Psicólogas explicam a ansiedade no 1º encontro e como contorná-la
Especialistas explicam como reduzir a ansiedade no primeiro date e evitar que o nervosismo atrapalhe a conexão

O frio na barriga, as mãos suadas e o coração acelerado antes de encontrar alguém pela primeira vez são reações comuns e, em certa medida, esperadas. A ansiedade no primeiro date costuma aparecer quando a pessoa cria expectativas sobre como será o encontro, se haverá conexão e até se aquilo pode virar um relacionamento. O problema começa quando esse nervosismo deixa de ser apenas um desconforto passageiro e passa a atrapalhar a espontaneidade, a comunicação e a própria experiência.
Para especialistas, o primeiro passo é tirar o encontro do lugar de “prova” ou “teste decisivo”. Em vez de encarar o date como uma situação em que é preciso agradar, impressionar ou acertar tudo, a recomendação é enxergar o momento como uma oportunidade de troca e descoberta.
A psicóloga Thaís Barbisan, que atende em Ribeirão Preto, explica: “A ansiedade cresce quando a pessoa entende o encontro como um julgamento sobre o próprio valor. Quando ela percebe que também está ali para conhecer e avaliar o outro, a pressão diminui.”
Ansiedade no primeiro date é comum, mas tem limite
Segundo Thaís, a ansiedade no primeiro date está ligada à dificuldade humana de lidar com o imprevisível. Diante de alguém novo, o cérebro tenta antecipar cenários, prever desfechos e controlar possíveis frustrações. É por isso que muitas pessoas já chegam ao encontro pensando no que devem dizer, em como precisam agir ou no que pode dar errado.
A psicóloga Juliana Gebrim, que atende em Brasília, explica que sentir borboletas no estômago, expectativa e certo nervosismo faz parte da experiência. O alerta surge quando a ansiedade começa a interferir no comportamento, levando a pessoa a desmarcar em cima da hora, travar completamente durante a conversa ou idealizar o encontro como se ele fosse definir o futuro de uma relação.
As especialistas destacam que, em muitos casos, o desconforto não está no encontro em si, mas no peso que a pessoa coloca sobre ele. Quando vira chance de validar a autoestima, provar o próprio valor ou garantir que algo dê certo, a tendência é que a ansiedade aumente.
Expectativa demais pode atrapalhar a conexão
Criar expectativa antes de conhecer alguém é natural. O erro, segundo as psicólogas, está em transformar uma pessoa ainda desconhecida em uma fantasia. Quando isso acontece, o encontro deixa de ser um espaço para conhecer o outro e passa a funcionar como uma tentativa de confirmar uma história idealizada na cabeça.
Thaís explica que o excesso de expectativa muitas vezes esconde inseguranças, medo de rejeição ou carência emocional. Nessa lógica, a pessoa já chega ao encontro mais preocupada em ser escolhida do que em perceber se realmente existe compatibilidade.
Para Juliana, uma forma mais saudável de lidar com a ansiedade no primeiro date é trocar a expectativa pela curiosidade. Em vez de tentar adivinhar se aquela pessoa será “a certa” ou se o encontro vai render namoro, vale focar em perguntas mais concretas, como: Essa conversa flui? Eu me sinto à vontade? Gosto da presença dessa pessoa? Existe afinidade real?
“As pessoas costumam entrar no encontro pensando se vão agradar, se serão aceitas, se o outro vai querer continuar. Mas existe uma pergunta mais importante: eu vou gostar dessa pessoa?”, diz Juliana.
As especialistas reforçam que o primeiro encontro não precisa definir nada. Ele pode ser o início de uma relação, mas também pode ser apenas uma experiência agradável, ou a constatação de que não há compatibilidade. Reduzir a necessidade de controlar o desfecho ajuda a diminuir o sofrimento e abre espaço para uma conexão mais autêntica.
Como controlar os sintomas físicos e aproveitar melhor o encontro
Quando a ansiedade no primeiro date aparece com sintomas físicos, como tremor, suor, taquicardia ou sensação de aperto no peito, algumas estratégias simples podem ajudar. A primeira é investir em técnicas de respiração antes de sair de casa. A respiração diafragmática, feita com o abdômen, é uma das mais recomendadas para reduzir a ativação do organismo.
Também vale evitar criar roteiros mentais detalhados sobre tudo o que precisa acontecer. Quanto maior a tentativa de controlar o encontro, maior tende a ser a frustração diante do imprevisto. Em vez disso, o ideal é direcionar a atenção para o presente e para a conversa em si, saindo do foco excessivo nos próprios sintomas e na preocupação com a imagem que está sendo transmitida.
Outra orientação é apostar no conforto e na autenticidade. Escolher uma roupa que faça sentido para você, sem tentar montar um personagem para agradar o outro, ajuda a reduzir a autocobrança. O mesmo vale para a conversa, mais importante do que parecer interessante o tempo todo é conseguir estar presente e se mostrar de forma verdadeira.
Quando a ansiedade é intensa a ponto de impedir encontros, gerar sofrimento constante ou se repetir em diferentes relações, a terapia pode ser uma grande aliada. O acompanhamento psicológico ajuda a trabalhar autoestima, inseguranças, medo de rejeição, padrões emocionais e a forma como a pessoa constrói vínculos.
No fim, controlar a ansiedade no primeiro encontro não significa eliminar completamente o nervosismo, mas impedir que ele assuma o comando. Um pouco de frio na barriga pode até fazer parte. O que não precisa fazer parte é transformar um date em um campo de batalha emocional.

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