Farra do INSS: entidades de jovens ricaços são alvo de operação da PF
Três entidades controladas por jovens ricaços e que faturaram milhões de reais na Farra do INSS foram alvo de busca e apreensão da PF em SP
atualizado
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Três associações comandadas por um grupo de jovens ricaços foram alvo dos mandados de busca e apreensão cumpridos nesta quinta-feira (9/10) pela Polícia Federal (PF), na nova fase da Operação Sem Desconto. Elas são investigadas por envolvimento no esquema bilionário de descontos indevidos contra aposentados do INSS, revelado pelo Metrópoles.
As associações são: Amar Brasil, Masterprev e Andap. Cada uma delas é controlada por um integrante de um grupo de quatro amigos: Igor Dias Delecrode, de 28 anos, Felipe Macedo Gomes, 35 anos, Anderson Cordeiro, 38 anos, e Américo Monte, o “decano”, com 45 anos. O grupo ainda comanda a AASAP. Juntas, as quatro associações faturaram R$ 700 milhões com descontos de mensalidade de aposentados.
Como mostrou o Metrópoles no fim de semana, eles também são donos de uma fintech, uma construtora e de uma empresa de crédito consignado, e ostentam casas e carros de luxo em Alphaville, região nobre de Barueri, na Grande São Paulo.
Durante a operação desta quinta (9/10), a Polícia Federal apreendeu uma frota de veículos de luxo, entre eles um Mini Cooper, Jeeps, uma moto Ducati, considerada a Ferrari das motos, uma Porsche e um Volvo. A corporação não divulgou de quem são os bens apreendidos.
A operação também cumpriu mandados de busca e apreensão na sede do Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi), cuja vice-presidência é ocupada por Frei Chico, irmão do presidente Lula (PT).
Além disso, foram apreendidos cofres, armas, munições e quantias em dinheiro vivo. O material recolhido será submetido à perícia. A corporação não detalhou a quem pertencem os bens apreendidos.
O Metrópoles entrou em contato com a defesa dos empresários, mas não conseguiu retorno até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto.
Como os jovens ricaços operavam
Documentos internos dessas entidades e relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostram que o grupo que controla as quatro entidades da Farra do INSS desviava para suas próprias empresas o dinheiro arrecadado por essas associações e como elas criaram um sistema próprio de biometria para fraudar assinaturas dos aposentados que filiavam.
Os mesmos documentos revelam como eles pagaram parentes de dirigentes do INSS por meio de suas empresas. Também mostram gastos em concessionárias de carros esportivos, joalherias de luxo e com embarcações.
Atuação nas associações da Farra do INSS
- Igor Delecrode, o mais novo do grupo, presidiu a AASAP e foi dirigente de outras duas associações. Ele é dono de empresas de biometria contratadas pelas associações investigadas na Farra do INSS para validar assinaturas de aposentados.
- Felipe Gomes foi presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios quando a entidade firmou seu acordo de cooperação técnica com o INSS, em agosto de 2022. No ofício enviado ao INSS pedindo o acordo, ele usou o e-mail de sua fintech, o Rendbank.
- Américo Monte, que era correspondente bancário de crédito consignado, colocou seu pai, seu tio e sua filha nas entidades. Como mostrou o Metrópoles, ele também já foi investigado após um funcionário de suas empresas denunciar fraudes em assinaturas.
- Após a deflagração da Operação Sem Desconto, que apreendeu carros de luxo do trio, em abril deste ano, eles deixaram parentes à frente das associações.
- O Metrópoles apurou que eles mantêm grupos para trocar mensagens sobre as gestões delas e estão se mudando para os Estados Unidos.
- Eles deixaram na diretoria das quatro entidades o primo, Marco Aurélio Gomes, e uma tia de Felipe Gomes, chamada Solange Macedo, na presidência de uma delas.
- A reportagem procurou a defesa dos citados, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.






































