Mãe denuncia uso de imagem do filho em documentário da Brasil Paralelo

Mãe de Botucatu, interior de São Paulo, entrou com processo na Justiça contra a produtora. Documentário aborda “ideologia de gênero”

atualizado

metropoles.com

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mãe brasil paralelo documentário
1 de 1 mãe brasil paralelo documentário - Foto: Reprodução/Instagram

Uma mãe de Botucatu, interior de São Paulo, entrou com um processo na Justiça contra a produtora Brasil Paralelo pelo uso indevido da imagem do filho menor de idade em um trailer de um documentário em produção, que faz críticas à suposta “ideologia de gênero” propagada em escolas de educação infantil.

Em entrevista ao Metrópoles, Mariana Lopes, a mãe, contou que descobriu o uso das imagens por meio de uma seguidora, que enviou um print de um anúncio patrocinado relacionado ao documentário. “Ela me mandou e perguntou ‘esse é o seu filho?’. A partir disso, procurei mais informações e vi que de fato era ele”.

Mariana é influencer de maternidade sem preconceito e educação respeitosa, com mais de 140 mil seguidores somente em sua página no Instagram. Lá, ela conta, sempre teve o costume de compartilhar seu dia a dia como mãe, mas que nunca chegou autorizar o uso da imagem de seus filhos.

“Eles não só usaram uma foto, mas alteraram a voz e colocaram frases que nunca foram ditas por ele”, relata a mãe.

No trailer, a Brasil Paralelo exibe fotos e vídeos de diversas crianças vestindo roupas de gêneros opostos aos seus, com uma voz infantil modificada ao fundo que diz “A ‘pro’ disse que menino pode usar saia, pintar a unha e usar brinco”.

O documentário da produtora foi publicado no dia 1º de maio deste ano no canal do Youtube e, mesmo com o caso sendo levado para a Justiça, nem ele nem o trailer foram tirados do ar. A mãe afirma que o episódio recente reforça ainda mais a importância do debate sobre responsabilidade digital, consentimento e proteção da infância no ambiente digital.

“Pegaram um vídeo de dentro da minha página, alteraram o que foi dito e inseriram em um documentário onde se propagam discursos de ódio, homofobia e transfobia. Borrar o rosto do meu filho não isenta a responsabilidade do crime que vocês cometeram. O meu perfil ser aberto não dá o direto de nenhuma pessoa usar minhas imagens sem minha autorização”, afirma Mari.

Em uma nota oficial, o advogado de Mariana, Wesley Silva, reforçou que não houve qualquer autorização para utilização de imagem, voz ou conteúdo envolvendo o filho menor por terceiros, em especial em material audiovisual de natureza político-ideológica.

“A utilização identificada é juridicamente ilícita e agravada por circunstâncias especialmente graves: trata-se de criança, cuja proteção é absoluta no ordenamento jurídico brasileiro, além da constatação de manipulação artificial de voz, com atribuição de falas inexistentes, o que configura indevida construção narrativa e violação direta de direitos da personalidade”, diz o advogado.

Procurada para se posicionar sobre a denúncia, a reportagem não conseguiu localizar contato da produtora Brasil Paralelo. O espaço permanece aberto para manifestações.

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