Outubro Rosa: maratonista revela como o esporte auxiliou no tratamento

Diagnosticada em 2021, maratonista manteve treinos durante o tratamento e mostra como o exercício pode ser aliado na luta contra o câncer

atualizado

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Montagem colorida fotos da maratonista Neiva Temporim
1 de 1 Montagem colorida fotos da maratonista Neiva Temporim - Foto: @neivatemporim/Instagram/Reprodução

Quando o câncer de mama apareceu na vida da maratonista Neiva Temporim, em janeiro de 2021, o mundo já estava em marcha lenta. O medo do coronavírus esvaziava ruas, silenciava encontros e isolava casas. Mas, para ela, o susto veio de dentro: ao fazer um autoexame, sentiu um nódulo na mama esquerda.

Aos 56 anos, com seis maratonas no currículo e fôlego de quem sabia lidar com desafios, Neiva soube que enfrentaria um dos percursos mais duros da sua vida. Como em toda corrida que fez, a maratonista sabia: não ia parar. “O diagnóstico chegou como uma bomba. Aceitação foi a palavra nesse momento. Era hora de enfrentar e continuar vivendo.”

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No meio do caos da pandemia, com a imunidade em risco e o corpo sob tratamento, ela manteve firme o que mais amava: correr. Se adaptou, desacelerou, chorou. No entanto, seguiu.

Hoje, aos 60 anos, soma 19 maratonas — 13 delas depois do câncer. E neste Outubro Rosa, seu exemplo ilumina o quanto o esporte pode ser mais que saúde ou estética: pode ser sobre sobrevivência.

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Começo improvável: do colesterol alto aos 42 km

A corrida chegou na vida de Neiva como uma recomendação médica, em 2009, quando ela enfrentava um início de colesterol alto. “Era genético. Sempre fui um palito de magra, só que meus exames não estavam bons.”

A família havia acabado de se mudar para Uberlândia (MG). No Parque do Sabiá, encontrou o treinador Danilo Faria — que acabaria sendo o primeiro e único. “Foi com ele que aprendi tudo. Até hoje é ele quem monta minhas planilhas e me apoia.”

Começou do zero, passou pelas primeiras provas curtas e chegou à primeira maratona em 2016, em Paris. “Meu marido começou a correr comigo, e logo virou maratonista também. Eu me espelhei nele.”

Vieram então as maratonas de Chicago e Berlim, para citar alguns exemplos. Correr virou hábito, viagem, terapia e identidade.

O diagnóstico e o tratamento em tempos de medo

Em janeiro de 2021, Neiva sentiu o nódulo durante o banho. Ligou para sua médica. Em plena pandemia, a investigação começou. E veio o diagnóstico: câncer de mama com perfil hormonal.

Em fevereiro, passou pela cirurgia. Em seguida, iniciou as sessões de radioterapia. Neiva não precisou de quimioterapia, mas começou o tratamento com hormonioterapia — que termina apenas em abril de 2026.

A pandemia agravava tudo. A fragilidade emocional, o risco de infecções, o isolamento. “O mais difícil não era o tratamento em si. Era o momento que o mundo vivia. Não podia receber visitas. Meus amigos da corrida iam até a porta de casa, e eu falava com eles da sacada.”

A vontade de seguir em movimento nunca desapareceu. Durante a radioterapia, o Danilo [personal] me dava aulas on-line. Eu não podia suar, porque podia apagar as marcas da radio. Era um perrengue. Porém, parar? Jamais.”

montagem colorida fotos maratonista Neiva durante o tratamento
A maratonista durante o tratamento do câncer de mama

Exercício físico: ciência, cuidado e força

A atitude de Neiva não só é inspiradora — é respaldada pela ciência. A mastologista Euridice Figueiredo, da Rede Casa, no Rio de Janeiro, explica que a atividade física tem papel essencial tanto na prevenção quanto no tratamento do câncer de mama:

“A prática regular de atividade física impacta nos hormônios e no metabolismo, o que ajuda a inibir o crescimento tumoral. Ela também melhora a força muscular, a mobilidade do braço, o controle do peso e reduz o risco de recidiva.”

Ela destaca ainda que o exercício alivia os efeitos colaterais da quimioterapia — como fadiga, náuseas e queda de imunidade — e melhora significativamente a qualidade de vida das pacientes.

A oncologista Sabina Aleixo, especialista em políticas públicas em saúde, concorda e complementa:

“A atividade física, inclusive a corrida, pode ser uma grande aliada durante o tratamento. Ela melhora a disposição, a saúde emocional, o sono e reduz sintomas como fadiga e ansiedade, que são muito comuns.”

