Por que as canetas emagrecedoras funcionam melhor em algumas pessoas?
Pesquisa com quase 28 mil pessoas indica que diferenças genéticas influenciam tanto a perda de peso quanto a chance de efeitos colaterais
atualizado
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Diferenças no DNA podem ajudar a explicar por que medicamentos usados no tratamento da obesidade, as famosas canetas emagrecedoras, funcionam tão bem para algumas pessoas, mas têm efeitos mais modestos em outras. Um novo estudo identificou variantes genéticas associadas tanto à perda de peso quanto ao risco de efeitos colaterais durante o uso dessas terapias.
A pesquisa foi publicada nessa quarta-feira (8/4) na revista científica Nature e analisou dados de quase 28 mil pessoas que relataram o uso de medicamentos para emagrecimento. Os participantes fazem parte da base de usuários do serviço de testes genéticos 23andMe.
Os cientistas investigaram centenas de milhares de variações no genoma dos participantes e compararam essas informações com dados sobre qual medicamento foi utilizado, por quanto tempo o tratamento foi seguido, quanto peso foi perdido e quais foram efeitos adversos relatados.
Segundo os autores, algumas dessas variantes genéticas estão associadas a uma maior perda de peso com medicamentos que atuam em hormônios ligados ao apetite. Outras parecem aumentar a probabilidade de efeitos colaterais, como náuseas.
Por que a resposta aos medicamentos varia tanto?
Os medicamentos mais recentes contra a obesidade atuam imitando hormônios naturais que regulam o apetite e o metabolismo. A semaglutida, por exemplo, reproduz a ação de um hormônio chamado GLP-1, que ajuda a reduzir a fome. Já a tirzepatida combina efeitos sobre dois hormônios envolvidos no controle da glicose e do apetite.
Apesar da eficácia desses tratamentos, a resposta entre os pacientes pode variar bastante. Em estudos clínicos com semaglutida, a perda média de peso corporal foi de cerca de 10% . No entanto, alguns participantes perderam mais de 25%, enquanto outros tiveram resultados mínimos.
Para entender melhor essa diferença, os cientistas analisaram dados genéticos dos participantes em busca de padrões associados ao desempenho dos medicamentos. A análise indicou que certas variantes do DNA estão relacionadas a respostas mais intensas ao tratamento, enquanto outras parecem influenciar a ocorrência de efeitos adversos.
Mesmo assim, os pesquisadores ressaltam que a genética é apenas um dos fatores envolvidos nesse processo. Há muitos outros elementos que também influenciam a perda de peso, como alimentação, atividade física, metabolismo e adesão ao tratamento.
Os resultados sugerem que, no futuro, o perfil genético poderá ajudar a entender melhor como cada pessoa reage a esses medicamentos. No entanto, os próprios autores destacam que o efeito das variantes identificadas ainda é relativamente pequeno e que mais estudos serão necessários para confirmar essas associações e avaliar como essas informações poderiam ser usadas na prática clínica.
