Dark Horse: polícia quer informações sigilosas de produtora do filme

Polícia Civil quer apurar se houve fraude no contrato milionário de ONG com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de Wi-Fi

atualizado

metropoles.com

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Karina Ferreira da Gama / Instagram
Karina Ferreira da Gama produtora de Dark Horse
1 de 1 Karina Ferreira da Gama produtora de Dark Horse - Foto: Karina Ferreira da Gama / Instagram

A Polícia Civil de São Paulo pediu acesso a informações sigilosas de Karina da Gama Ferreira, dona da organização não governamental (ONG) Instituto Conhecer Brasil (ICB) e da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, que conta a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A informação foi confirmada ao Metrópoles pelo delegado responsável pelo caso, Antonio Carlos Munuera Silveira.

A investigação quer apurar se houve fraude no contrato milionário da ONG de Karina com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de Wi-Fi em comunidades da capital paulista. Os possíveis crimes em apuração são de fraude em licitação, irregularidades na execução de contrato público e desvio de verbas.

A reportagem procurou Karina para comentar as investigações, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.

Ao todo, o acordo estabelecido com a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) previa a instalação e manutenção de 5 mil pontos de Wi-Fi. O custo total do contrato gira em torno de R$ 108 milhões.

O inquérito foi aberto após uma denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), com base em reportagem do site The Intercept Brasil. Entre os pontos sob suspeita está um eventual uso dos valores para financiar o filme de Bolsonaro, Dark Horse, produzido pela produtora Go Up Entertainment.

As suspeitas começam pelo próprio processo seletivo, já que o ICB foi o único o único participante do certame de um edital que tinha ao menos 20 irregularidades, segundo o Tribunal de Contas do Município. Também levanta dúvidas o fato de a entidade ter sido criada para organizar feiras e eventos religiosos e não teria histórico na área de telecomunicações.

Outro ponto suspeito seria o preço: enquanto o ICB cobrou R$ 1.800 por ponto de acesso instalado, a empresa municipal Prodam executava serviço equivalente por R$ 230 — uma diferença de quase oito vezes, segundo o MPSP.

Os investigadores apuram eventual sobrepreço e R$ 26 milhões em pagamentos possivelmente realizados por serviços que não chegaram a ser prestados.

O inquérito foi instaurado após o Ministério Público Federal declinar da atribuição — por não identificar uso de verbas federais — e mandar o caso ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), que então requisitou a abertura das investigações.

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