Haddad vai assumir apelido “Taxad” na eleição em discurso contra ricos
Entorno de petista diz que vai admitir que ex-ministro da Fazenda criou impostos, mas em um contexto em que ricos pagam mais que pobres
atualizado
Compartilhar notícia

O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), já sabe que deve ser tratado pela alcunha de “Taxad” por opositores políticos durante a disputa eleitoral deste ano. O principal adversário será o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), favorito na disputa, de acordo com as últimas pesquisas de intenção de voto.
A ideia de estrategistas de campanha é vincular o petista ao discurso da taxação dos super-ricos em nome da justiça tributária. O plano já teria sido testado na campanha do governo federal de aplicar imposto a bilionários, bancos e bets, a chamada taxação BBB.
A visão do entorno de Haddad é de que a campanha da taxação BBB funcionou e teve impacto positivo à imagem do então ministro da Fazenda, que estava desgastada desde a criação da apelidada “taxa das blusinhas”, o imposto sobre importação de encomendas internacionais de menos de 50 dólares.
Entre as taxações consideradas positivas por aliados de Haddad, estão a de apostas esportivas eletrônicas, do “come-cotas” sobre fundos exclusivos, da tributação de rendimentos em offshores e o imposto mínimo de 15% sobre lucros de multinacionais.
Inspiração de Nova York
O prefeito de Nova York, Zohran Mandami, tem servido de inspiração para Haddad e várias pré-campanhas da esquerda brasileira. Um dos discursos mais fortes do norte-americano é em relação à taxação dos super-ricos.
Mandami foi às redes sociais dizer que estava criando o “Tax Day” (dia do imposto). Em vídeo publicado no Instagram na quarta-feira (15/4), o prefeito nova-iorquino falou que estava cumprindo um compromisso de campanha, quando prometera que iria taxar os ricos.
Em frente a um prédio luxuoso, que segundo Mandami tem uma cobertura avaliada em 238 milhões de dólares, o prefeito de Nova York disse que iria aumentar os impostos de imóveis avaliados em mais de 5 milhões de dólares, cujo donos não vivem “full time” na cidade dos EUA.
Pesquisas de intenção de voto
A última pesquisa de intenção de voto, do instituto Paraná Pesquisa, mostrou um cenário preocupante para Haddad, que perderia para o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no primeiro turno. Em um eventual segundo turno, Tarcísio marca 58,7% dos votos, contra 35,1% do petista.
O cenário trágico para o ex-ministro da Fazenda contrasta com outros resultados que têm dado esperança aos petistas. Nesta semana, deputados do PT se encontraram com Haddad na casa onde funciona o QG da pré-campanha, em São Paulo, e se mostraram entusiasmados com o resultado da pesquisa Atlas encomendada pelo jornal O Estado de S.Paulo.
O levantamento, divulgado em 30/3, mostrou Tarcísio com 49,1%, contra 42,6% do ex-ministro. O resultado é muito semelhante à votação que o petista alcançou no segundo turno de 2022, quando Haddad marcou 44,73% dos votos contra 55,27% do atual governador.

