pelo STF por meia dúzia de crimes, se Flávio puser os pés no Brasil, será preso. Aqui, sua ausência só será cada vez mais festejada. Em breve, não falaremos mais dele.

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