Azeite: nutri fala sobre os diferente tipos e o melhor para consumo
O azeite é um alimento com diversos benefícios, mas muita gente ainda fica com dúvida na hora de escolher o melhor na prateleira

O azeite é um dos poucos alimentos presentes em praticamente todas as mesas do mundo, com a rara vantagem de ser saboroso e saudável ao mesmo tempo. Mas nem todo azeite é igual, e usar uma variação inadequada para cozinhar ou temperar é um erro mais comum do que parece.

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Ver todasA confusão começa no supermercado, diante de prateleiras com extravirgem, virgem, comum e composto, cada um com preços bem diferentes e rótulos que explicam pouco. A boa notícia é que a lógica por trás dessas categorias é simples, e entender uma vez resolve a dúvida para sempre.
O que diferencia um azeite do outro
O parâmetro principal é a acidez, mas aqui existe um mal-entendido que vale desfazer logo: acidez no azeite não é o que se sente em termos de percepção de sabor. É um indicador químico medido em laboratório que revela o grau de deterioração do óleo. Quanto menor a acidez, mais puro e menos degradado está o azeite, e mais nutrientes ele preserva.
O extravirgem tem acidez de até 0,8% e é produzido pela primeira prensagem das azeitonas a frio, sem aquecimento nem processos químicos. Esse método preserva todos os antioxidantes, polifenóis, vitamina E e gorduras monoinsaturadas que fazem do azeite um aliado da saúde cardiovascular. É o tipo com mais sabor, mais aroma e mais benefícios.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Vida & EstiloO virgem segue o mesmo processo de produção, mas vem de azeitonas de qualidade ligeiramente inferior ou de uma segunda prensagem, o que eleva a acidez para até 2%. Ainda é um bom azeite, com perfil nutricional próximo ao extravirgem, mas com sabor um pouco mais suave e menos intenso.
O azeite comum, também chamado de azeite de oliva puro ou tipo único, é uma mistura de azeite refinado com pequenas quantidades de virgem ou extravirgem adicionadas para recuperar cor e sabor. O refinamento usa calor e processos químicos que destroem boa parte dos compostos benéficos. É o mais barato e o menos nutritivo da família.
O azeite composto é o que mais engana: o nome sugere sofisticação, mas na prática é uma mistura de azeite com outros óleos vegetais, como soja ou girassol. Tem os benefícios mais diluídos e não deveria ser confundido com azeite puro.
O que o azeite realmente faz pelo corpo
Os benefícios do azeite extravirgem são um dos temas mais estudados da nutrição e os dados são consistentes. As gorduras monoinsaturadas, especialmente o ácido oleico que compõe a maior parte do azeite, ajudam a reduzir o colesterol LDL, o chamado colesterol ruim, sem interferir no HDL, o bom.
Os polifenóis, compostos antioxidantes presentes em maior concentração no extravirgem, têm ação anti-inflamatória documentada. Inflamação crônica de baixo grau é um dos mecanismos centrais por trás de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e envelhecimento acelerado. O consumo regular de azeite extravirgem é um dos pilares da dieta mediterrânea, que figura consistentemente entre os padrões alimentares com melhores indicadores de longevidade no mundo.
A quantidade recomendada para aproveitar esses benefícios no dia a dia fica em torno de duas colheres de sopa por dia, distribuídas nas refeições.
Como não errar na hora de comprar
Além do tipo, alguns detalhes na embalagem fazem diferença real na qualidade do que está sendo comprado.
A embalagem escura protege o azeite da luz, que degrada os compostos antioxidantes. Azeite em garrafa de vidro transparente ou em plástico perde qualidade mais rápido. A data de colheita, quando aparece no rótulo, é mais informativa do que a data de validade: o ideal é consumir dentro de um ano após a extração. Azeites com origem e produtor identificados tendem a ter mais controle de qualidade do que os de procedência genérica.
Por fim, um dado que surpreende: o Brasil importa a maior parte do azeite que consome, principalmente de Portugal, Espanha, Itália e Grécia. Mas o país tem expandido a produção própria, especialmente no Rio Grande do Sul, e os azeites brasileiros já acumulam prêmios internacionais. Vale a pena experimentar os nacionais, que chegam mais frescos às prateleiras justamente por percorrer menos distância até o consumidor, e ainda podem sair mais em conta.















