Gene pode explicar por que canetas de GLP-1 falham em alguns pacientes
Estudo aponta que variantes genéticas presentes em cerca de 10% das pessoas podem reduzir a eficácia dos medicamentos
atualizado
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Medicamentos baseados no hormônio GLP-1, usados no tratamento da diabetes tipo 2 e também na perda de peso, não funcionam da mesma forma para todos os pacientes. Um novo estudo sugere que diferenças genéticas podem explicar parte dessa variação na resposta ao tratamento.
A pesquisa indica que variantes em um gene chamado PAM podem tornar esses medicamentos menos eficazes em cerca de 10% das pessoas. Os resultados foram publicados na revista científica Genome Medicine em 29 de março.
Os tratamentos conhecidos como agonistas de GLP-1 imitam ou estimulam a ação de um hormônio que ajuda a controlar o açúcar no sangue. Ele estimula a liberação de insulina e retarda a digestão, o que contribui para reduzir os níveis de glicose após as refeições.
Apesar de serem eficazes para muitos pacientes, médicos observam que a resposta ao tratamento pode variar bastante. Algumas pessoas apresentam melhora significativa no controle da glicose, enquanto outras têm efeitos mais modestos.
“Quando trato pacientes na clínica de diabetes, observo uma enorme variação na resposta a esses medicamentos e é difícil prever essa diferença apenas com base em fatores clínicos”, afirma o endocrinologista Mahesh Umapathysivam, da Universidade de Adelaide, na Austrália, em comunicado.
Gene ligado à resposta ao tratamento
Para investigar o papel da genética nessa variação, os pesquisadores analisaram um gene responsável pela produção de uma enzima chamada PAM, envolvida na ativação de vários hormônios do organismo, incluindo o próprio GLP-1.
Cerca de uma em cada dez pessoas apresenta variantes no gene que podem interferir no funcionamento do hormônio. As alterações também são relativamente comuns entre pessoas com diabetes tipo 2.
No estudo, os cientistas compararam pessoas com uma dessas variantes genéticas a indivíduos sem a alteração. Mesmo apresentando níveis mais altos de GLP-1 no organismo, os participantes com a mutação não mostraram a mesma resposta na redução do açúcar no sangue.
Testes em modelos animais mostraram um resultado semelhante. Camundongos sem a enzima PAM também apresentaram sinais de resistência ao GLP-1 e dificuldade em regular a glicose, mesmo com níveis elevados do hormônio.
Possíveis aplicações no futuro
Os pesquisadores também analisaram dados de ensaios clínicos que reuniam mais de mil participantes. A análise mostrou que pessoas sem as variantes do gene PAM tendiam a responder melhor aos medicamentos baseados em GLP-1 do que aquelas que possuíam essas alterações genéticas.
Segundo os autores, entender essas diferenças pode ajudar no futuro a prever quais pacientes têm maior chance de se beneficiar do tratamento.
Uma possibilidade é que testes genéticos ajudem a orientar a escolha do medicamento mais adequado para cada pessoa com diabetes tipo 2. Outra linha de pesquisa envolve o desenvolvimento de novas versões desses medicamentos capazes de contornar a resistência associada ao gene PAM.
Os cientistas ressaltam, no entanto, que ainda são necessários novos estudos para entender com mais precisão como essas variantes genéticas interferem na resposta ao tratamento e de que forma esse conhecimento poderá ser aplicado na prática clínica.
