Esquema liderado por MC Ryan movimentou mais de R$ 260 bilhões, diz PF
Coaf identificou movimentação suspeita de R$ 1,63 bilhão, mas PF estima que grupo criminoso tenha girado mais de R$ 260 bilhões
atualizado
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O esquema de lavagem de dinheiro liderado por Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, movimentou mais de R$ 260 bilhões, aponta a decisão do juiz Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos, que autorizou a Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (15/4).
A operação cumpre 45 mandados de busca e apreensão e 39 mandados de prisão temporária. Marlon Brendon Coelho Couto Silva, o MC Poze, Raphel Sousa Oliveira, dono da página Choquei, e Ryan foram presos temporariamente.
A PF identificou uma estrutura de lavagem de dinheiro que utilizava a indústria fonográfica e o entretenimento digital para movimentar quantias vultuosas de dinheiro.
Segundo o apurado, eles branqueavam os valores obtidos por meio de comercialização de ingressos e produtos e ativos digitais, que não tinham lastro econômico comprovado.
Os integrantes da estrutura criminosa também utilizavam criptoativos, transportavam valores em espécie e realizavam múltiplas transações entre contas para dificultar o rastreamento financeiro. Eles também empregavam operadores logísticos, familiares e “laranjas” com a finalidade de ocultar os reais beneficiários das operações.
Movimentação bilionária
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam um fluxo financeiro de R$ 1,63 bilhão em movimentações indevidas. A Justiça utilizou este montante como o limite para o sequestro de bens e bloqueio de valores dos investigados.
No entanto, além do que foi mapeado nos relatórios, o grupo criminoso como um todo teria movimentado mais de R$ 260 bilhões, atuando como uma “instituição financeira clandestina”, segundo a investigação.
“Tenho que a medida propugnada representa meio eficaz e necessário para a colheita de material que pode proporcionar mais aprimorada avaliação dos graves fatos delituosos praticados pela organização criminosa investigada, no que toca à materialidade e autoria. Segundo elementos até o momento coligidos, o grupo criminoso em questão movimentou mais de duzentos e sessenta bilhões de reais”, afirma o juiz na decisão que determinou as prisões dos suspeitos.
A capilaridade do esquema dificultou as investigações e se estendeu para além do território nacional, com ramificações para fora do país.
Operação Narco Fluxo
- Segundo a PF, mais de 200 policiais federais participam da operação e cumprem 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedido pela 5ª Vara Federal em Santos.
- De acordo com a PF, a ação acontece nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
- A PF acredita que o volume financeiro pelo grupo criminoso ultrapassa R$ 260 bilhões. Além de armas, carrões e dinheiro em espécie, a corporação apreendeu documentos e equipamentos eletrônicos que ajudarão na investigação. O MC Poze do Rodo também foi preso.
- Também foram determinadas medidas de constrição patrimonial, incluindo o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias, com o objetivo de interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para eventual ressarcimento.
- As investigações continuam e os alvos podem responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Envolvidos se manifestam
Em nota, a defesa de MC Ryan informou que não teve acesso ao procedimento, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos.
“Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável”. A defesa ainda alegou confiar que os esclarecimentos que serão prestados demonstrarão a verdade dos fatos.
Já os advogados de MC Poze divulgaram a seguinte nota: “A defesa de Marlon Brandon [nome de batismo de Poze] desconhece os autos ou teor do mandado de prisão. Com acesso aos mesmos, se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário”, informou o texto.
A defesa de Raphael Sousa, dono da Choquei, não foi localizada.

















