Delegado ligado a Nunes é citado em guerra sindical envolvendo Milton Leite
Ex-presidente do SindMotoristas acusa Roberto Monteiro de atuar para afastá-lo; registros mostram delegado com Nunes, Milton e atual direção

O delegado Roberto Monteiro de Andrade Júnior (imagem em destaque à esquerda) é citado por José Valdevan de Jesus Santos, o Valdevan Noventa, ex-presidente do SindMotoristas, como personagem de uma guerra pelo comando da entidade envolvendo o ex-vereador Milton Leite (imagem em destaque à direita), que teve a prisão decretada pela Justiça.
Monteiro também aparece em registros públicos ao lado de Ricardo Nunes (MDB), inclusive em reunião realizada neste ano no Gabinete do Prefeito com a atual direção do SindMotoristas (veja galeria abaixo). A Prefeitura afirma que o delegado não integra a administração municipal. Monteiro nega as acusações de Valdevan e diz que jamais presidiu o inquérito citado pelo ex-sindicalista (leia mais abaixo).
“Roberto Monteiro veio para cima de mim através de uma briga que eu tive com o [ex-vereador] Milton [Leite]. Quem é que o Milton usou? Roberto Monteiro”, afirmou Valdevan à coluna.
Investigação policial
Valdevan também relaciona Monteiro à investigação policial que o alcançou. “O processo ficou na mão de quem? Roberto Monteiro. A pedido de quem? Milton Leite”, disse.
Monteiro contesta. Segundo ele, o inquérito foi inicialmente instaurado no 4º DP de Guarulhos e, posteriormente, transferido para a 1ª Cerco (que investiga o crime organizado), na capital, com autorização da Delegacia-Geral e anuência do Ministério Público de São Paulo e da Justiça.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA 1ª Cerco era subordinada à 1ª Delegacia Seccional Centro, então comandada por Monteiro. O delegado afirma, porém, que o inquérito foi integralmente presidido por outro policial.
Roberto Monteiro diz ainda que Valdevan passou a criar “narrativas inverídicas e fantasiosas” contra ele após perder o mandato de deputado federal, a liderança sindical e bens atingidos pelas investigações.
Monteiro, Nunes e o sindicato
A relação pública de Monteiro com Nunes vem de anos. Registros da Prefeitura mostram ambos juntos em compromissos e, em fevereiro deste ano, também numa reunião no Gabinete do Prefeito com Valdemir dos Santos Soares, o Moleque, atual presidente do SindMotoristas, e outros dirigentes.
Em 2023, após a saída de Monteiro do comando da 1ª Delegacia Seccional Centro, Nunes chegou a convidá-lo para atuar na gestão municipal. Na ocasião, o prefeito declarou ter pedido ao vice-governador Felicio Ramuth que o delegado pudesse ficar “à disposição” da Prefeitura.
Três anos depois, em março de 2026, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) criou, a pedido de Nunes, uma Assessoria Policial Civil para prestar assistência ao prefeito e a secretários municipais. O Metrópoles apurou na ocasião que Nunes havia pedido que Monteiro fosse escolhido para dirigir a estrutura, embora não houvesse confirmação de sua nomeação para o posto.
Os episódios ajudam a dimensionar uma relação institucional de anos entre Monteiro e Nunes, embora a Prefeitura afirme que o delegado não integra atualmente os quadros da administração municipal.
O sindicato também já apresentou Monteiro como “convidado especial” de evento da entidade.
De investigado a interlocutor
O inquérito citado por Valdevan começou em 2020, após a apreensão de R$ 91.450 em espécie com um dirigente do SindMotoristas, e avançou sobre integrantes da entidade.
Valdevan foi investigado. Moleque também figurou na apuração e chegou a sofrer medidas cautelares, posteriormente revogadas pela Justiça.
Monteiro ressalta, em sua resposta, que Moleque e outros investigados inicialmente não foram indiciados ao final do inquérito. Mas é a atual interlocução do delegado com a direção comandada por Moleque que Valdevan questiona.
“Hoje ele está dentro do sindicato com os caras que ele disse que estavam sendo investigados junto comigo. Com o Moleque”, afirmou.
A aproximação, por si só, não implica irregularidade.
O que dizem Prefeitura e Monteiro
A Prefeitura afirmou que Monteiro não trabalha na administração municipal. “Sobre os assuntos relacionados ao sindicato mencionado, os questionamentos devem ser feitos aos próprios dirigentes sindicais”, acrescentou em nota.
Monteiro, por sua vez, afirmou que nunca presidiu o inquérito contra Valdevan, que a investigação foi conduzida por Fábio Daré e que os indiciamentos resultaram do conjunto de provas reunido pela Polícia Civil. Segundo ele, Moleque não esteve entre os indiciados.
O delegado disse ainda que sua posterior aproximação com integrantes do SindMotoristas decorreu do reconhecimento de seu trabalho policial e de apoio recebido de integrantes da categoria quando concorreu a vereador. Na ocasião, disputou a eleição pelo União Brasil, então presidido por Milton Leite. Há ainda uma imagem obtida pela coluna em que o delegado aparece ao lado de Milton Leite durante um culto evangélico (imagem em destaque).
Monteiro também informou que move procedimentos criminal e cível contra Valdevan por acusações que considera caluniosas e negou qualquer “alinhamento irregular, conluio ou relacionamento espúrio” com dirigentes sindicais ou políticos.

