Sabina também alerta para os cuidados necessários: “É preciso respeitar os limites do corpo, evitar locais cheios e adaptar o treino. Mas parar totalmente, muitas vezes, não é necessário. Com acompanhamento e planejamento, é possível continuar em movimento com segurança.”

O recomeço da maratonista: um passo de cada vez

No dia 17 de maio de 2021, Neiva foi liberada para voltar aos treinos. Foi um choro longo, emocionado. “Era como começar do zero. Com a imunidade lá embaixo, uma fraqueza absurda. Achei que nunca mais ia correr uma maratona”, conta a corredora.

Com o apoio do marido, do treinador e do amigo Marcus Vinícius — que não deixou de ir a nenhum treino —, ela voltou. “Disciplina e rede de apoio. Isso me manteve em pé.”

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Neiva sempre contou com o apoio da família e amigos
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Boston, Nova York e a força invisível

A prova de que estava viva — e de volta — veio ainda naquele ano. A Maratona de Boston, adiada por conta da pandemia, foi marcada para outubro. Neiva se preparou, fez quarentena no México e entrou nos Estados Unidos. No dia 13 de outubro de 2021, cruzou a linha de chegada.

“Foi uma emoção sem fim. Todos os sentimentos vieram à tona. Só deixei o corpo me levar. Não sabia se conseguiria, e consegui.”

Depois, foi a vez da Maratona de Nova York, em novembro. Duas majors em menos de dois meses. O corpo ainda frágil, mas a alma inteira.

foto colorida Neiva
Neiva ao final da maratona de Boston em 2021

Maratona Para Todos: o presente inesperado

Em 2024, a maratonista se inscreveu para participar da Maratona Olímpica Para Todos, em Paris. Mesmo sem conseguir pontuação completa nos desafios, foi sorteada.

“Foi Deus me pinçando lá do meio. Depois de tudo que passei, eu estava lá. Foi mágico.”

Ela descreve a experiência como um reencontro com sua própria história. Paris foi onde tudo começou. E foi lá que ela celebrou a vida.

foto colorida Neiva
Maratona Olímpica Para Todos em Paris 2024

Vinte maratonas e uma lição de presença

Neste domingo (12/10), Neiva completa sua 20ª maratona: a Sparkasse, que atravessa Alemanha, Áustria e Suíça. Ela não busca mais tempo, nem pódio, quer apenas continuar.

“Antes, eu era muito veloz. Hoje, sou feliz completando as maratonas que me proponho a fazer.”

Ao seu redor, a maratonista carrega os que estiveram com ela: o marido, os filhos, os amigos que oraram, ligaram, correram ao lado, mesmo nos piores dias. “Não gosto da palavra superação. Nunca pensei nisso. Só pensei em viver.”

Movimento que salva

A história da maratonista Neiva é única, e carrega um ensinamento universal: o corpo em movimento sustenta a mente, o coração e a esperança. É ciência — e também é alma.

A doutora Euridice lembra que o sedentarismo pode piorar o quadro da doença. E que pacientes ativas tendem a ter melhor prognóstico. Já Sabina reforça: “O exercício não substitui o tratamento, mas é um dos pilares para enfrentá-lo com mais saúde e qualidade de vida.”

Neiva é a prova viva. Corre porque ama, mas também porque isso a manteve de pé. E cada linha de chegada que cruza é uma lembrança de que a vida segue, mesmo quando tudo parece dizer o contrário.

Movimento pela saúde da mulher no DF

Inspiradas em histórias como a de Neiva, que encontrou na corrida uma aliada no enfrentamento do câncer de mama, mulheres (e homens) do Distrito Federal terão duas oportunidades neste Outubro Rosa para vestir o rosa e correr por uma causa.

No dia 18 de outubro, a 1ª Corrida e Caminhada da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Brasília toma conta da Esplanada dos Ministérios, unindo esporte, solidariedade e conscientização — toda a renda será revertida para projetos sociais da Rede, que há quase três décadas apoia pacientes em tratamento. Faça sua inscrição aqui.

Já no dia 19 de outubro, o Circuito Consciente – Etapa Outubro Rosa 2025 movimenta Águas Claras com percursos leves e clima de confraternização, voltado para toda a família, inclusive os pets. Faça sua inscrição aqui.

Mais do que provas de rua, os eventos celebram o poder do movimento como ferramenta de cuidado, prevenção e esperança.

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