Saiba como ajudar alguém que está tendo uma crise de ansiedade
Especialistas explicam quais são os sinais, o que fazer e atitudes que podem agravar os sintomas de ansiedade durante uma crise
atualizado
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Uma crise de ansiedade pode surgir de forma repentina e assustadora, tanto para quem vive o episódio quanto para quem está por perto. Falta de ar, taquicardia, tremores e sensação de perda de controle estão entre os sintomas mais comuns. Em muitos casos, a pessoa acredita que está sofrendo um problema grave de saúde, como um infarto.
De acordo com o psiquiatra Gustavo Omena, que atende em Alagoas, o diagnóstico precisa ser feito com cautela. “Uma crise de ansiedade deve ser, antes de tudo, um diagnóstico de exclusão”, afirma. Isso porque doenças cardiovasculares, metabólicas e neurológicas podem apresentar sintomas semelhantes.
A psicóloga Veruska Vasconcelos, do Hospital Alvorada Moema, em São Paulo, explica que o corpo costuma dar sinais claros durante uma crise. “A pessoa parece estar em perigo iminente, mesmo quando, objetivamente, não há ameaça”, destaca.
Como identificar uma crise de ansiedade
Os sintomas podem variar de intensidade, mas geralmente aparecem de forma abrupta. Entre os sinais mais frequentes estão:
- Respiração acelerada;
- Taquicardia;
- Tremores;
- Suor excessivo;
- Sensação de aperto no peito;
- Tontura;
- Dormência nas mãos ou nos lábios;
- Medo intenso de morrer ou perder o controle.
De acordo com Omena, as crises de pânico podem surgir até mesmo em momentos tranquilos, sem um gatilho evidente. Isso torna a experiência ainda mais angustiante para quem sofre com o transtorno.
Veruska lembra ainda que muitas pessoas não conseguem verbalizar o que estão sentindo naquele momento. “A crise de ansiedade chega antes pelo corpo do que pela palavra”, explica.
O que fazer para ajudar
A forma como familiares e amigos reagem pode influenciar diretamente na intensidade da crise de ansiedade. Especialistas orientam que o primeiro passo é manter a calma e transmitir segurança.
Entre as estratégias que podem ajudar estão:
- Falar em tom de voz baixo e pausado;
- Orientar a respiração lenta;
- Levar a pessoa para um ambiente mais silencioso e arejado;
- Evitar deixá-la sozinha;
- Incentivar técnicas de aterramento, como identificar objetos ao redor;
- Oferecer apoio sem julgamentos.
Uma das técnicas mais indicadas é a respiração controlada. Omena sugere inspirar pelo nariz por quatro segundos, segurar por dois e expirar lentamente pela boca por seis segundos.
Já a psicóloga recomenda exercícios que tragam a atenção para o presente. “Estar presente, mesmo em silêncio, já é uma forma poderosa de cuidado”, afirma.
O que evitar e quando buscar ajuda
Algumas falas comuns podem piorar a ansiedade no auge da crise. Frases como “isso é bobagem”, “você está exagerando” ou “calma” tendem a aumentar a sensação de culpa e desamparo.
Também é importante evitar ambientes muito barulhentos, excesso de estímulos e discussões durante o episódio. O consumo de cafeína e energéticos pode intensificar os sintomas físicos.
Conforme orientam os especialistas, o atendimento médico deve ser procurado em casos de primeiro episódio, dor intensa no peito, desmaio, falta de ar importante ou dúvidas sobre a origem dos sintomas.
O acompanhamento psicológico e psiquiátrico é indicado quando as crises passam a ser frequentes, interferem na rotina ou fazem a pessoa evitar situações do cotidiano por medo de novas crises. Os transtornos de ansiedade têm boa resposta ao tratamento, especialmente quando há combinação entre psicoterapia e acompanhamento médico.