PM estagiária que atirou e matou Thawanna é oficializada como soldado

Promoção ocorre duas semanas após a morte de Thawanna. Até então estagiária, Yasmin Cursino Ferreira, agora soldado da PM, está afastada

atualizado

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Imagem colorida da PM Yasmin Cursino. Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida da PM Yasmin Cursino. Metrópoles - Foto: Reprodução/ TV Globo

Duas semanas após o disparo que matou Thawanna da Silva Salmazio, de 31 anos, na zona leste de São Paulo, a policial militar Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, que até então atuava como estagiária da corporação, foi promovida ao posto de soldado da Polícia Militar. A promoção foi oficializada nesta sexta-feira (17/4), em publicação no Diário Oficial.

Yasmin ocupava a função de Soldado PM 2ª Classe, considerada a etapa inicial da carreira na corporação. Com a mudança, ela passa a ser enquadrada como Soldado PM. Na prática, a alteração não representa uma ascensão hierárquica imediata, mas a formalização da etapa de efetivação do policial dentro do estágio previsto para novos integrantes da PM.

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8 imagens
Durante a abordagem, a agente Yasmin Cursino Ferreira desceu da viatura e participou da briga
A policial Yasmin Cursino Ferreira apontou a arma para vítima
Policial militar perguntando para colega se ela tinha atirado contra mulher em abordagem
PM parada na rua após atirar em mulher em abordagem
Thawanna da Silva Salmázio agonizou por cerca de 30 minutos antes de ser socorrida
Abordagem começou após policiais baterem retrovisor no braço de home
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Abordagem começou após policiais baterem retrovisor no braço de home

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Durante a abordagem, a agente Yasmin Cursino Ferreira desceu da viatura e participou da briga
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Durante a abordagem, a agente Yasmin Cursino Ferreira desceu da viatura e participou da briga

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A policial Yasmin Cursino Ferreira apontou a arma para vítima
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A policial Yasmin Cursino Ferreira apontou a arma para vítima

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Policial militar perguntando para colega se ela tinha atirado contra mulher em abordagem
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Policial militar perguntando para colega se ela tinha atirado contra mulher em abordagem

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PM parada na rua após atirar em mulher em abordagem
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PM parada na rua após atirar em mulher em abordagem

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Thawanna da Silva Salmázio agonizou por cerca de 30 minutos antes de ser socorrida
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Thawanna da Silva Salmázio agonizou por cerca de 30 minutos antes de ser socorrida

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A policial militar Yasmin Cursino Ferreira foi afastada
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A policial militar Yasmin Cursino Ferreira foi afastada

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A policial Yasmin Cursino Ferreira teve a arma recolhida
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A policial Yasmin Cursino Ferreira teve a arma recolhida

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Em nota, a Polícia Militar “esclarece que não houve qualquer promoção da policial citada, que permanece afastada de suas funções. A recente publicação reflete apenas o cumprimento da Lei nº 18.442, de 2 de abril de 2026. A nova legislação extinguiu a antiga divisão entre Soldados de 1ª e 2ª Classe, unificando a graduação sob a nomenclatura única de ‘Soldado PM’”.

“Dessa forma, o ajuste salarial de R$ 480 trata-se unicamente da equiparação remuneratória automática garantida pela lei a todos os policiais que ocupavam a extinta 2ª Classe. A corporação ressalta, ainda, que não existe a figura de ‘estagiário’ na instituição; após a fase de Aluno-Soldado, o policial passa diretamente a atuar como Soldado”, finaliza a PM.

Soldado afastada

A policial foi afastada das funções após a morte de Thawanna, ocorrida em 3 de abril, em Cidade Tiradentes, na zona leste da capital paulista. Yasmin havia sido aprovada no concurso da Polícia Militar em novembro de 2024 e tomou posse em janeiro de 2025.

De acordo com a PM, o curso de formação tem duração de dois anos e é dividido em etapas que incluem formação básica, formação específica em unidades operacionais e estágio supervisionado, fase em que o aluno já atua em atividades práticas em diferentes regiões do estado.

Yasmin se encontrava justamente nesse estágio supervisionado quando matou Thawanna. Segundo a corporação, ela não utilizava câmera corporal durante a ação em que efetuou o disparo contra Thawanna.

