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A Eco Logia (por Ricardo Guedes)

A Eco vai mal, e a Logia não existe. Assim, caminhamos céleres para o desastre

31/07/2026 11:31
Rovena Rosa/Agência Brasil
Imagens coloridas mostram trecho de uma represa que compõe o Sistema Cantareira, manancial que abastece a região metropolitana de São Paulo

Adam Przeworski conceituou o “erro” em Ciências Sociais como uma relação tripartite, entre os objetivos a serem alcançados, as decisões tomadas para se atingir esses objetivos, e as condições externas às estas decisões que propiciam ou não a alcançar esses objetivos. Se a nossa decisão é crescer o PIB, acertamos. Mas se a nossa decisão é sobreviver, erramos em cheio.

O planeta é pequeno, com somente 10 km de ar, 75% nos primeiros 10 km, o restante disperso, no total de 40 km. A água é limitada, com o consumo de água por habitante quadruplicando no último século. Temos reservas de petróleo para mais 150 a 300 anos, somente. Enchemos o nosso ar de CO2, chegando o planeta hoje à temperatura de 1 milhão de anos atrás. As previsões atuais são as de que o aumento da temperatura será de até 2o C., até o seu final do século.

Por que a crise ecológica não pode ser contida? Porque mesmo que haja uma decisão intencional de se resolver a questão, a decisão sempre encontra os diversos países e atores econômicos em diferentes níveis de capitalização e liquidez, com a competição pela sobrevivência imediata desestruturando a possibilidade da ação racional coletiva, conforme a Teoria dos Jogos. O “Overshoot Day” deste ano de 2026, o dia em que a terra já proveu ao homem tudo que ela pode dar até o final do ano, foi ontem, 30 de julho. As futuras gerações pagarão o principal com juros.

O homem é imediatista, sem óculos para o futuro. O que importa é o ganho do capital. A elite acredita que sobreviverá. Esquece-se que a sobrevivência da elite, assim como a de todos nós, depende de sociedades numerosas, economicamente organizadas, para a produção e consumo de bens. Todos vamos naufragar. Ou, navegar, como na “Nau dos Insensatos”, na pintura de Jeroen Bosch.

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E “Assim caminha a humanidade”, de George Stevens, com William Holden, Elizabeth Taylor e James Dean. Do petróleo, até a futura escassez de água.

O desastre não será exponencial, mas logaritmo. Possivelmente aterrissaremos em um patamar de horrores, como no filme “A máquina do tempo”, de George Pal, de 1960.

Ode à irracionalidade.

Ricardo Guedes é Ph.D. pela Universidade de Chicago e Autor do livro “Economia, Guerra e Pandemia: a era da desesperança”