Alvo da PF, irmão de MC Ryan divulgava bets em esquema bilionário
Mateus Eduardo Magrini Santana, irmão caçula de MC Ryan, divulgou bets horas antes de operação. Ele é alvo de mandado de prisão
atualizado
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Mateus Eduardo Magrini Santana, irmão caçula de Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, é alvo de um mandado de prisão temporária expedido no âmbito da Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quarta-feira (15/4). Ryan já foi preso.
Mateus é filho de Eduardo Magrini, conhecido como Diabo Loiro, preso em outubro do ano passado por suspeita de lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Eduardo é ex-padrasto de MC Ryan, a quem criou como filho.
Também foram presos Marlon Brendon Coelho Couto Silva, o MC Poze do Rodo, e Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei.
A investigação apura uma estrutura de lavagem de dinheiro que utilizava a indústria fonográfica e o entretenimento digital. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam que eles movimentaram R$ 1,63 bilhão em menos de 24 meses.
Os investigadores estimam, no entanto, que a quadrilha tenha movimentado mais de R$ 260 bilhões, como indica a decisão do juiz Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos, que autorizou a operação.
Divulgação de bets
Segundo a PF, Mateus ocupava função estratégica na promoção e movimentação de recursos da organização criminosa. Ele atuava na divulgação de plataformas de jogos de azar, as bets, exploradas pelo grupo.
Na noite dessa terça-feira (14/4), poucas horas antes da operação ser deflagrada, Mateus divulgou jogos do tipo por meio de stories no Instagram. Veja abaixo:
Ele também era um dos receptores das quantias volumosas de dinheiro geradas pelo esquema.
Devido aos indícios de envolvimento na estrutura criminosa, a Justiça determinou a prisão temporária de Mateus, bem como o bloqueio de bens e ativos financeiros, além da quebra de sigilo telemático.
Operação Narco Fluxo
- Segundo a PF, mais de 200 policiais federais participam da operação e cumprem 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos pelo Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos.
- De acordo com a PF, a ação acontece nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
- A PF acredita que o volume financeiro pelo grupo criminoso ultrapassa R$ 260 bilhões. Além de armas, carrões e dinheiro em espécie, a corporação apreendeu documentos e equipamentos eletrônicos que ajudarão na investigação.
- Entre os presos na operação desta quarta estão os funkeiros MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa, dono da página Choquei.
- A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de Ryan.
- O bloqueio foi imposto a 77 alvos da PF, entre empresas e pessoas físicas.
- De acordo com a decisão judicial, o valor estimado para o bloqueio foi calculado com base no lucro estimado com os crimes que teriam sido praticados: “tráfico internacional de mais de três toneladas de cocaína, somado ao fluxo financeiro identificado nos relatórios de inteligência financeira encaminhados pelo Coaf“.
- Também foram determinadas medidas de constrição patrimonial, incluindo o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias, com o objetivo de interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para eventual ressarcimento.
- As investigações continuam e os alvos podem responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Envolvidos se manifestam
Em nota, a defesa de MC Ryan informou que não teve acesso ao procedimento, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos.
“Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável”. A defesa ainda alegou confiar que os esclarecimentos que serão prestados demonstrarão a verdade dos fatos.
Já os advogados de MC Poze divulgaram a seguinte nota: “A defesa de Marlon Brandon [nome de batismo de Poze] desconhece os autos ou teor do mandado de prisão. Com acesso aos mesmos, se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário”, informou o texto.
A defesa de Raphael Sousa, dono da Choquei, não foi localizada. O espaço está aberto.























