“Mestre dos Lagos”: quem é o “profissional da ostentação” ligado a Ryan
Ricardo Caporossi Junior, o “Mestre dos Lagos”, é considerado suspeito pela PF por envolvimento no esquema de lavagem de dinheiro de MC Ryan
atualizado
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Conhecido como “Mestre dos Lagos”, Ricardo Caporossi Junior, fundador da Genesis Ecossistemas, passou a ser considerado suspeito pela Polícia Federal (PF) após construir um lago artificial no sítio de Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP.
O artista foi preso na última quarta-feira (15/4), no âmbito da Operação Narco Fluxo, acusado de chefiar e ser o principal beneficiário de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro. Os valores teriam origem em apostas e rifas ilegais e até mesmo no tráfico internacional de drogas.
Ricardo recebeu R$ 960 mil diretamente da produtora de Ryan em um intervalo de seis meses, entre março de setembro de 2024, pela construção do largo artificial – avaliado em R$ 5 milhões.
Para a PF, a obra seria um dos recursos utilizados por Ryan para converter montantes de origem ilícita em “ativos físicos” de alto valor – como joias, relógios, carros e outros bens de luxo.
Segundo os investigadores, a transação seria uma estratégia de “dissimulação de patrimônio”, já que os valores foram pagos por uma “via paralela corporativa”. Isto é, o esquema utilizou o faturamento da empresa de shows de Ryan para ocultar o patrimônio pessoal do artista
Esse faturamento dos shows seria inflacionado ou falso – dinheiro já “esquentado” ou misturado com o de origem ilícita. Em seguida, por meio da produtora, os valores seriam utilizados para pagar obras imobiliárias suntuosas, transformando liquidez financeira suspeita em melhorias físicas permanentes na residência de Ryan.
O gasto seria a etapa final do ciclo de lavagem de dinheiro. Nesta fase, o dinheiro já passou por diversas contas de “laranjas” e empresas de fachada, dissimulando o rastro de origem ilícita, para finalmente ser integrado à economia formal, sob aparência de uma transação comercial comum.
“Profissional da ostentação”
Conhecido nas redes e entre famosos como “Mestre dos Lagos”, Ricardo é apontado pelos investigadores como “profissional da ostentação”, além de ser acusado de atuar como um elo fundamental do esquema de Ryan. Ele seria o responsável por integrar o “dinheiro sujo” (de origem ilícita) ao patrimônio luxuoso do artista.
Fundador da Genesis Ecossistemas, que se tornou a maior referência no Brasil na construção de lagos ornamentais e piscinas naturais de alto luxo, Ricardo é médico veterinário de formação. Em 2023, ele idealizou o Cross Roper, evento de laço em bezerro atualmente sediado em Jaguariúna, no interior de São Paulo.
Para a PF, Ricardo é suspeito de viabilizar a conversão de recursos de origem suspeita em bens de alto padrão, o que confere uma aparência de legitimidade ao usufruto do dinheiro de origem ilícita.
O Metrópoles pediu uma manifestação à empresa fundada por Ricardo Caporossi, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
Lago tem inspiração em obra de Neymar
Quando o lago artificial ficou pronto, Ryan comemorou nas redes sociais. Em 7 de junho de 2024, exatamente no meio do período em que a PF identificou transferências relacionadas à obra, o artista publicou um vídeo, afirmando que se tratava de um presente para sua filha Zoe, com então cinco meses.
“Quando a gente se torna pai, nada é mais nosso. Tudo é pros nossos filhos. E hoje eu decidi fazer uma homenagem pra minha pequena. Sejam bem-vindos ao lago da Zoe”, afirmou.
Ele também aproveitou a oportunidade para agradecer aos responsáveis pela construção. “Primeiramente, agradecer ao Ricardo, à Genesis por ter trazido esse caribe pra minha casa”, disse Ryan.
Em seguida, o MC revelou que o lago foi inspirado no projeto realizado na mansão de Neymar em Mangaratiba, no Rio de Janeiro. O jogador chegou a ser multado em R$ 16 milhões por não ter as licenças ambientais necessárias para a construção do lago. As sanções foram mais tarde anuladas.
Veja o vídeo na íntegra:
Publicado em parceria com a Genesis Ecossistemas, o vídeo alcançou 1 milhão de curtidas, mas teve os comentários bloqueados.
Operação Narco Fluxo
- Segundo a PF, mais de 200 policiais federais participaram da operação e buscaram cumprir 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos pelo Juízo da 5ª Vara Federal de Santos. Seis pessoas seguem foragidas.
- De acordo com a PF, a ação ocorreu nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
- A PF acredita que o volume financeiro movimentado pelo grupo criminoso ultrapasse R$ 260 bilhões, de acordo com decisão do juiz federal Roberto Lemos dos Santos Filho. Além de armas, carrões e dinheiro em espécie, a corporação apreendeu documentos e equipamentos eletrônicos que ajudarão na investigação.
- Entre os presos na operação estavam os funkeiros MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa, dono da página Choquei.
- A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de Ryan.
- O bloqueio foi imposto a 77 alvos da PF, entre empresas e pessoas físicas.
- De acordo com a decisão judicial, o valor estimado para o bloqueio foi calculado com base no lucro estimado com os crimes que teriam sido praticados: “Tráfico internacional de mais de três toneladas de cocaína, somado ao fluxo financeiro identificado nos relatórios de inteligência financeira encaminhados pelo Coaf”.
- Também foram determinadas medidas de constrição patrimonial, incluindo o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias, com o objetivo de interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para eventual ressarcimento.
- As investigações continuam e os alvos podem responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Envolvidos se manifestam
Em nota, a defesa de MC Ryan informou que não teve acesso ao procedimento e afirmou confiar que os esclarecimentos que serão prestados demonstrarão a verdade dos fatos.
“Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável”.
Já os advogados de MC Poze afirmaram desconhecer os autos ou teor do mandado de prisão. “Com acesso aos mesmos, [a defesa] se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário”, informou o texto.
A defesa de Raphael Sousa, dono da Choquei, disse, em nota, que “seu vínculo com os fatos investigados decorre, exclusivamente, da prestação de serviços publicitários por meio de sua empresa, responsável pela comercialização de espaço de divulgação digital. Os valores por ele recebidos referem-se a serviços efetivamente prestados de publicidade e marketing, atividade lícita e regularmente exercida há anos”.
Segundo o advogado Pedro Paulo de Medeiros, “Raphael não integra organização criminosa, não participou de qualquer esquema ilícito e jamais exerceu função diversa da veiculação publicitária contratada”.
Já a defesa de Chrys Dias e Débora Paixão informou que, como o processo corre sob segredo de Justiça, as manifestações ocorrerão apenas nos autos. “Repudiamos os vazamentos de imagens que violaram a privacidade da família e a presunção de inocência, reiterando nossa confiança na Justiça”, diz a nota.
























