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Saúde

Estudo inédito dobra a sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas

Resultados apresentados na ASCO 2026 mostram benefício do daraxonrasib em pacientes com doença metastática previamente tratada

01/06/2026 17:22, atualizado 01/06/2026 18:50
magicmine/Getty Images
Ilustração colorida de pâncreas em esqueleto humano - Metrópoles

Um medicamento experimental apresentado durante a ASCO Annual Meeting 2026 trouxe resultados considerados promissores para o tratamento do câncer de pâncreas metastático, um dos tumores mais agressivos da oncologia.

O medicamento daraxonrasib demonstrou aumento da sobrevida de pacientes com a doença avançada em comparação com a quimioterapia padrão, segundo dados do estudo de fase 3 RASolute 302. A pesquisa avaliou pacientes com câncer de pâncreas metastático previamente tratados e pessoas com mutações em genes da família RAS.

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Os resultados mostraram uma sobrevida global mediana de 13,2 meses entre os participantes que receberam daraxonrasib, contra 6,7 meses no grupo tratado com quimioterapia. O estudo também apontou redução de cerca de 60% no risco de morte.

O oncologista clínico Diogo Bugano, do Einstein Hospital Israelita, destaca que os resultados representam um avanço importante em uma área que há décadas conta principalmente com a quimioterapia como opção terapêutica.

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Há 50 anos, tratamos câncer de pâncreas com quimioterapia, apenas. Os vários avanços da oncologia, como terapia-alvo, anticorpos monoclonais e imunoterapia, ainda não tinham funcionado para câncer de pâncreas. Pela primeira vez, temos um tratamento-alvo funcionando”, afirma.

Como a daraxonrasib atua

As mutações em proteínas da família RAS estão entre as alterações genéticas mais frequentes em diversos tumores, especialmente nos cânceres de pâncreas, pulmão e cólon. Durante muitos anos, pesquisadores encontraram dificuldades para desenvolver medicamentos capazes de bloquear a ação dessas proteínas.

Segundo Bugano, o daraxonrasib atua de forma diferente das terapias-alvo convencionais. A droga forma um complexo com moléculas que se ligam ao RAS, impedindo que a proteína interaja com outros componentes celulares envolvidos no crescimento tumoral. Por causa desse mecanismo, o medicamento passou a ser descrito por pesquisadores como uma “cola molecular”.


Câncer de pâncreas

  • Esse tipo de câncer ocorre quando células anormais crescem e se multiplicam no pâncreas, formando um tumor.
  • Entre os principais sintomas da condição, estão: dor abdominal ou nas costas, perda de apetite e perda de peso involuntária, icterícia (pele e olhos amarelados), urina escura e fezes claras, coceira na pele, indigestão e fadiga.
  • Dependendo do estágio da doença, o câncer de pâncreas pode ser tratado com cirurgia, quimioterapia ou radioterapia.
  • Não há medidas específicas para prevenir o câncer de pâncreas, porém evitar o tabagismo, consumo excessivo de álcool e obesidade são boas alternativas para diminuir o risco da doença.

De acordo com o especialista, cerca de 90% dos casos de câncer de pâncreas apresentam mutações em RAS, o que amplia o potencial de aplicação da estratégia terapêutica. Especialistas já avaliam o uso do daraxonrasib em etapas mais precoces do tratamento da doença.

Apesar dos resultados positivos, ainda existem desafios. Como a droga também pode atingir proteínas RAS presentes em células normais, alguns pacientes apresentam efeitos adversos, principalmente diarreia e lesões de pele.

Outro ponto de atenção é o desenvolvimento de resistência tumoral ao tratamento ao longo do tempo, um fenômeno observado em diferentes terapias-alvo.

O medicamento ainda não está disponível para uso comercial. A expectativa é de que a empresa responsável pela medicação busque a aprovação regulatória nos Estados Unidos nos próximos meses. Até o momento, não há previsão para disponibilização da droga no Brasil.