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Saúde

Gordura presente no azeite pode ajudar a proteger contra diabetes

Pesquisa indica que gordura presente no azeite pode proteger o metabolismo, enquanto outra está ligada à resistência à insulina

22/06/2026 12:17
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Close-up de uma xícara com azeite e azeitonas a frente. Metrópoles

Nem todas as gorduras afetam o organismo da mesma forma. Uma nova revisão científica sugere que o tipo de gordura consumida pode ter papel importante no desenvolvimento da diabetes tipo 2, doença que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.

A pesquisa, publicada na revista Trends in Endocrinology & Metabolism em 29 de março, reuniu evidências sobre os efeitos de dois ácidos graxos comuns na alimentação. Enquanto o ácido palmítico foi associado a alterações ligadas à resistência à insulina, o ácido oleico apresentou efeitos considerados mais favoráveis para a saúde metabólica.

O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Barcelona e da área de Diabetes e Doenças Metabólicas Associadas do Ciberdem.

“O ácido palmítico, um ácido graxo saturado amplamente encontrado nos alimentos, está associado à diminuição da sensibilidade à insulina, enquanto o ácido oleico, abundante no azeite de oliva, pode ter um efeito protetor contra esses distúrbios metabólicos”, afirma o pesquisador Manuel Vázquez-Carrera, um dos autores da revisão, em comunicado.

Diabetes tipo 2

  • A diabetes tipo 2 é uma doença crônica marcada pela resistência à insulina e pelo aumento dos níveis de glicose no sangue.
  • Mais comum em adultos, a condição está frequentemente relacionada à obesidade e ao envelhecimento.
  • Entre os principais sintomas estão sede excessiva, urina frequente, fadiga, visão embaçada, feridas de cicatrização lenta, fome constante e perda de peso sem causa aparente.
  • O tratamento envolve medicamentos para controlar a glicemia e, em alguns casos, aplicação de insulina.
  • Mudanças no estilo de vida, como perda de peso, alimentação equilibrada e prática regular de exercícios, são essenciais para o controle da doença.

Como diferentes gorduras afetam o organismo

Segundo os pesquisadores, o ácido palmítico pode desencadear uma série de alterações celulares relacionadas à diabetes tipo 2.

A revisão aponta que essa gordura favorece o acúmulo de substâncias associadas a danos metabólicos, além de estimular processos inflamatórios persistentes e prejudicar o funcionamento de estruturas importantes das células.

“Em nível molecular, o ácido palmítico promove a acumulação de lípidos bioativos potencialmente tóxicos, fomenta uma inflamação crônica de baixo grau e contribui para a disfunção de organelas celulares”, explica Xavier Palomer, primeiro autor do artigo.

As alterações estão ligadas à redução da resposta do organismo à insulina, hormônio responsável por controlar os níveis de glicose no sangue.

Azeite aparece como aliado

Os resultados foram diferentes para o ácido oleico, gordura monoinsaturada encontrada principalmente no azeite de oliva.

De acordo com os autores, a substância ajuda o organismo a armazenar gordura de maneira menos prejudicial e contribui para a manutenção da ação da insulina em órgãos como fígado, músculos e tecido adiposo.

A revisão também sugere que o ácido oleico pode reduzir parte dos efeitos associados ao ácido palmítico. Para os pesquisadores, isso ajuda a explicar por que padrões alimentares ricos em gorduras monoinsaturadas, como a dieta mediterrânea, costumam estar associados a menor risco de diabetes tipo 2.

Foto colorida de alcachofras banhadas no azeite de oliva - Metrópoles
O azeite de oliva é um dos alimentos com maior potencial anti-inflamatório

Qualidade pode ser mais importante que quantidade

Um dos principais pontos destacados pelos autores é que a qualidade da gordura consumida pode ser mais relevante do que a quantidade total ingerida.

Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que ainda são necessários novos estudos para entender melhor como diferentes fontes de gordura interagem com outros componentes da alimentação e influenciam a saúde metabólica.

Segundo a equipe, fatores como o processamento dos alimentos, a combinação com outros nutrientes e a origem dessas gorduras também precisam ser considerados ao avaliar seus efeitos sobre o risco de diabetes tipo 2.

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