Feminicídio: mulher é assassinada com tiro no olho pelo ex-marido

Crime ocorreu dentro da casa de Isabella Borges de Oliveira, mãe de gêmeos e separada há cerca de um mês do ex-companheiro, que se matou

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atualizado 02/04/2019 11:51

Isabella Borges de Oliveira, 25 anos, foi assassinada dentro de casa, na Quadra 17 do Paranoá, por volta das 6h30 deste domingo. Segundo a polícia, ela foi executada pelo ex-marido, o vigilante noturno Matheus Cardoso Galheno, 22 anos, com um tiro no olho. Depois, ele se matou. Matheus e Isabella foram casados por dois anos, eram pais de gêmeos de 1 ano de idade e estariam separados há cerca de um mês.

De acordo com a titular da 6º Delegacia de Polícia (Paranoá), Jane Klébia, responsável pela investigação, os dois moravam juntos na residência com uma irmã e um irmão de Isabella até o término do relacionamento, quando Matheus se mudou.

“Apesar de separados, ele continuava participando da rotina dela. A buscava no trabalho e outras coisas. Talvez ele tivesse esperança de reatar”, conta a delegada. Quando Isabella apresentou um novo namorado à família na última sexta-feira (29), o homem teria se mostrado incomodado. “Ele mandou mensagem para a família dela. Ficou transtornado”, detalha Jane Klébia.

“Você está me atrasando”
Conforme a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), no começo da manhã deste domingo, Matheus apareceu armado na casa de Isabella e entrou em seu quarto sem que ela desconfiasse de suas intenções. Ele apontou o revólver calibre. 38 para a ex-mulher, que se agarrou aos filhos e gritou por ajuda.

A irmã mais velha de Isabella teria sido a primeira a chegar ao quarto e presenciar a cena. Segundo a polícia, ela teria tentado negociar com o vigilante para que ele abaixasse a arma, sem sucesso. “Ele só gritava: ‘tira as crianças daqui que você está me atrasando'”, revela a delegada. A princípio, a irmã relutou em tirar os gêmeos do ambiente, por acreditar que, com as crianças ali, o pai não atiraria na mãe delas.

Ainda segundo os investigadores do caso, enquanto permanecia o impasse, o irmão da vítima também surgiu e fez menção de tomar a arma do suspeito. Matheus, contudo, ameaçou matar a todos caso alguém se aproximasse – o irmão de Isabella, então, recuou. Com isso, a tia das crianças as tirou do quarto. Ao sair, a mulher ouviu o primeiro disparo. Na sequência, veio o segundo.

Ao voltar para o cômodo, a irmã viu Isabella no chão, imóvel, em uma poça de sangue. O atirador agonizava em uma poltrona, com um ferimento na cabeça.

Minutos depois, policiais militares chegaram ao local: foram chamados pelos irmãos de Isabella logo no início da discussão. Ao verificarem que havia pessoas baleadas no local, os PMs acionaram o Corpo de Bombeiros, que encaminhou Matheus ao Hospital Regional do Paranoá, onde ele morreu. Não havia mais o que os socorristas pudessem fazer por Isabella, que teve morte instantânea ao ser atingido no olho esquerdo.

A arma usada no crime foi recolhida e levada para a 6ª DP. Em princípio, os investigadores desconfiaram que Matheus tivesse pegado o revólver do pai, policial militar. Mas isso foi descartado após o pai do vigia prestar depoimento. A polícia investiga a procedência da arma. “Precisamos saber se houve um terceiro envolvido [que tenha fornecido o revólver], mas é pouco provável”, diz Jane Klébia.

De repente
A titular da 6ª DP ainda informou que Matheus não tinha passagens pela polícia nem histórico conhecido de agressões à Isabella. O motivo da separação da ex-companheira, porém, teria sido uma agressão do pai a um dos bebês gêmeos: o vigia teria se irritado com o choro da criança, e mãe não aceitou, rompendo com o então marido.

“Quando ele cresceu para cima dos meninos, deixou um hematoma no braço de um deles, e a Isabella brigou muito. Teria até batido nele ao ver o vergão no braço do filho”, conta a delegada. O caso foi revelado pela irmã de Isabella que tirou as crianças do quarto antes da morte da mãe: ela não lembrou de outros episódios nos quais o ex-cunhado tenha sido violento.

Neste 2019, o Metrópoles inicia um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país. Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras.

 

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