Ex-vereador Milton Leite se entrega à polícia
Ex-presidente da Câmara Municipal era procurado após investigação que mira relação de empresas de transporte público de São Paulo com PCC

O ex-vereador Milton Leite, alvo de um mandado de prisão no âmbito da Operação Vectura Corrupta, entregou-se e foi preso na Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (Dise), na tarde desta sexta-feira (18/9), na Região Metropolitana de São Paulo, após a polícia considerá-lo foragido.
O ex-vereador era alvo de um mandado de prisão temporária expedido pela Justiça nessa quinta-feira (17/9), suspeito de gerenciar empresas de transporte público de São Paulo ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

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Ver todasDurante as buscas por Milton Leite realizadas na manhã desta sexta, antes de ele se entregar, a Polícia Civil encontrou R$ 280 mil e US$ 89 mil (o equivalente a cerca de R$ 457 mil no câmbio do dia) — um total aproximado de R$ 737 mil — na casa de um assessor ligado ao ex-vereador.
Operação Vectura Corrupta
A Justiça decretou a prisão temporária de 16 investigados por suspeita de envolvimento no esquema de infiltração do PCC no sistema de transporte público de São Paulo, no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP).
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPDe acordo com informações do delegado Fabricio Intelizano durante coletiva à imprensa, os investigados ficarão presos por 30 dias – prazo prorrogável por igual período. As investigações continuam para apurar a participação de cada um dos suspeitos no esquema.
Além de Milton Leite, o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira está entre os alvos e foi preso ainda na quinta. Outros 18 mandados de busca e apreensão foram cumpridos na capital, no interior e no litoral paulista.
As investigações constataram que pelo menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo de São Paulo seriam, em tese, controladas pelo PCC. Essa infiltração, segundo as autoridades, ocorria por meio de uma estrutura organizada que combina o uso de empresas de fachada, direcionamento de licitações, apoio político e lavagem de capitais.
Citação em depoimento à Corregedoria
O nome de Milton Leite foi mencionado em um depoimento prestado à Corregedoria da Polícia Militar em fevereiro de 2026 pelo segundo-sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário, preso naquele mês. Segundo o policial, o vereador seria o verdadeiro proprietário da Transwolff, empresa de transporte coletivo investigada por suposta lavagem de dinheiro para o PCC. Cezário declarou ainda que os demais integrantes da direção da companhia seriam usados como laranjas.
O sargento foi detido em uma operação que investigou policiais envolvidos na segurança de Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, e Cícero de Oliveira, o Té, ambos ex-diretores da Transwolff. Entre os presos, havia também o capitão Alexandre Paulino Vieira, que, de acordo com o depoimento, fazia a segurança pessoal de Milton Leite.
À Corregedoria, Cezário afirmou que Alexandre Paulino passou a integrar a equipe responsável pela proteção dos dirigentes da Transwolff por indicação de Leite. Naquele período, o capitão ocupava o posto de assessor militar da Câmara Municipal de São Paulo e, segundo o depoimento, trabalhava diretamente com o então presidente da Casa.
Trajetória política de Milton Leite
Milton Leite chegou à Câmara Municipal de São Paulo em 1997 e construiu uma trajetória de sete mandatos consecutivos. Foi reeleito em 2000, 2004, 2008, 2012, 2016 e 2020. Nas eleições de 2016 e 2020, ficou entre os vereadores mais votados do país, ocupando a segunda posição nas duas disputas.
Ele presidiu a Câmara entre 2017 e 2018 e voltou ao comando da Casa de 2021 a 2024. Em julho de 2024, anunciou que não disputaria um novo mandato, sob a justificativa de já ter dado sua “contribuição para a sociedade”.
Atualmente, Leite preside o União Brasil no estado de São Paulo.
O político nega ter qualquer relação com o PCC. Sobre seus contatos com integrantes do setor de transporte, alegou que os encontros ocorreram em razão de sua atuação na área. “Eu me reunia porque era vice-prefeito e eu tive essa designação pelo Bruno Covas (ex-prefeito de SP), em resolver a questão dos transportes”, declarou.
















