Grupo ligado a MC Ryan lavava dinheiro com ingressos de shows, diz PF
MC Ryan SP era considerado “figura central” no esquema de lavagem de dinheiro, e usava a venda de ingressos de shows para maquiar benefícios
atualizado
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O grupo ligado ao funkeiro MC Ryan SP, preso nesta quarta-feira (15/4) durante a megaoperação Narco Fluxo, usava a venda de ativos digitais, produtos e, principalmente, de ingressos de show para maquiar a lavagem de dinheiro e impossibilitar sua comprovação, segundo a Polícia Federal (PF).
O esquema investigado pode ter movimentado até R$ 260 bilhões. De acordo com a PF, o grupo ligado ao funkeiro paulista, considerado figura central no esquema de lavagem de dinheiro, tinha três eixos operacionais.
Um dos principais métodos do grupo era usar a venda de ingressos de shows, além de ativos e produtos para não deixar um rastro econômico.
O fluxo de dinheiro era ocultado em criptoativos, segundo a PF. Além disso, o grupo realizava o transporte de valores em espécie. A investigação descobriu que familiares do funkeiro paulista e “laranjas” eram usados para ocultar os verdadeiros beneficiários das operações financeiras.
A PF também descobriu que a organização estruturava as atividades a partir da prática conhecida do “aluguel de CPFs”, com o objetivo de ocultar a origem dos recursos e fragmentar as transações financeiras ligadas ao grupo.
Videoclipe
O funkeiro MC Ryan SP gravava um clipe com outros artistas e influenciadores no condomínio de luxo onde tem casa na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, litoral norte de São Paulo, horas antes da ação que investiga um esquema de lavagem de dinheiro com movimentação superior a R$ 1,6 bilhão.
O influenciador Marcelo Leite — um dos detidos pela PF, na casa de luxo do funkeiro —, publicou um vídeo com os bastidores da gravação do clipe. O Metrópoles apurou que o funkeiro MC GP também estava no local.
Operação Narco Fluxo
- Segundo a PF, mais de 200 policiais federais participam da operação e cumpriram 45 mandados de busca e apreensão. Outros 39 de prisão temporária foram expedidos pela 5ª Vara Federal em Santos e 33 deles foram cumpridos.
- De acordo com a PF, a ação acontece nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
- A PF acredita que o volume financeiro pelo grupo criminoso ultrapassa R$ 1,6 bilhão.
- Além de armas, carrões e dinheiro em espécie, a corporação apreendeu documentos e equipamentos eletrônicos que ajudarão na investigação.
- O MC Poze do Rodo também foi preso.
- Também foram determinadas medidas de constrição patrimonial, incluindo o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias, com o objetivo de interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para eventual ressarcimento.
- A investigação continua e os alvos podem responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

















