Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Saúde

Vacina contra câncer de pâncreas mantém efeito por até 6 anos

Estudo mostra resposta duradoura em pacientes com câncer de pâncreas, um dos tumores mais agressivos da medicina

23/04/2026 10:10, atualizado 23/04/2026 10:14
SEBASTIAN KAULITZKI/SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images
Ilustração colorida de pâncreas em esqueleto humano - Metrópoles

Uma vacina personalizada contra o câncer de pâncreas apresentou resultados promissores em pacientes acompanhados por até seis anos após o tratamento.

A pesquisa, publicada em fevereiro de 2025 na revista científica Nature, indica que a estratégia pode ajudar a reduzir o retorno da doença em um dos tumores mais difíceis de tratar.

O câncer de pâncreas está entre os mais letais porque costuma crescer de forma silenciosa e, em muitos casos, é descoberto apenas em fases avançadas. Mesmo quando a cirurgia é possível, o risco de recidiva costuma ser alto.

Receba no seu email as notícias de Ciência&Saúde

Frequência de envio: Semanal

Ver todas as newsletters

Vacina personalizada

O estudo avaliou 16 pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático, tipo mais comum de câncer de pâncreas. Todos passaram por cirurgia para retirada do tumor e, depois, receberam um tratamento combinado.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e Ciência

A sequência incluiu imunoterapia com atezolizumabe, doses da vacina personalizada chamada autogene cevumeran e quimioterapia mFOLFIRINOX.

A vacina foi produzida de forma individualizada. Para isso, cientistas analisaram mutações presentes no tumor removido de cada paciente e criaram uma fórmula específica para treinar o sistema imunológico a reconhecer células cancerígenas remanescentes.

Segundo os pesquisadores, oito dos 16 participantes desenvolveram forte resposta imune após a vacinação. Nesses casos, células de defesa conhecidas como linfócitos T passaram a identificar alvos ligados ao tumor.

Na atualização mais recente do acompanhamento, sete dos oito pacientes que responderam imunologicamente continuavam vivos entre quatro e seis anos depois do tratamento. Dentre os que não apresentaram a mesma resposta, dois permaneciam vivos no mesmo período.

Os dados foram apresentados por pesquisadores do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, responsável pelo estudo. Os autores observaram que parte das células T estimuladas pela vacina permaneceu ativa no organismo, o que sugere memória imunológica duradoura.

Na prática, isso significa que o corpo pode continuar preparado para reconhecer sinais do tumor por um período prolongado. Embora os resultados tenham animado a comunidade científica, os próprios pesquisadores reforçam que ainda não se trata de cura comprovada.


Sintomas do câncer de pâncreas:

  • Dor abdominal ou nas costas;
  • Perda de peso sem explicação;
  • Pele e olhos amarelados;
  • Falta de apetite;
  • Cansaço persistente;
  • Alterações digestivas.

Próximos passos antes de virar tratamento

O ensaio foi de fase 1, etapa voltada principalmente para avaliar a segurança e sinais iniciais de eficácia. Como o número de pacientes ainda é pequeno, serão necessários estudos maiores para confirmar o benefício.

Uma nova fase da pesquisa já está em andamento. Se os resultados forem repetidos em grupos maiores, a vacina poderá abrir caminho para uma nova estratégia contra o câncer de pâncreas.