Canetas emagrecedoras: como evitar reganho de peso após uso do medicamento
Não são raros os casos de pessoas que usaram canetas emagrecedoras e relatam reganho de peso; veja como evitar que isso aconteça

Não é raro encontrar pessoas que, após fazer uso de canetas emagrecedoras, relatam reganho de peso. A ciência, em janeiro, comprovou essa relação. Um estudo publicado na revista British Medical Journal revelou que indivíduos com sobrepeso recuperam em média 0,8 kg por mês depois de interromper a utilização do medicamento. A redução gradual das doses, manutenção de treino de força e consumo de proteínas ajudam a evitar o reganho de peso.

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Ver todasSegundo Juliana Andrade, nutricionista do Metrópoles, o fenômeno tem nome, efeito rebote, e está longe de ser invenção ou exagero. E para entendê-lo, é preciso, antes, saber como essas substâncias funcionam.

“A semaglutida e a tirzepatida não funcionam apenas cortando a fome de forma superficial. Elas agem no sistema nervoso central imitando um hormônio chamado GLP-1, que sinaliza saciedade para o cérebro, retarda o esvaziamento do estômago e influencia a liberação de insulina. Na prática, a pessoa come menos porque o corpo recebe sinais contínuos de que já está satisfeito”, diz.
Ao interromper o medicamento, esses sinais somem e o corpo volta ao padrão anterior. “A fome que estava suprimida reaparece, e muitas vezes vem acompanhada de uma vontade intensa por exatamente os alimentos mais calóricos: açúcar, gordura, carboidrato refinado…”, exemplifica.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Vida & EstiloOutro fator que impacta nesse ganho de peso é que algumas pessoas, ao fazerem uso das canetas, acabam comendo menos proteína e perdendo massa muscular, o que deixa o metabolismo mais lento e pode gerar ganho de peso.
Como evitar o reganho de peso após usar canetas emagrecedoras
Reduza a dose gradualmente
Uma das estratégias que tem mostrado mais resultado é a redução gradual da dose, em vez de parar de uma vez. A semaglutida leva entre quatro e cinco semanas para sair completamente do organismo após a última aplicação. Quando a saída é abrupta, o choque de fome é mais intenso. Quando é feita em doses menores ao longo do tempo, o cérebro tem mais espaço para se reajustar sem o colapso repentino dos sinais de saciedade.
Essa decisão precisa ser tomada com o médico que acompanha o tratamento, mas é um caminho que pode fazer diferença real na transição.

Coma proteínas em todas as refeições
Proteína em todas as refeições é a medida mais concreta e mais subestimada. Ela ajuda a preservar a massa muscular, tem alto poder de saciedade e estabiliza os níveis de açúcar no sangue, o que reduz os picos de fome ao longo do dia.
Não abra mão dos treinos de força
Treino de força durante e depois do uso do medicamento é o que sustenta o metabolismo. Músculo construído durante o tratamento continua queimando calorias depois que o medicamento sai. Quem usou as canetinhas sem se exercitar pode ter chegado ao peso desejado com um corpo mais frágil do que o de partida.

Alimente-se bem
Cortar ultraprocessados é o ajuste que mais impacta o comportamento alimentar no longo prazo. São esses produtos que mais ativam o desejo de comer além da necessidade, especialmente quando o medicamento não está mais fazendo esse trabalho.
Não pule refeições
Evitar ficar muitas horas sem comer ajuda a não chegar às refeições com uma fome que derruba qualquer intenção de escolha mais cuidadosa.
“Quem usa o medicamento apenas para ver o número na balança cair, sem tratar os hábitos que fizeram o peso chegar onde chegou, tende a encontrar tudo de volta, mais ou menos no mesmo prazo em que levou para perder. No fim das contas, as canetas exigem preparo até mesmo para interromper o uso delas”, encerra Juliana.



