A direita empurra o Supremo Tribunal Federal para o colo de Lula

Doa a quem doer, tudo deve ser investigado a fundo

atualizado

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Igo Estrela/Metrópoles @igoestrela
Alexandre de Moraes e Lula -- Metrópoles
1 de 1 Alexandre de Moraes e Lula -- Metrópoles - Foto: <p>Igo Estrela/Metrópoles<br /> @igoestrela</p><div class="m-banner-wrap m-banner-rectangle m-publicity-content-middle"><div id="div-gpt-ad-geral-quadrado-1"></div></div> </p>

A corrupção está de volta ao Brasil, dizem alguns, alarmados com o Caso do Master, talvez o maior escândalo financeiro da história do país, segundo o ministro Fernando Haddad, da Fazenda.

A corrupção nunca foi extirpada por aqui, e em lugar nenhum do mundo. Ocorre que há momentos em que mais se dá atenção a ela, e momentos em que se dá menos atenção.

Em 1964, os militares derrubaram a democracia a pretexto de salvá-la do comunismo e do combate à corrupção. Os 21 anos de ditadura foram repletos de casos de corrupção.

O último dos generais-presidente, João Figueiredo, saiu pela porta lateral do Palácio do Planalto e foi morar num sítio do Rio de Janeiro reformado de graça para ele por empreiteiras.

Sob censura, nem sempre o jornalismo pôde denunciar a corrupção. E quando o fez foi com cuidado para evitar retaliações. A redemocratização jogou mais luz sobre a roubalheira, apenas isso.

Pela dimensão que alcançou em certo instante, a Lava Jato pareceu um golpe bem aplicado no desvio de dinheiro público. Mas ela escondia um projeto maléfico de poder, e ao cabo se perdeu.

Foi preciso estancar a sangria da Lava-Jato junto “com o Supremo” e tudo mais para que o sistema político, tal como era, sobrevivesse. E da tarefa se encarregou o então presidente Bolsonaro.

Logo, Bolsonaro que se apresentou em campanha como um dos paladinos do combate à corrupção. Da mesma forma se apresentou em 1989 Fernando Collor, hoje condenado e preso por corrupção.

É cedo para afirmar que a corrupção bateu à porta do Supremo Tribunal Federal e foi acolhida. A imoralidade, sim, bateu à porta e entrou. Isso é muito grave e deve ser investigado a fundo.

Pelo menos soa como imoralidade parentes de ministros poderem atuar em processos que tramitam em tribunais. Soa como imoralidade ministro relatar processo no qual está envolvido.

Mas uma coisa é o CPF, outra o CNPJ. Ministros têm CPF. O Supremo, CNPJ. José Múcio Monteiro, ministro da Defesa, disse que militares golpistas agiram por iniciativa própria.

Que fossem julgados.  Mas que se preservassem as Forças Armadas como instituição, pois nada tiveram a ver com a tentativa de golpe. Afinal, se tivessem aderido ao golpe, estaríamos aqui conversando?

Há muitos órfãos da Lava Jato que querem pôr o Supremo a pique, desmoralizando-o. Há muitos golpistas em potencial que se empenham em enfraquecê-lo para um dia vir a controlá-lo.

E há uma direita extremista, e outra de fraque, que às vésperas das eleições, desejam submeter o Supremo a julgamento público, de preferência empurrando-o para o colo do governo Lula.

Os três Poderes da República (Legislativo, Judiciário e Executivo) devem trabalhar harmonicamente, como manda a Constituição, mas são Poderes independentes. Cada um que responda por si.

Não se deixem enganar.

 

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