Empresa de Marçal enviou R$ 4 milhões a MC Ryan, preso por elo com PCC
Segundo a PF, valor recebido pelo funkeiro é o maior que aparece nos relatórios do Coaf. Investigação aponta possível compra de helicóptero
atualizado
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Na representação que deu origem à operação Narco Fluxo, a Polícia Federal (PF) apontou que o influenciador Pablo Marçal transferiu R$ 4,4 milhões a Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, identificado como líder de uma organização criminosa voltada à lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio da produção musical.
Segundo a PF, esse foi o maior valor recebido pelo funkeiro no período analisado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), entre maio de 2024 e outubro de 2025.
A empresa responsável pela transferência é a R66 Air Ltda, que tem como atividade registrada na Junta Comercial de São Paulo a “compra e venda de imóveis próprios, gestão e administração da propriedade imobiliária e holdings de instituições não financeiras”. Além de Marçal, a R66 tem como sócia uma outra empresa também ligada ao influenciador, a Marçal Participações.
Na representação, os delegados que assinam o documento apontaram que MC Ryan SP “atuou como apoiador público da candidatura de Marçal” na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024. O influenciador também participou de entrevistas no programa Marçal Talks.
De acordo com a PF, a quantia transferida pela empresa é “compatível com o valor de mercado de um helicóptero modelo Robinson R66 Turbine, o que sugere a ocorrência de uma negociação envolvendo a referida aeronave”.
Em nota enviada ao Metrópoles, o advogado Tassio Renam, que representa Marçal, afirmou que o valor está relacionado à compra de um imóvel.
“Sobre a referida operação financeira, trata-se de uma transação imobiliária onde uma das empresas de Marçal comprou um imóvel do Ryan, e parte do pagamento foi realizado através da transferência bancaria citada, todo o processo de compra passou por diligencias e compliance necessário para realização do negocio, que foi devidamente documentado e registrado em cartório e nos órgãos responsáveis, caso haja necessidade apresentaremos toda a documentação comprobatória as autoridades em tempo oportuno, se solicitado”, afirmou a defesa.
Ryan negou apoio
Em agosto de 2024, durante a campanha eleitoral, Mc Ryan negou apoiar a candidatura de Pablo Marçal. O funkeiro se manifestou após circular nas redes sociais um vídeo em que aparecia abraçando o influenciador. Ele afirmou que a gravação era antiga e que havia mudado de posicionamento. Na época, a repercussão do caso fez com que uma série de profissionais do meio se pronunciassem contra a suposta apropriação do funk paulistano por figuras de direita.
“Está rolando um vídeo antigo onde apareço abraçado ao lado de uma pessoa que está se candidatando a um cargo político. Muitos dos meus fãs estão achando que estou apoiando bandeira de ciclano ou beltrano”, disse.
“Eu não estou apoiando ninguém. Inclusive, é uma falta de respeito essas páginas editarem em um vídeo dando a entender que estou compactuando com isso ou aquilo. Nada contra quem compactua, mas eu prefiro ser neutro”, acrescentou.
Líder do esquema
Mc Ryan SP foi preso na manhã da última quarta-feira (15/4), durante a operação Narco Fluxo. Além dele, outros influenciadores foram detidos, como o funkeiro Poze do Rodo e Raphael Sousa, dono da página de fofocas Choquei.
De acordo com a investigação, MC Ryan era o principal beneficiário da organização criminosa e desempenhava diferentes papéis no esquema. Ele utilizava empresas dele ligadas à produção musical e a própria fama nas redes sociais para mesclar receitas legítimas com dinheiro ilícito de apostas ilegais e rifas digitais. As autoridades citam um vínculo estrutural do esquema com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O artista também teria transferido participações societárias para “laranjas”, inclusive familiares, para ocultar seu patrimônio. Após a lavagem, o dinheiro era reinserido na economia formal a partir da aquisição de imóveis de alto padrão, veículos de luxo, joias e outros ativos de alto valor.
A PF ainda aponta que Ryan pagava operadores de mídia para publicar conteúdos favoráveis a ele e promover suas plataformas de apostas. A ação ainda teria o objetivo de mitigar eventuais crises de imagem relacionadas às investigações.














