DF já registra 13 feminicídios em 2019. Conheça as vítimas

Caso mais recente ocorreu na segunda-feira (20/05/2019), quando uma professora da rede pública foi assassinada pelo ex-namorado

Material cedido ao MetrópolesMaterial cedido ao Metrópoles

atualizado 21/05/2019 14:42

Maio ainda não chegou ao fim e o número de vítimas de feminicídio no Distritro Federal já é igual ao registrado nos cinco primeiros meses de 2018: 13. Neste mês, quatro deles ocorreram em um intervalo de 14 dias.

Na segunda-feira (20/05/2019), Debora Tereza Correa (foto em destaque), 43 anos, entrou para as estatísticas de mulheres assassinadas. Por volta das 10h, o policial e ex-namorado da professora entrou armado na sede II da Secretaria de Educação e atirou contra ela. Após a execução, Sérgio Murilo dos Santos, 51, tirou a própria vida.

Conheça as 13 vítimas de feminicídio na capital federal em 2019:

Patrícia Alice de Souza, 23
Patrícia morreu com um tiro nas costas disparado pelo ex-companheiro, em 4 de janeiro. Inicialmente, o óbito foi registrado como homicídio, mas, com o avanço das investigações, ficou demonstrado que a jovem havia sido assassinada pelo ex-namorado.

Três pessoas foram acusadas de participação no crime. Segundo o delegado responsável pelo caso, Laércio Carvalho, da 35ª DP (Sobradinho II), os criminosos atraíram a vítima para um local ermo, na Fercal, e atiraram três vezes contra ela.

Vanilma Martins dos Santos, 30
Vanilma foi morta na madrugada de 5 de janeiro pelas mãos do homem com quem era casada há 10 anos. O casal tinha um filho pequeno, de 3 anos. Tudo teve início com uma discussão que culminaria no assassinato da mulher. Dentro da casa da família, na Quadra 8 do Gama Oeste, Tiago desferiu uma facada no peito de Vanilma. Ele chegou a socorrê-la, mas a mulher não resistiu.

Vanilma é lembrada como uma pessoa amável e tranquila. Tinha como o centro de sua vida o filho, de quem cuidava exclusivamente. Por ter tido dificuldades para engravidar, contam familiares, a chegada do menino sempre foi muito desejada por ela.

Diva Maria Maia da Silva, 69
A idosa foi assassinada a tiros na manhã do dia 28 de janeiro, dentro de casa. Ranulfo do Carmo, 74, atirou contra a mulher e o filho. Este último, de 47 anos, sobreviveu.

Vizinhos do casal e funcionários do prédio contam que ele costumava agredí-la. O filho, que não morava no local, visitava Diva com frequência justamente para protegê-la.

Uma mulher narrou o histórico de sofrimento da amiga ao lado do agressor. “Ele a matou todos os dias ao longo dos 50 anos de casamento“.

Veiguima Martins, 56
O que aparentava ser um acidente ocorrido durante a madrugada acabou revelando-se, pouco depois, como o quarto caso de feminicídio no DF. Veiguima levou cinco facadas do marido, na 310 Norte. Em seguida, ele ateou fogo ao corpo da mulher para tentar encobrir o crime.

Parentes do casal que foram ao prédio disseram que José Bandeira da Silva, 80 anos, o marido, era violento com a servidora da Secretaria de Educação. “Ele a agredia e a prendia. Ela retirou a queixa na delegacia, pois ficou com pena devido à idade dele. Tinha ciúmes de todo mundo, até dos netos. Todo dia eu a alertava do perigo”, contou Raquel Martins, filha da vítima.

As chamas atingiram três cômodos do apartamento e a fumaça invadiu os corredores da prumada. Assustados, os demais moradores saíram correndo do prédio.

Cevilha Moreira dos Santos, 45 anos
Em 10 de março, Cevilha Moreira foi encontrada morta em um quarto de fundos localizado no Conjunto F da Quadra 5 de Sobradinho. O principal suspeito do crime, Macsuel Santos, 34 anos, havia se mudado para o endereço um dia antes. Os dois mantinham um relacionamento recente.

A morte de Cevilha, apesar de violenta, despertou pouca comoção. Isso porque espalhou-se a informação de que a cearense de 45 anos era autora do sequestro de uma bebê de apenas 3 meses, no Conic. Meso tendo cumprido dois anos de pena em regime fechado, ficou marcada pelo ato.

Maria dos Santos Gaudêncio, 52
corpo de Maria dos Santos foi encontrado em 19 de março, em estado de putrefação, com cinco facadas e uma lesão na nuca. Ela namorava Antônio Alves Pereira, 40 anos, principal suspeito do feminicídio.