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Thawanna da Silva Salmázio, 31 anos
Thawanna da Silva Salmázio, 31 anos
Thawanna da Silva Salmázio, 31 anos
Objetos em chamas em avenida da zona leste de São Paulo
Caso Thawanna: IML confirma causa da morte de mulher baleada por policial
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Caso Thawanna: IML confirma causa da morte de mulher baleada por policial

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Thawanna da Silva Salmázio, 31 anos
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Thawanna da Silva Salmázio, 31 anos

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Thawanna da Silva Salmázio, 31 anos
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Thawanna da Silva Salmázio, 31 anos

Reprudção / Facebook @thawanna.salmazioo
Thawanna da Silva Salmázio, 31 anos
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Thawanna da Silva Salmázio, 31 anos

Reprudção / Facebook @thawanna.salmazio
Objetos em chamas em avenida da zona leste de São Paulo
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Objetos em chamas em avenida da zona leste de São Paulo

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Imagens de câmeras corporais

Nas imagens da câmera corporal do PM que estava com Yasmin, publicadas pela TV Globo, é possível ver o momento em que uma dupla de policiais em uma viatura passam pela Rua Edimundo Audran e batem o retrovisor da viatura — no lado do motorista — no braço do marido de Thawanna, Luciano dos Santos.

O PM que está na direção do veículo dá ré e começa a discutir com o rapaz. Enquanto isso, a policial militar Yasmin Cursino Ferreira desembarca do carro e também começa a discutir com a mulher. Por volta das 3h, a agente atira em Thawanna.

Depois de alguns minutos, outros policiais chegam na cena do crime, mas o resgate não aparece. Os agentes envolvidos na ocorrência cobram a presença do socorro pelo menos duas vezes. Ferida, Thawanna ficou no chão a espera de atendimento por cerca de 30 minutos, mesmo com o Hospital Municipal Cidade Tiradentes estando a menos de quatro quilômetros do local.

Início da briga

Uma câmera de segurança registrou o diálogo entre Thawanna Salmázio e policiais militares antes de a mulher ser morta com um tiro da soldado Yasmin Cursino.

No início do vídeo, é possível ver o casal de mãos dadas, na Rua Edimundo Audran, às 2h58. Eles caminham até um ponto fora do alcance das câmeras. Logo em seguida, uma viatura da Polícia Militar passa. Mesmo fora da imagem, parte de uma discussão é registrada em áudio (assista acima).

Em um dos trechos audíveis, Thawanna diz: “com todo respeito, mas você [PM] que bateu em nós, que eu vi”. Uma voz feminina, que seria da policial, responde. A partir daí, a discussão escala para gritos. “Vai agredir? Vai agredir?”, diz Luciano. Segundos depois, ouve-se um disparo.

A policial foi afastada da corporação, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP). Yasmin Cursino Ferreira, soldado de 2ª classe de 21 anos, é alvo de um inquérito policial militar e um de um inquérito conduzido pela Polícia Civil.

“As circunstâncias são apuradas com prioridade absoluta pelas polícias Civil e Militar, com acompanhamento das corregedorias. As imagens das câmeras corporais e os laudos periciais já integram a investigação”, disse a SSP em nota.

Mulher caída

Uma testemunha registrou a sequência do momento em que Thawanna foi baleada pela policial militar. Nas imagens, é possível ver a mulher caída no meio da rua, com um sangramento na região do peitoral.

Os policiais checam a situação e um deles presta os primeiros socorros. Um dos moradores afirma que viu a ação dos PMs e chama a agente que fez o disparo de “despreparada” (assista acima).


Protesto após morte de Thawanna

  • Moradores fizeram um protesto, no último dia 3/4, na Rua Alexandre Davidenko após a morte de Thawanna.
  • Eles montaram uma barricada e atearam fogo em objetos.
  • O Corpo de Bombeiros foi acionado e equipes do Choque foram encaminhadas para o local.
  • Houve confronto entre os policiais e os manifestantes e uso de bombas de gás lacrimogêneo.
  • Também ocorreu uma tentativa de atear fogo em um ônibus.
  • Ninguém foi preso ou ficou ferido.
  • Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que as imagens das câmeras corporais usadas pelos agentes serão analisadas.
  • Os policiais foram colocados em funções administrativas até o fim da investigação.
  • O caso foi registrado no 49º Distrito Policial (São Mateus) como resistência.

 

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