Cientistas descobrem gordura que reduz câncer de pâncreas. Saiba qual
Estudo identificou efeitos opostos de diferentes tipos de gordura sobre o câncer pancreático em camundongos
atualizado
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O tipo de gordura consumido pode influenciar o desenvolvimento do câncer de pâncreas. Essa é a conclusão a que chegou um estudo da Universidade Yale, nos Estados Unidos, publicado em 29 de abril na revista científica Cancer Discovery.
Em experimentos com camundongos predispostos ao adenocarcinoma ductal pancreático (PDAC), a forma mais comum e agressiva do câncer pancreático, dietas enriquecidas com ácido oleico favoreceram o crescimento dos tumores. Já dietas ricas em ômega-3 reduziram a progressão da doença em cerca de 50%.
A pesquisa ajuda a explicar por que nem todas as gorduras agem da mesma forma no organismo. Segundo os autores, mais importante do que a quantidade total consumida pode ser o tipo de gordura presente na alimentação.
Para investigar a relação entre gordura e câncer pancreático, os pesquisadores criaram 12 dietas com alto teor de gordura e quantidades semelhantes de calorias. A principal diferença entre elas era a composição das gorduras utilizadas.
Os testes foram realizados em camundongos geneticamente predispostos a desenvolver uma doença semelhante ao câncer pancreático humano. Durante até 12 semanas, a equipe acompanhou a evolução dos tumores e analisou como cada dieta alterava a composição das membranas celulares do pâncreas. O objetivo era entender de que forma diferentes gorduras poderiam interferir no crescimento das células cancerígenas.
A gordura associada ao crescimento do tumor
Um dos resultados que mais chamou a atenção dos pesquisadores envolveu o ácido oleico, uma gordura monoinsaturada encontrada em alimentos como azeite de oliva, amendoim e alguns óleos vegetais.
Nos animais estudados, dietas enriquecidas com ácido oleico favoreceram o crescimento dos tumores pancreáticos. O efeito foi identificado de forma mais evidente nos camundongos machos do que nas fêmeas.
A equipe observou que essa gordura alterou a composição dos fosfolipídios presentes nas membranas celulares e tornou as células tumorais mais resistentes à ferroptose, um tipo de morte celular que ajuda o organismo a eliminar células danificadas.
Em condições normais, a ferroptose pode dificultar a sobrevivência de células cancerígenas. Quando esse mecanismo é reduzido, os tumores encontram condições mais favoráveis para crescer.
Ômega-3 teve efeito oposto
Os pesquisadores encontraram um resultado muito diferente ao analisar dietas enriquecidas com gorduras poli-insaturadas, especialmente o ômega-3 presente no óleo de peixe.
Nos experimentos, os camundongos alimentados com esse tipo de gordura apresentaram redução de aproximadamente 50% da doença, quando comparados aos animais que receberam uma dieta padrão de gordura.
Segundo os autores, as gorduras poli-insaturadas são mais suscetíveis à oxidação, característica que favorece a ferroptose e aumenta a vulnerabilidade das células tumorais.
Na prática, isso significa que diferentes tipos de gordura podem modificar a capacidade de sobrevivência das células cancerígenas. Além dos experimentos em animais, os cientistas analisaram informações do UK Biobank, um dos maiores bancos de dados de saúde.
A avaliação mostrou que níveis mais elevados de gorduras monoinsaturadas circulantes apareceram associados a maior risco de adenocarcinoma ductal pancreático. Já concentrações mais altas de gorduras poli-insaturadas foram associadas a menor risco da doença.
Os autores ressaltam que essa análise mostra apenas uma associação, mas não prova que uma gordura provoque ou previna diretamente o câncer em seres humanos.
Por isso, os resultados devem ser interpretados com cautela. Ainda assim, os achados reforçam a hipótese de que a composição das gorduras consumidas pode influenciar mecanismos biológicos relacionados ao desenvolvimento do câncer pancreático.