PF suspeita que MC Gui recebeu “dinheiro ilícito” de operador de Ryan
Polícia Federal citou envio de R$ 150 mil para conta de Mc Gui em 2024 e apontou para possível “distribuição de lucros” do esquema criminoso
atualizado
Compartilhar notícia

Ao representar pela prisão do funkeiro Ryan Santana dos Santos, o Mc Ryan, e outras 39 pessoas, a Polícia Federal (PF) apontou uma série de transações suspeitas que podem indicar o envolvimento de mais influenciadores no suposto esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de produtoras musicais. De acordo com a investigação, a estrutura criminosa, que seria liderada por Ryan, teria movimentado pelo menos R$ 1,6 bilhão. O funkeiro foi detido na última quarta-feira (15/4) na operação Narco Fluxo.
Como revelado pelo Metrópoles, a PF apontou, por exemplo, movimentações suspeitas envolvendo uma empresa de Pablo Marçal, que enviou R$ 4,4 milhões para Ryan, e de Deolane Bezerra, que recebeu R$ 430 mil da produtora de Ryan e transferiu R$ 1,16 milhão ao Instituto Neymar Jr. Além deles, Guilherme Kauê Castanheira Alves, o Mc Gui, também foi citado.
O nome do funkeiro apareceu em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre as movimentações realizadas por Alexandre Paula de Sousa Santos. “Belga”, como é conhecido, é apontado na investigação como um operador de Ryan. Em 2024, ele enviou R$ 150 mil a Mc Gui.
“Após atuar na linha de frente como ‘escudo’ e recepcionar milhões das processadoras de apostas, Alexandre repassa, em uma única transação, a quantia de R$ 150 mil para Guilherme Kauê Castanheira Alves, nacionalmente conhecido como o cantor ‘Mc Gui'”, dizem os delegados que assinam a representação.
Na representação, eles ainda afirmam que o funkeiro “possui um vasto histórico associado a ilícitos” e mencionam investigações por lavagem de dinheiro, golpes de leilão de veículos e uma prisão, em 2021, em um cassino clandestino.
“O repasse efetuado por Alexandre sugere que o dinheiro ilícito transita livremente entre os influenciadores do grupo, indicando possivelmente o pagamento por parcerias de divulgação de jogos, distribuição de lucros do esquema ou a contínua mescla de capitais suspeitos sob a fachada do entretenimento”, diz a PF.
Questionada pelo Metrópoles, a equipe de Mc Gui disse em nota que a transferência feita por Ryan à aquisição de sociedade em uma barbearia. Segundo o comunicado, Gui não tinha conhecimento sobre as suspeitas envolvendo Ryan.
“No entanto, ao longo do tempo, a barbearia não apresentou estabilidade financeira, o que resultou no encerramento de suas atividades”, afirmou a equipe de Ryan.
Importante ressaltar que, no momento da transação, jamais se imaginou que os recursos envolvidos por parte de MC Ryan SP pudessem ter qualquer origem ilícita. Diante da repercussão recente do caso, cabe exclusivamente às autoridades competentes apurar os fatos e verificar a veracidade das informações”, acrescentou.
Líder do esquema
Mc Ryan SP foi preso na manhã da última quarta-feira (15/4), durante a operação Narco Fluxo. Além dele, outros influenciadores foram detidos, como o funkeiro Poze do Rodo e Raphael Sousa, dono da página de fofocas Choquei.
De acordo com a investigação, MC Ryan era o principal beneficiário da organização criminosa e desempenhava diferentes papéis no esquema. Ele utilizava empresas dele ligadas à produção musical e a própria fama nas redes sociais para mesclar receitas legítimas com dinheiro ilícito de apostas ilegais e rifas digitais. As autoridades citam um vínculo estrutural do esquema com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O artista também teria transferido participações societárias para “laranjas”, inclusive familiares, para ocultar seu patrimônio. Após a lavagem, o dinheiro era reinserido na economia formal a partir da aquisição de imóveis de alto padrão, veículos de luxo, joias e outros ativos de alto valor.
A PF ainda aponta que Ryan pagava operadores de mídia para publicar conteúdos favoráveis a ele e promover suas plataformas de apostas. A ação ainda teria o objetivo de mitigar eventuais crises de imagem relacionadas às investigações.














