Após assassinar ex-mulher, homem morre atropelado por ônibus na BR-040

Maciel Luiz Coutinho da Silva, 41 anos, deixou a moto no acostamento e tentou atravessar a via, momento em que foi atingido pelo automóvel

Material cedido ao MetrópolesMaterial cedido ao Metrópoles

atualizado 07/05/2019 6:09

Suspeito de matar a ex-companheira a facadas, o motoboy Maciel Luiz Coutinho da Silva, 41 anos, morreu em um acidente de trânsito, na BR-040, na tarde desta segunda-feira (06/05/2019). O fato ocorreu poucas horas após ele ser acusado de ter assassinado Jacqueline dos Santos Pereira, 39. A Polícia Civil acredita que ele tenha se matado.

O atropelamento ocorreu entre o primeiro e o segundo trevo de acesso a Luziânia (GO), no Entorno do Distrito Federal. “Ele estacionou a moto no acostamento, esperou o ônibus passar e se jogou na frente. O rosto ficou bastante desfigurado, mas a moto era a dele e o corpo é compatível”, explica o delegado Rodrigo Têlho, titular da 33ª Delegacia de Polícia (Santa Maria), responsável pelas investigações.

Jacqueline foi morta em casa, no Conjunto P da QC 1, em Santa Maria. De acordo com Têlho, o motoboy teria ido até a residência da ex-companheira e a esfaqueado. Depois, fugiu do local pulando o muro da residência. Jacqueline deixa três filhos, era bombeira civil e já havia denunciado ameaças feitas pelo suspeito.

Histórico de violência
De acordo com Têlho, em 26 de abril, a mulher esteve na 33ª DP, onde registrou ocorrência contra Maciel. “Ele ficou alterado na frente da casa dela. A vítima pediu para o suspeito sair, mas ele se recusou. Parece que Maciel já havia ameaçado o atual companheiro dela também. Jacqueline tinha pedido medida protetiva contra ele antes, mas o juiz revogou”, disse o delegado ao Metrópoles.

Aos militares do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal que estiveram no local, vizinhos disseram que um homem foi visto saltando o muro e que “ouviram os gritos por socorro”. Segundo informaram à corporação, “o mesmo homem teria fugido em uma moto”. Os moradores chamaram a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros quando perceberam que a mulher estava inconsciente. Este é o 10º feminicídio registrado em 2019 no DF.

Neste 2019, o Metrópoles inicia um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país.

Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras.

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