Arquivo pessoal

Isabella Borges de Oliveira, 25 anos
Isabella Borges de Oliveira, 25 anos, foi assassinada dentro de casa, na Quadra 17 do Paranoá. Segundo a polícia, ela foi executada pelo ex-marido, o vigilante noturno Matheus Cardoso Galheno, 22 anos, com um tiro no olho. Depois, ele se matou. Matheus e Isabella foram casados por 2 anos, eram pais de gêmeos de 1 ano de idade e estariam separados há cerca de um mês.

Material cedido ao Metrópoles

De acordo com a titular da 6º Delegacia de Polícia (Paranoá), Jane Klébia, responsável pela investigação, os dois moravam juntos na residência com uma irmã e um irmão de Isabella, até o término do relacionamento, quando Matheus se mudou.

Luana Bezerra da Silva, 28
Luana Bezerra da Silva estava grávida de 3 meses e recebeu diversos golpes de faca no momento em que lavava roupas, em 14 de abril. Ela sofreu hemorragia e parada cardiorrespiratória. O assassinato teria ocorrido na frente da filha de 9 anos e do bebê de 1 ano – o pai desta última criança é o companheiro da vítima e principal suspeito do crime, Luiz Filipe Alves de Sousa, 20 anos.

Arquivo pessoal

“Matou minha mãe, matou minha mãe”, teria gritado a filha mais velha de Luana, ao ver a vítima ser esfaqueada em Sobradinho II. A menina de 9 anos pediu socorro, mas a mulher acabou morrendo ao ser perfurada pelo menos cinco vezes.

Eliane Maria Sousa de Lima, 49 anos
Eliane Maria Sousa de Lima, 49 anos, foi atingida no peito no momento em que tentava defender a irmã. O cunhado foi apontado como autor do crime.

Na discussão, a filha do casal também acabou ferida pelo pai, identificado como Josué Pereira da Silva. Após o crime, o suspeito foi espancado por um grupo de familiares, na Quadra 11 do Gama.

Jacqueline dos Santos Pereira, 39
Estou preparada para tudo: matar ou morrer.” Essas foram as palavras ditas por Jacqueline dos Santos Pereira,39 anos, a uma amiga momentos antes de ser assassinada pelo ex-companheiro Maciel Luiz Coutinho da Silva, 41, na tarde de 6 de maio. A conversa está regitrada em um dos áudios encontrados pela polícia no celular da vítima de feminicídio.

Arquivo pessoal
Jacqueline dos Santos Pereira

A gari foi morta a facadas pelo suspeito em casa, na QC 1, Conjunto P de Santa Maria. O motoboy fugiu do local pulando o muro da residência. Horas depois, estacionou a moto em um acostamento e se jogou na frente de um ônibus, morrendo na hora.

Cácia Regina Pereira da Silva, 47 anos
Cácia morava em Nova Colina, bairro de Sobradinho, e era consultora de vendas em uma concessionária. Estava separada de Júlio César dos Santos Villa Nova, 55, há mais de uma década. Familiares relataram que a mulher sofria constantes ameaças por parte dele, com quem tinha uma filha adolescente. No dia 25 de abril, ele entrou na casa da ex, jogou ácido sulfúrico nela e se matou em seguida.

Arquivo pessoal

“Foram dias de luta, nos quais ela fez de tudo pra sobreviver. Cácia queria ficar bem para levantar a bandeira contra o feminicídio”, revelou a única irmã, a operadora de telemarketing Maria do Carmo Pereira, 48.  “Ela disse que seria testemunho vivo da causa”, lembra Maria do Carmo, sobre quando visitou a irmã internada.

Maria de Jesus do Nascimento Lima, 29
Henrique Farley Carneiro de Almeida, 36 anos, matou a companheira a facadas e jogou o corpo dela em uma tubulação de esgoto, em Taguatinga, na chácara Santa Luzia. Maria de Jesus do Nascimento Lima, 29, foi encontrada após a polícia receber denúncias sobre a existência de um cadáver no local.

Na casa da vítima, os investigadores da 21ª Delegacia de Polícia encontraram a frase: “Culpado. Foi ele quem me matou” escrita na parede, de caneta esferográfica azul.

Segundo vizinhos, Henrique Farley sempre xingava a companheira. Ele chegou, inclusive, a agredi-la na frente de outras pessoas com um tapa no rosto. “A mulher nunca fez nada com ninguém, por isso estamos tão chocados”, relatou uma conhecida.

 

Elas por elas

Neste 2019, o Metrópoles iniciou um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país.

Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras.

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