PF prendeu casal Chrys Dias e Débora Paixão em condomínio de luxo
Chrys Dias e a esposa Débora Paixão são apontados como financiadores do esquema ligado ao cantor MC Ryan SP
atualizado
Compartilhar notícia

O casal de influenciadores Chrys Dias e Débora Paixão foi preso, nesta quarta-feira (15/4), pela Polícia Federal (PF) em uma propriedade de luxo no interior de São Paulo. As prisões fazem parte da megaoperação Narco Fluxo, que mira esquema estruturado de lavagem de dinheiro liderado por Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP.
A decisão para a prisão temporária e a busca e apreensão ao casal de influenciadores é do juiz Roberto Lemos dos Santos Filhos, da 5ª Vara Federal de Santos.
Documentos da PF apontam que Chrys Dias e Débora Paixão usavam a empresa Casal Imports para ajudar no esquema como “financiadores relevantes do sistema criminoso ao transferirem recursos de rifas digitais” às empresas ligadas ao funkeiro.
Nas redes sociais, Chrys Dias se apresenta como o empresário do funkeiro MC Ryan, além de outros artistas e influenciadores digitais.
Além das prisões, endereços ligados a Chrys Dias e Débora Paixão foram alvo de busca e apreensão.
Polêmicas
No ano passado, Chrys Dias foi envolvido em uma polêmica ao precisar devolver uma Ferrari SUV Purosangue após pedido da própria marca.
Nascido na favela de Capão Redondo (SP), Chrys Dias ganhou popularidade na internet por conta da amizade com MC Ryan SP. Pelo Instagram, o influencer conta com quase 15 milhões de seguidores e costuma publicar o seu dia-a-dia ao lado da esposa, Débora Paixão. O casal tem três filhos. Dias também costuma fazer sorteios online e rifas.
Outro lado
Em nota, a defesa de MC Ryan informou que não teve acesso ao procedimento, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos.
“Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável”. A defesa ainda alegou confiar que os esclarecimentos que serão prestados demonstrarão a verdade dos fatos.
Já os advogados de MC Poze divulgaram a seguinte nota: “A defesa de Marlon Brandon [nome de batismo de Poze] desconhece os autos ou teor do mandado de prisão. Com acesso aos mesmos, se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário”, informou o texto.
A defesa de Raphael Sousa, dono da Choquei, não foi localizada.
Operação Narco Fluxo
- Segundo a PF, mais de 200 policiais federais participam da operação e cumprem 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos pelo Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos.
- De acordo com a PF, a ação acontece nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
- A PF acredita que o volume financeiro pelo grupo criminoso ultrapassa R$ 260 bilhões. Além de armas, carrões e dinheiro em espécie, a corporação apreendeu documentos e equipamentos eletrônicos que ajudarão na investigação.
- Entre os presos na operação desta quarta estão os funkeiros MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa, dono da página Choquei.
- A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de Ryan.
- O bloqueio foi imposto a 77 alvos da PF, entre empresas e pessoas físicas.
- De acordo com a decisão judicial, o valor estimado para o bloqueio foi calculado com base no lucro estimado com os crimes que teriam sido praticados: “tráfico internacional de mais de três toneladas de cocaína, somado ao fluxo financeiro identificado nos relatórios de inteligência financeira encaminhados pelo Coaf“.
- Também foram determinadas medidas de constrição patrimonial, incluindo o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias, com o objetivo de interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para eventual ressarcimento.
- As investigações continuam e os alvos podem responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
