Eleição 2026

Finanças viram cabo de guerra entre Haddad e Tarcísio na pré-campanha

Críticas a caixa de São Paulo geraram incômodo na gestão Tarcísio, que rebateu falando em déficits históricos com Haddad na Fazenda

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Arte Metrópoles
Montagem com imagens do governador Tarcísio de Freitas (esquerda) e o ex-ministro Fernando Haddad (direita) - Metrópoles
1 de 1 Montagem com imagens do governador Tarcísio de Freitas (esquerda) e o ex-ministro Fernando Haddad (direita) - Metrópoles - Foto: Arte Metrópoles

As contas públicas de São Paulo e da União viraram um cabo de guerra entre o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), na pré-campanha ao governo do estado.

O governador sempre teve entre suas principais críticas ao governo federal a questão dos gastos públicos. Após deixar a chefia da Fazenda, Haddad tem centrado fogo justamente nas finanças paulistas — o que tem provocado incômodo crescente na gestão Tarcísio.

A polêmica mais recente gira em torno do caixa do estado, que, conforme revelado pelo Metrópoles, encolheu durante a administração de Tarcísio. Em entrevista exclusiva ao Metrópoles na quinta-feira (30/4), Haddad afirmou que São Paulo está sem caixa.

“Se não fosse a renegociação da dívida que eu conduzi junto com o Rodrigo Pacheco (PSB), que era presidente do Congresso, São Paulo acho que não fechava o mandato dele. São Paulo está sem caixa. Ele recebeu do governo anterior um volume de recursos em caixa. E ele não tem dinheiro hoje. Vendendo a Sabesp, aumentando a conta de água, renegociando a dívida. Se não fosse isso, São Paulo estaria ainda pior“, disse Haddad.

Os dados mostram que o caixa livre do estado —recursos do Tesouro sem vinculação — caiu de R$ 52,9 bilhões, em 2022, para R$ 26,7 bilhões no ano passado, uma redução de 41,5%, equivalente a R$ 26,2 bilhões a menos. Além disso, o governo registrou um déficit orçamentário de R$ 12,2 bilhões em 2024.

Chumbo trocado

Logo após a entrevista de Haddad, o governo Tarcísio procurou o Metrópoles para rebater as declarações. A gestão paulista apresenta um recorte que a beneficia: as disponibilidades totais de caixa teriam passado de R$ 23 bilhões, em 2022, para R$ 22 bilhões, queda bem menor. Esse cálculo considera os gastos gerais líquidos do Executivo após a inscrição de restos a pagar não processados. Quando se isolam apenas os recursos não vinculados, porém, a queda é mais expressiva: de R$ 19,5 bilhões, em 2022, para R$ 5,9 bilhões no ano passado.

O governo paulista também rebateu as críticas sobre a dívida e mirou o ex-ministro. “Diversamente à gestão do ex-ministro, que acumulou déficits históricos, o governo de São Paulo apresentou superávits primários em todos os anos. Sobre a renegociação da dívida, a gestão do ex-ministro Haddad criou todo tipo de dificuldade à adesão de São Paulo ao Propag [Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados], e até hoje se recusa a assinar o termo aditivo, o que forçou o Estado a acionar a União no Supremo Tribunal Federal”, diz a gestão Tarcísio.

Em termos fiscais, o governo federal acumula déficits nominais em todos os anos da gestão Lula. Já o governo Tarcísio registrou déficit nominal em 2023 e 2025 — em 2024, o resultado foi equilibrado graças aos recursos da venda da Sabesp. No entanto, ele manteve superávit primário nos três anos.

A briga pelos rótulos

A questão dos gastos é o principal flanco de ataque de Tarcísio ao governo federal, ao lado da carga tributária. No ano passado, o governador disse que o governo Lula “gasta muito” e vai “na direção errada”.

“A gente aqui está fazendo o dever de casa. Olha o exemplo que está vindo de lá: governo gastando muito, inflação sobe, taxa de juros sobe, país desacelera, arrecadação cai. E aí qual é o exercício que tem que ser feito? Economizar despesa, cortar custo. E o que estão fazendo? Aumentando imposto.”

Os números dão respaldo à crítica de Tarcísio. A carga tributária do governo federal atingiu 32,4% do PIB, o maior índice ao menos desde 2010, de acordo com boletim do Tesouro Nacional.

Na campanha, Tarcísio pretende chamar Haddad de “Taxad“, alusão à agenda tributária do petista. A estratégia de Haddad, por sua vez, seria a de abraçar esse rótulo, associando-o ao discurso de justiça tributária e à taxação de super-ricos, bilionários, bancos e bets, a chamada taxação BBB, testada durante o governo federal.

Outro ponto que deve entrar na briga na seara econômica é o apoio de Tarcísio a Trump. Haddad argumenta que, graças ao tarifaço do presidente dos Estados Unidos, São Paulo acabou sendo prejudicado. “A economia paulista cresceu no ano passado 0,5%. O Brasil cresceu 2,3%”, disse o ex-ministro.

Narrativas sobre repasses

O crédito pelas verbas federais é um dos pontos que esquentam os ânimos de ambos. Os petistas têm veiculado peças de propaganda em que afirmam que boa parte das obras que serão entregues pelo governo de Tarcísio, como as de linhas de metrô e rodovias, foram financiadas com verbas federais.

Para o entorno de Tarcísio, o governo está querendo surfar em cima de operações de crédito, financiamentos dados pelo BNDES que são justamente a função do banco. Haddad, por sua vez, rebate que o padrinho de Tarcísio, Jair Bolsonaro (PL), teria bloqueado repasses para São Paulo quando era presidente –na época, o governador era João Doria (então no PSDB), seu rival político.

Na última semana, o governador baixou o tom. Após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrar reconhecimento da gestão paulista por aportes da União em construções no estado, Tarcísio afirmou que é preciso “diminuir o conflito” com o governo federal e admitiu que se tratam de parcerias.

 

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSão Paulo

Você quer ficar por dentro das notícias de São Paulo e receber notificações em tempo real?