Tipo de azeite pode ajudar a preservar a função do cérebro. Saiba qual

Pesquisa sugere que o consumo desse azeite está associado a melhor desempenho cognitivo e a mudanças positivas nas bactérias intestinais

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Close-up de uma xícara com azeite e azeitonas a frente. Metrópoles
1 de 1 Close-up de uma xícara com azeite e azeitonas a frente. Metrópoles - Foto: Freepik

O consumo de um tipo específico de azeite pode estar relacionado a melhor desempenho cognitivo e a mudanças positivas nas bactérias do intestino. A conclusão vem de um estudo com adultos mais velhos que investigou como diferentes tipos de azeite influenciam a relação entre alimentação, microbiota intestinal e funcionamento do cérebro.

A pesquisa, publicada na revista Microbiome em 24 de janeiro, acompanhou 656 pessoas entre 55 e 75 anos com sobrepeso ou obesidade e síndrome metabólica, um conjunto de fatores que aumenta o risco de doenças cardiovasculares.

Durante dois anos, os cientistas analisaram a alimentação dos participantes e avaliaram tanto a composição das bactérias intestinais quanto mudanças no desempenho cognitivo ao longo do tempo.

Segundo o pesquisador Jiaqi Ni, da Universitat Rovira i Virgili, na Espanha, o trabalho buscou entender melhor como o consumo de azeite pode influenciar essa relação entre intestino e cérebro.

“Este é o primeiro estudo prospectivo em humanos a analisar especificamente o papel do azeite na interação entre a microbiota intestinal e a função cognitiva”, diz, em comunicado.

Diferenças aparecem conforme o tipo de azeite consumido

Os resultados mostraram diferenças entre os tipos de azeite consumidos. Pessoas que utilizavam regularmente azeite extravirgem apresentaram melhor desempenho em testes cognitivos e maior diversidade de bactérias intestinais.

A diversidade da microbiota é considerada um indicador importante de saúde metabólica e intestinal. Já os participantes que consumiam principalmente azeite refinado apresentaram redução dessa diversidade ao longo do acompanhamento.

Os pesquisadores também identificaram um grupo específico de bactérias intestinais chamado Adlercreutzia que pode estar relacionado a esse efeito. A presença dessas bactérias apareceu associada ao consumo de azeite extravirgem e à manutenção da função cognitiva.

Os dados indicam que parte do efeito do azeite sobre o cérebro pode ocorrer por meio das mudanças que ele provoca na microbiota intestinal.

O que diferencia o azeite extravirgem

A principal diferença entre os tipos de azeite está no processo de produção. O azeite extravirgem é obtido por métodos mecânicos que preservam compostos naturais presentes nas azeitonas.

Já o azeite refinado passa por etapas industriais para remover impurezas. Esse processo aumenta a estabilidade e uniformiza o sabor, mas também reduz substâncias consideradas benéficas, como antioxidantes, polifenóis e vitaminas. “Nem todos os azeites de oliva trazem benefícios para a função cognitiva”, afirma Jiaqi Ni.

Para o pesquisador Jordi Salas-Salvadó, que liderou o estudo, a qualidade das gorduras consumidas pode ter um papel importante no envelhecimento saudável.

“Apesquisa reforça a ideia de que a qualidade da gordura que consumimos é tão importante quanto a quantidade. O azeite extravirgem não apenas protege o coração, como também pode ajudar a preservar o cérebro durante o envelhecimento”, afirma.

Os autores destacam que a identificação de bactérias associadas a esse efeito pode ajudar a entender melhor como a alimentação influencia a saúde cerebral. Também pode contribuir para novas estratégias de prevenção voltadas ao envelhecimento e ao declínio cognitivo.

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