Canetas emagrecedoras viram alvo da Anvisa com reforço da fiscalização

Agência proíbe canetas irregulares e prepara nova norma que será apresentada ainda em abril

atualizado

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Imagem mostra uma caneta emagrecedora de perto, aberta, e com a agulha encaixada - Canetas para diabetes podem ajudar a combater vícios, indica estudo - Metrópoles
1 de 1 Imagem mostra uma caneta emagrecedora de perto, aberta, e com a agulha encaixada - Canetas para diabetes podem ajudar a combater vícios, indica estudo - Metrópoles - Foto: Haberdoedas/Unsplash

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) intensificou neste mês de abril, o cerco contra medicamentos emagrecedores irregulares no Brasil, com foco em produtos manipulados e itens comercializados sem autorização sanitária.

A agência também informa que anunciará na próxima Reunião Ordinária Pública, marcada para o dia 29 de abril, uma nova instrução normativa para regulamentar a manipulação dessas substâncias.

O movimento ocorre em meio à explosão do uso das chamadas canetas emagrecedoras e ao avanço de um mercado paralelo que levanta preocupações sobre segurança e qualidade.

Em 14 de abril de 2026, a Anvisa determinou a apreensão e proibiu a comercialização, importação e uso de dois produtos divulgados na internet: Gluconex e Tirzedral.

Segundo a agência, os itens são vendidos como medicamentos injetáveis da classe dos agonistas do receptor GLP-1, mas não possuem registro, notificação ou autorização no Brasil. Sem esse aval, não há garantia de composição, eficácia ou segurança para o consumidor.

A medida faz parte de uma ofensiva mais ampla contra produtos irregulares que têm sido ofertados principalmente em redes sociais e canais informais de venda.

Mercado irregular de canetas emagrecedoras

A popularização desses medicamentos — indicados originalmente para doenças metabólicas — impulsionou o uso com finalidade estética. Com isso, aumentaram também as irregularidades, incluindo a entrada de produtos sem controle sanitário, vindos do exterior, inclusive de países vizinhos, como o Paraguai.

A Anvisa alerta que a falta de rastreabilidade e de controle de qualidade nesses casos eleva o risco de efeitos adversos, especialmente por se tratarem, em muitos casos, de medicamentos injetáveis.

Outro ponto crítico envolve a produção em farmácias de manipulação. A agência avalia que, em alguns casos, esse tipo de medicamento vem sendo produzido fora do caráter individualizado, o que foge da finalidade original desse serviço.

Por isso, a Anvisa iniciou um processo de revisão das regras, com foco em garantir critérios mais rígidos de qualidade, controle e segurança, principalmente para substâncias da classe dos agonistas do receptor GLP-1.

Nova regra em elaboração

A diretoria da Anvisa deve discutir ainda em abril uma proposta de instrução normativa voltada à manipulação desses medicamentos. A expectativa é que o texto traga exigências mais claras sobre:

  • Controle de insumos;
  • Qualificação de fornecedores;
  • Padrões de produção;
  • Armazenamento e transporte.

A Anvisa tem reforçado que o avanço descontrolado desse mercado pode expor pacientes a riscos importantes, como uso de substâncias sem comprovação de qualidade, falhas de esterilidade e ausência de acompanhamento médico. Mesmo medicamentos aprovados exigem prescrição e monitoramento, e o uso fora das indicações amplia as incertezas sobre segurança.

As medidas indicam uma mudança mais rígida na atuação regulatória, com foco em conter irregularidades sem comprometer o acesso a tratamentos seguros. O tema segue em debate e deve continuar no centro das decisões sanitárias nas próximas semanas, com impacto direto no mercado e na rotina de pacientes.

Até lá, a recomendação permanece: o uso de medicamentos para emagrecimento deve ocorrer apenas com orientação médica e com garantia de origem regular.

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