Presa pela PF com o marido Chrys, Débora Paixão vai para domiciliar
Lei estabelece prisão domiciliar para mulheres com filhos de até 12 anos incompletos. Seis alvos da operação Narco Fluxo seguem foragidos
atualizado
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A influenciadora Débora Paixão, presa na quarta-feira (15/4) pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Narco Fluxo, por suspeita de financiar um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, vai para a prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica. Ela foi detida junto com o marido, o também influenciador Chrys Dias.
Débora e Chrys são pais de Lucca, de 2 anos. O artigo 318 do Código de Processo Penal prevê prisão domicilar para mulheres com filho de até 12 anos de idade incompletos, desde que o crime não tenha sido cometido com violência, grave ameaça ou contra o próprio filho.
Papel de Débora no esquema
Débora Vitória Paixão Ramos é acusada pela PF de ser uma financiadora relevante do esquema de lavagem de dinheiro que pode ter movimentado mais de R$ 260 bilhões. A estrutura criminosa utilizava as indústrias fonográficas e de entretenimento, bem como rifas e apostas ilegais, para branquear valores de origem ilícita.
A investigação identificou a influenciadora como uma das controladoras da empresa Casal Imports, juntamente com o marido. Ela era responsável por transferir valores provenientes de rifas digitais diretamente para empresas ligadas a Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, apontado como o líder da organização.
A 5ª Vara Federal de Santos, no litoral de São Paulo, determinou a prisão temporária de Débora, além do sequestro e bloqueio de bens e valores dela e da empresa que gerencia. A mulher também é alvo de quebra de sigilo telemático.
As mesmas determinações foram impostas a outros 39 alvos, dos quais 33 foram detidos temporariamente – seis permanecem foragidos. Marlon Brendon Coelho Couto Silva, o MC Poze, Raphel Sousa Oliveira, dono da página Choquei, e Ryan estão entre os presos.
33 permanecem presos
Ao Metrópoles, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) informou que todas as audiências de custódia do caso haviam sido realizadas até a tarde de quinta-feira (16/4). Todas as prisões temporárias foram mantidas.
As detenções têm prazo de 30 dias. Após esse período, a manutenção ou soltura da prisão deve ser analisada, individualmente, pelo Juízo da 5ª Vara Federal de Santos.
Conforme o tribunal, demais pedidos ainda pendentes de apreciação da Justiça serão analisados posteriormente, após a oitiva da PF e do Ministério Público Federal (MPF), seguindo o trâmite legal.
Operação Narco Fluxo
- Segundo a PF, mais de 200 policiais federais participam da operação e cumprem 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos pelo Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos.
- De acordo com a PF, a ação acontece nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
- A PF acredita que o volume financeiro pelo grupo criminoso ultrapassa R$ 260 bilhões. Além de armas, carrões e dinheiro em espécie, a corporação apreendeu documentos e equipamentos eletrônicos que ajudarão na investigação.
- Entre os presos na operação desta quarta estão os funkeiros MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa, dono da página Choquei.
- A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de Ryan.
- O bloqueio foi imposto a 77 alvos da PF, entre empresas e pessoas físicas.
- De acordo com a decisão judicial, o valor estimado para o bloqueio foi calculado com base no lucro estimado com os crimes que teriam sido praticados: “tráfico internacional de mais de três toneladas de cocaína, somado ao fluxo financeiro identificado nos relatórios de inteligência financeira encaminhados pelo Coaf“.
- Também foram determinadas medidas de constrição patrimonial, incluindo o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias, com o objetivo de interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para eventual ressarcimento.
- As investigações continuam e os alvos podem responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Envolvidos se manifestam
A defesa de Chrys Dias e Débora Paixão informou que, como o processo corre sob segredo de Justiça, as manifestações ocorrerão apenas nos autos. “Repudiamos os vazamentos de imagens que violaram a privacidade da família e a presunção de inocência, reiterando nossa confiança na Justiça”, diz a nota.
Em nota, a defesa de MC Ryan informou que não teve acesso ao procedimento e afirmou confiar que os esclarecimentos que serão prestados demonstrarão a verdade dos fatos.
“Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável”.
Já os advogados de MC Poze afirmaram desconhecer os autos ou teor do mandado de prisão. “Com acesso aos mesmos, [a defesa] se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário”, informou o texto.
A defesa de Raphael Sousa, dono da Choquei, disse, em nota, que “seu vínculo com os fatos investigados decorre, exclusivamente, da prestação de serviços publicitários por meio de sua empresa, responsável pela comercialização de espaço de divulgação digital. Os valores por ele recebidos referem-se a serviços efetivamente prestados de publicidade e marketing, atividade lícita e regularmente exercida há anos”.
Segundo o advogado Pedro Paulo de Medeiros, “Raphael não integra organização criminosa, não participou de qualquer esquema ilícito e jamais exerceu função diversa da veiculação publicitária contratada”.





































