Na mira da PF, lago em sítio de MC Ryan é avaliado em R$ 5 milhões. Vídeo
Lago construído em mansão de MC Ryan SP, inspirado em obra de Neymar, é citado em inquérito da PF que apura esquema de lavagem de dinheiro
atualizado
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A Polícia Federal (PF) vê como suspeita a transação envolvendo a construção de um lago artificial no sítio de Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, em Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo. A obra é avaliada em R$ 5 milhões.
O lago é citado no inquérito que apura um esquema bilionário de lavagem de dinheiro supostamente chefiado pelo artista. Ele foi preso na última quarta-feira (15/4), no âmbito da Operação Narco Fluxo.
Segundo a investigação, a estrutura criminosa integra valores advindos de apostas ilegais e até mesmo do tráfico internacional de drogas com o faturamento de shows e outros ganhos relacionados à carreira do artista.
A obra seria um dos recursos utilizados por Ryan para converter montantes de origem ilícita em “ativos físicos” de alto valor – como joias, relógios, carros e outros bens de luxo.
A construção foi feita pela Genesis Ecossistemas, considerada a maior referência em lagos ornamentais e piscinas naturais de alto luxo no Brasil, como aponta a PF. A investigação identificou transferências da produtora de Ryan a Ricardo Caporossi Junior, fundador da empresa, entre 11 de março e 5 de setembro de 2024, que totalizam R$ 960 mil.
Para os investigadores, a transação é uma estratégia de “dissimulação de patrimônio”, já que os valores foram pagos por uma “via paralela corporativa”. Isto é, o esquema utilizou o faturamento da empresa de shows de Ryan para ocultar o patrimônio pessoal do artista
Esse faturamento dos shows seria inflacionado ou falso – dinheiro já “esquentado” ou misturado com o de origem ilícita. Em seguida, através da produtora, os valores seriam utilizados para pagar por obras imobiliárias suntuosas, transformando liquidez financeira suspeita em melhorias físicas permanentes na residência de Ryan.
O gasto seria a etapa final do ciclo de lavagem de dinheiro. Nesta fase, o dinheiro já passou por diversas contas de “laranjas” e empresas de fachada, dissimulando o rastro de origem ilícita, para finalmente ser integrado à economia formal, sob aparência de uma transação comercial comum.
Lago tem inspiração em obra de Neymar
Quando o lago artificial ficou pronto, Ryan comemorou nas redes sociais. Em 7 de junho de 2024, exatamente no meio do período em que a PF identificou transferências relacionadas à obra, o artista publicou um vídeo, afirmando que se tratava de um presente para sua filha Zoe, com então cinco meses.
“Quando a gente se torna pai, nada é mais nosso. Tudo é pros nossos filhos. E hoje eu decidi fazer uma homenagem pra minha pequena. Sejam bem-vindos ao lago da Zoe”, afirmou.
Ele também aproveitou a oportunidade para agradecer os responsáveis pela construção. “Primeiramente, agradecer ao Ricardo, à Genesis por ter trazido esse caribe pra minha casa”, disse Ryan.
Em seguida, o MC revelou que o lago foi inspirado no projeto realizado na mansão de Neymar em Mangaratiba, no Rio de Janeiro. O jogador chegou a ser multado em R$ 16 milhões por não ter as licenças ambientais necessárias para a construção do lago. As sanções foram mais tarde anuladas.
Veja o vídeo na íntegra:
Publicado em parceria com a Genesis Ecossistemas, o vídeo alcançou 1 milhão de curtidas, mas teve os comentários bloqueados.
O Metrópoles pediu uma manifestação à empresa fundada por Ricardo Caporossi, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
Operação Narco Fluxo
- Segundo a PF, mais de 200 policiais federais participam da operação e buscaram cumprir 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos por Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos. Seis pessoas seguem foragidas.
- De acordo com a PF, a ação aconteceu nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
- A PF acredita que o volume financeiro movimentado pelo grupo criminoso ultrapassa R$ 260 bilhões. Além de armas, carrões e dinheiro em espécie, a corporação apreendeu documentos e equipamentos eletrônicos que ajudarão na investigação.
- Entre os presos na operação dessa quarta estão os funkeiros MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa, dono da página Choquei.
- A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de Ryan.
- O bloqueio foi imposto a 77 alvos da PF, entre empresas e pessoas físicas.
- De acordo com a decisão judicial, o valor estimado para o bloqueio foi calculado com base no lucro estimado com os crimes que teriam sido praticados: “Tráfico internacional de mais de três toneladas de cocaína, somado ao fluxo financeiro identificado nos relatórios de inteligência financeira encaminhados pelo Coaf”.
- Também foram determinadas medidas de constrição patrimonial, incluindo o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias, com o objetivo de interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para eventual ressarcimento.
- As investigações continuam e os alvos podem responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Envolvidos se manifestam
Em nota, a defesa de MC Ryan informou que não teve acesso ao procedimento e afirmou confiar que os esclarecimentos que serão prestados demonstrarão a verdade dos fatos.
“Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável”.
Já os advogados de MC Poze afirmaram desconhecer os autos ou teor do mandado de prisão. “Com acesso aos mesmos, [a defesa] se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário”, informou o texto.
A defesa de Raphael Sousa, dono da Choquei, disse, em nota, que “seu vínculo com os fatos investigados decorre, exclusivamente, da prestação de serviços publicitários por meio de sua empresa, responsável pela comercialização de espaço de divulgação digital. Os valores por ele recebidos referem-se a serviços efetivamente prestados de publicidade e marketing, atividade lícita e regularmente exercida há anos”.
Segundo o advogado Pedro Paulo de Medeiros, “Raphael não integra organização criminosa, não participou de qualquer esquema ilícito e jamais exerceu função diversa da veiculação publicitária contratada”.
Já a defesa de Chrys Dias e Débora Paixão informou que, como o processo corre sob segredo de Justiça, as manifestações ocorrerão apenas nos autos. “Repudiamos os vazamentos de imagens que violaram a privacidade da família e a presunção de inocência, reiterando nossa confiança na Justiça”, diz a nota.
























