Vacina contra câncer de pâncreas mantém efeito por até 6 anos

Estudo mostra resposta duradoura em pacientes com câncer de pâncreas, um dos tumores mais agressivos da medicina

atualizado

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SEBASTIAN KAULITZKI/SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images
Ilustração colorida de pâncreas em esqueleto humano - Metrópoles
1 de 1 Ilustração colorida de pâncreas em esqueleto humano - Metrópoles - Foto: SEBASTIAN KAULITZKI/SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images

Uma vacina personalizada contra o câncer de pâncreas apresentou resultados promissores em pacientes acompanhados por até seis anos após o tratamento.

A pesquisa, publicada em fevereiro de 2025 na revista científica Nature, indica que a estratégia pode ajudar a reduzir o retorno da doença em um dos tumores mais difíceis de tratar.

O câncer de pâncreas está entre os mais letais porque costuma crescer de forma silenciosa e, em muitos casos, é descoberto apenas em fases avançadas. Mesmo quando a cirurgia é possível, o risco de recidiva costuma ser alto.

Vacina personalizada

O estudo avaliou 16 pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático, tipo mais comum de câncer de pâncreas. Todos passaram por cirurgia para retirada do tumor e, depois, receberam um tratamento combinado.

A sequência incluiu imunoterapia com atezolizumabe, doses da vacina personalizada chamada autogene cevumeran e quimioterapia mFOLFIRINOX.

A vacina foi produzida de forma individualizada. Para isso, cientistas analisaram mutações presentes no tumor removido de cada paciente e criaram uma fórmula específica para treinar o sistema imunológico a reconhecer células cancerígenas remanescentes.

Segundo os pesquisadores, oito dos 16 participantes desenvolveram forte resposta imune após a vacinação. Nesses casos, células de defesa conhecidas como linfócitos T passaram a identificar alvos ligados ao tumor.

Na atualização mais recente do acompanhamento, sete dos oito pacientes que responderam imunologicamente continuavam vivos entre quatro e seis anos depois do tratamento. Dentre os que não apresentaram a mesma resposta, dois permaneciam vivos no mesmo período.

Os dados foram apresentados por pesquisadores do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, responsável pelo estudo. Os autores observaram que parte das células T estimuladas pela vacina permaneceu ativa no organismo, o que sugere memória imunológica duradoura.

Na prática, isso significa que o corpo pode continuar preparado para reconhecer sinais do tumor por um período prolongado. Embora os resultados tenham animado a comunidade científica, os próprios pesquisadores reforçam que ainda não se trata de cura comprovada.


Sintomas do câncer de pâncreas:

  • Dor abdominal ou nas costas;
  • Perda de peso sem explicação;
  • Pele e olhos amarelados;
  • Falta de apetite;
  • Cansaço persistente;
  • Alterações digestivas.

Próximos passos antes de virar tratamento

O ensaio foi de fase 1, etapa voltada principalmente para avaliar a segurança e sinais iniciais de eficácia. Como o número de pacientes ainda é pequeno, serão necessários estudos maiores para confirmar o benefício.

Uma nova fase da pesquisa já está em andamento. Se os resultados forem repetidos em grupos maiores, a vacina poderá abrir caminho para uma nova estratégia contra o câncer de pâncreas.

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