Nutri ensina estratégias alimentares que ajudam a driblar a seca
No período da seca, a alimentação pode ser uma grande aliada para reduzir os desconfortos. Veja os alimentos mais indicados

Quem vive em Brasília, no Centro-Oeste, no Nordeste ou em qualquer região com estação seca pronunciada sabe do que se trata. O ar resseca, os lábios racham, a garganta coça, a pele sente e a sensação de cansaço aparece. Acontece que o clima seco cobra um preço real do organismo, e a alimentação é uma das formas mais eficientes de reduzir o desconforto.

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Ver todasQuando a umidade relativa do ar cai, o corpo perde água mais rápido, tanto pela respiração quanto pela pele. Esse processo acontece de forma silenciosa, sem acionar necessariamente a sensação de sede com a mesma intensidade de um dia de calor úmido. O resultado é que muita gente passa a estação seca levemente desidratada sem perceber, e desidratação, mesmo leve, afeta a concentração, o humor, a digestão e a imunidade.

A hidratação que não vem só do copo
Água é indispensável, e a quantidade ideal no tempo seco é maior do que no restante do ano. Mas existe uma estratégia complementar que muita gente subestima: comer alimentos que hidratam.
Frutas e vegetais com alto teor de água contribuem de forma significativa para o equilíbrio hídrico do organismo, e têm a vantagem de chegarem acompanhados de minerais e vitaminas que a água pura não oferece. Melancia, melão, pepino, laranja, morango, tomate e abobrinha estão entre os alimentos com maior concentração hídrica, todos acima de 90% de água na composição. Incluí-los nas refeições e nos lanches do dia é uma forma de hidratar sem depender exclusivamente do hábito de beber água.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Vida & EstiloChás sem açúcar, especialmente os de ervas, entram nessa conta como aliados práticos para quem tem dificuldade de atingir a ingestão diária recomendada de líquidos. Hortelã, camomila e hibisco são opções que hidratam, têm ação calmante na mucosa das vias respiratórias e podem ser tomados quentes ou gelados.
O que a seca faz com a imunidade e como a alimentação responde
O ar seco resseca as mucosas do nariz e da garganta, que são a primeira linha de defesa do organismo contra vírus e bactérias. Quando essa barreira natural fica comprometida, o caminho para gripes, resfriados, rinites e infecções respiratórias fica mais livre. Não é coincidência que doenças respiratórias aumentem durante a estação seca mesmo sem o frio intenso do inverno.
A vitamina C tem papel bem documentado na manutenção da integridade das mucosas e no funcionamento do sistema imunológico. Acerola, goiaba, laranja, kiwi e pimentão são fontes generosas e acessíveis. A vitamina A, presente em cenoura, abóbora, manga e batata-doce, também é essencial para a saúde das mucosas respiratórias.
O zinco, encontrado em carnes, sementes de abóbora, castanhas e leguminosas, completa esse conjunto de nutrientes com papel direto na resposta imunológica. A combinação dos três, vitamina C, vitamina A e zinco, em refeições variadas ao longo do dia, forma uma base nutricional que ajuda o organismo a enfrentar a seca com menos vulnerabilidade.
A pele também come
O ressecamento da pele durante a seca não é resolvido só com hidratante. A barreira cutânea depende de gorduras específicas para se manter íntegra, e essas gorduras precisam vir da alimentação.
O ômega-3, presente em peixes como sardinha, salmão e truta, e o ômega-6, encontrado em oleaginosas como nozes e amêndoas e em sementes de linhaça e chia, são componentes estruturais da pele. Uma dieta pobre nesses nutrientes se reflete diretamente na pele seca e descamativa que a seca agrava. Incluir uma fonte de gordura boa em cada refeição, seja azeite, abacate, castanha ou peixe, é uma estratégia que trabalha por dentro o que o hidratante tenta resolver por fora.
O que evitar no tempo seco
Álcool e cafeína em excesso são diuréticos, ou seja, aumentam a eliminação de água pelo organismo, agravando a desidratação que o clima seco já provoca. Isso não significa abrir mão do café da manhã, mas vale equilibrar com mais água ao longo do dia.
Alimentos muito salgados e ultraprocessados aumentam a retenção de sódio e dificultam o equilíbrio hídrico. Em um período em que o corpo já está lutando para manter os líquidos, adicionar excesso de sódio é trabalho a mais para os rins.
Refeições muito pesadas e gordurosas dificultam a digestão, que já tende a ficar mais lenta quando o organismo está levemente desidratado. Pratos mais leves, com mais vegetais e proteínas magras, são mais fáceis de processar e deixam o corpo com mais energia para lidar com o esforço extra que o clima seco impõe.
O sinal que o corpo manda antes da sede
Quando a sensação de sede aparece, o organismo já está em leve estado de desidratação. No clima seco, esse sinal chega mais tarde e com menos intensidade do que deveria, porque os mecanismos de percepção da sede funcionam de forma diferente em ambientes de baixa umidade.
A cor da urina é o indicador mais prático e mais confiável para monitorar a hidratação no dia a dia: urina clara, quase transparente, indica hidratação adequada. Urina amarela escura é sinal de que o corpo precisa de mais líquido, independentemente de sentir sede ou não.
Na seca, mais do que em qualquer outra época do ano, beber água e comer alimentos que hidratam não pode depender da sede. Precisa virar rotina antes mesmo do corpo começar a pedir.





























