Farra do INSS: entidades alvo de operação faturaram R$ 700 milhões
Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (27/5), operação contra associações envolvidas no esquema de descontos indevidos do INSS
atualizado
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Quatro associações alvos de uma operação da Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (27/5) faturaram R$ 700 milhões com a farra dos descontos indevidos do INSS, revelada pelo Metrópoles. A PF cumpre mandados de busca e apreensão em São Paulo, Pernambuco, Paraíba e Distrito Federal.
Entre os alvos estão as entidades Brasil Clube de Benefícios, Master Prev, ANDAPP e AASAP. Documentos internos dessas entidades e relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostram como dirigentes desviavam para suas próprias empresas o dinheiro arrecadado por essas associações e como elas criaram um sistema próprio de biometria para fraudar assinaturas dos aposentados que filiavam.
Sem descontos
- A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta quarta-feira (27/5), uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga a Farra do INSS.
- São cumpridos 31 mandados de busca e apreensão, oito cautelares de monitoramento eletrônico e outras medidas constritivas, expedidas pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados de Pernambuco, São Paulo e Paraíba, além do Distrito Federal.
- As investigações apontam um esquema de descontos não autorizados aplicados diretamente em aposentadorias e pensões. A suspeita é que entidades e empresas realizavam cobranças indevidas sem consentimento dos beneficiários.
- Com a nova fase, as autoridades buscam esclarecer diversos crimes contra a administração pública, como constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial.
Os mesmos documentos revelam como chefes das entidades pagaram parentes de dirigentes do INSS por meio de suas empresas. Também mostram gastos em concessionárias de carros esportivos, joalherias de luxo e com embarcações. Conforme revelado pelo Metrópoles, as quatro associações faturaram, juntas, R$ 700 milhões com descontos de mensalidade de aposentados.
Como funcionava a Farra do INSS
A farra dos descontos sobre os pagamentos feitos pelo INSS a idosos e pensionistas levou à exoneração do diretor de Benefícios do órgão, André Fidelis.
O escândalo movimentou mais de R$ 2 bilhões entre 2023 e 2024. O dinheiro, que saía da conta de aposentados, foi destinado a pelo menos 29 entidades, que ofereciam serviços como planos de saúde e seguros.
O caso foi revelado pelo Metrópoles em dezembro de 2024. Em muitos casos, os aposentados que tinham os valores descontados sequer sabiam que eram associados às empresas por meio de “acordos de cooperação técnica”.
As entidades enfrentam mais de 60 mil processos judiciais em todo o país por descontos indevidos, com indícios de fraude para filiar milhares de aposentados sem autorização.
Fidelis era o responsável por assinar termos de cooperação entre o INSS e as entidades. Mesmo diante de denúncias de irregularidades na filiação de idosos, sete novos termos de cooperação foram assinados em 2024.
Como mostrou o Metrópoles, por trás dessas associações, há empresários donos de empresas de seguros e planos de saúde.
Além das denúncias de fraudes, parte dessas associações é ligada a um mesmo grupo de empresários e havia até associação que não passava de uma sala vazia em São Paulo quando obteve seu termo de cooperação para poder efetuar os descontos.

























