INSS: jovens ricaços na mira da PF são conhecidos como Golden Boys

Operação nesta quarta-feira (27/5) cumpre mandados contra associações envolvidas na Farra do INSS

atualizado

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MCLaren Sena operação INSS
1 de 1 MCLaren Sena operação INSS - Foto: MICHAEL MELO/METRÓPOLES

Alvo de operação da Polícia Federal (PF), os jovens ricaços responsáveis por entidades envolvidas em descontos indevidos do INSS são conhecidos como Golden Boys. A PF deflagrou, nesta quarta-feira (27/5), nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga esquema revelado pelo Metrópoles.

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A Ferrari vermelha e a réplica do carro de Fórmula 1 usado por Senna
Agentes da Polícia Federal fizeram a operação contra o empresário e confiscaram obras de arte
Carro apreendido na casa do Careca
Lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, durante CPMI do INSS
INSS: jovens ricaços na mira da PF são conhecidos como Golden Boys - imagem 6
Igor Dias Delecrode (à esquerda), de 28 anos, Felipe Macedo Gomes (ao centro), 35 anos, Anderson Cordeiro (à direita), 38 anos
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Igor Dias Delecrode (à esquerda), de 28 anos, Felipe Macedo Gomes (ao centro), 35 anos, Anderson Cordeiro (à direita), 38 anos

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A Ferrari vermelha e a réplica do carro de Fórmula 1 usado por Senna
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A Ferrari vermelha e a réplica do carro de Fórmula 1 usado por Senna

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Agentes da Polícia Federal fizeram a operação contra o empresário e confiscaram obras de arte
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Agentes da Polícia Federal fizeram a operação contra o empresário e confiscaram obras de arte

Carro apreendido na casa do Careca
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Carro apreendido na casa do Careca

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Lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, durante CPMI do INSS

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PF apreende 5 carros de luxo que seriam de Antônio Carlos Antunes, o Careca do INSS
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Carros de luxo apreendidos com o Careca do INSS
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Carros de luxo apreendidos com o Careca do INSS

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BMW M135i
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O empresário e lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e o presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG)
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O empresário e lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e o presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG)

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Igor Dias Delecrode, de 28 anos, Felipe Macedo Gomes, de 35 , Anderson Cordeiro, de 38, e Américo Monte, de 45, comandavam as entidades Amar Brasil Clube de Benefícios, Master Prev, ANDAPP e AASAP. Juntas, as quatro associações faturaram R$ 700 milhões com descontos de mensalidade de aposentados.

Como mostrou o Metrópoles, eles também são donos de uma fintech, uma construtora e de uma empresa de crédito consignado e ostentam casas e carros de luxo em Alphaville, região nobre de Barueri, na Grande São Paulo.

Documentos internos dessas entidades e relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostram que o grupo desviava para suas próprias empresas o dinheiro arrecadado por essas associações e revelam como elas criaram sistema próprio de biometria para fraudar assinaturas dos aposentados que filiavam.


Atuação nas associações da Farra do INSS

  • Igor Delecrode, o mais novo do grupo, presidiu a AASAP e foi dirigente de outras duas associações. Ele é dono de empresas de biometria contratadas pelas associações investigadas na Farra do INSS para validar assinaturas de aposentados.
  • Felipe Gomes foi presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios quando a entidade firmou seu acordo de cooperação técnica com o INSS, em agosto de 2022. No ofício enviado ao INSS pedindo o acordo, ele usou o e-mail de sua fintech, o Rendbank.
  • Américo Monte, que era correspondente bancário de crédito consignado, colocou seu pai, seu tio e sua filha nas entidades. Ele também já foi investigado após um funcionário de suas empresas denunciar fraudes em assinaturas.
  • Após a primeira etapa da Operação Sem Desconto, em abril de 2025, eles deixaram parentes à frente das associações.
  • O Metrópoles apurou que eles mantinham grupos para trocar mensagens sobre as gestões delas.

Os Golden Boys também foram alvo da PF em outubro do ano passado. Na ocasião, as autoridades apreenderam frota de veículos de luxo, cofres, armas, munições e quantias em dinheiro vivo.

Sem descontos

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta quarta-feira (27/5), nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga a Farra do INSS.

São cumpridos 31 mandados de busca e apreensão, oito cautelares de monitoramento eletrônico e outras medidas constritivas, expedidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas seguintes unidades federativas:Pernambuco, São Paulo, Paraíba e Distrito Federal.

As investigações apontam esquema de descontos não autorizados aplicados diretamente em aposentadorias e pensões. A suspeita é que entidades e empresas realizavam cobranças indevidas sem consentimento dos beneficiários.

Com a nova fase, as autoridades buscam esclarecer diversos crimes contra a administração pública, como constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial.

Como funcionava a Farra do INSS

A farra dos descontos sobre os pagamentos feitos pelo INSS a idosos e pensionistas levou à exoneração do diretor de Benefícios do órgão, André Fidelis.

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PF listou relações entre dirigentes de associações e empresas e seu parentesco com Camisotti
PF fez uma teia com todas as transações financeiras entre empresas ligadas a Camisotti e associações
PF fez teia somente para relações financeiras diretas entre Camisotti e as entidades
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PF fez teia somente para relações financeiras diretas entre Camisotti e as entidades

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PF listou relações entre dirigentes de associações e empresas e seu parentesco com Camisotti
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PF listou relações entre dirigentes de associações e empresas e seu parentesco com Camisotti

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PF fez uma teia com todas as transações financeiras entre empresas ligadas a Camisotti e associações
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PF fez uma teia com todas as transações financeiras entre empresas ligadas a Camisotti e associações

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O escândalo movimentou mais de R$ 2 bilhões entre 2023 e 2024. O dinheiro, que saía da conta de aposentados, foi destinado a pelo menos 29 entidades, que ofereciam serviços como planos de saúde e seguros.

O caso foi revelado pelo Metrópoles em dezembro de 2024. Em muitos casos, os aposentados que tinham os valores descontados sequer sabiam que eram associados às empresas por meio de “acordos de cooperação técnica”.

As entidades enfrentam mais de 60 mil processos judiciais em todo o país por descontos indevidos, com indícios de fraude para filiar milhares de aposentados sem autorização.

Fidelis era o responsável por assinar termos de cooperação entre o INSS e as entidades. Mesmo diante de denúncias de irregularidades na filiação de idosos, sete novos termos de cooperação foram assinados em 2024.

Como mostrou o Metrópoles, por trás dessas associações, há donos de empresas de seguros e planos de saúde.

Além das denúncias de fraudes, parte dessas associações é ligada a um mesmo grupo de empresários e havia até associação que não passava de uma sala vazia em São Paulo quando obteve seu termo de cooperação para poder efetuar os descontos.

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