Equipe de Haddad faz pesquisa com eleitores de Marçal em São Paulo
Petistas querem entender os erros na campanha municipal, que fizeram Pablo Marçal conquistar votos em regiões historicamente ligadas ao PT
atualizado
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A equipe da pré-campanha do ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que deve concorrer ao governo de São Paulo, faz pesquisas qualitativas com os eleitores que votaram no influenciador Pablo Marçal (União) nas eleições de 2024 para a prefeitura paulistana.
Os estrategistas querem entender como o PT perdeu regiões historicamente identificadas com os candidatos petistas para o influenciador. Em especial, os bolsões das zonas leste e sul da capital paulista.
Guilherme Boulos (Psol), o candidato apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última eleição paulistana, ganhou no extremo leste, mas perdeu a maior parte dos votos na região para Pablo Marçal. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) foi quem mais fez votos na zona sul, mas a avaliação é que o ex-coach “arrebentou a boca do balão” na região conhecida pela base petista (veja o mapa).
Há avaliação de que o discurso clássico das campanhas de esquerda – defesa da importância do estado e melhoras econômicas – não têm conseguido chegar aos homens da periferia. Estrategistas acreditam que o debate está perdido para uma ideia de “fique rico ou morra tentando”, o que se vincula à narrativa de prosperidade propagada por Marçal.
Por meio das redes sociais, Marçal consegue vender a ideia de que ele conhece um “atalho” para a riqueza material. Uma pessoa do entorno de Haddad disse ao Metrópoles que percebeu-se “uma batalha quase espiritual” dos homens de periferia entre o bar, as bets e as igrejas evangélicas.
As casas de apostas online, como o jogo do tigrinho, são uma preocupação que também passa pelos estrategistas de Lula. O governo federal pretende lançar uma campanha de renegociação de dívidas que impeça os participantes do programa a entrar em sites de apostas.
Chances de Marçal nas eleições
Embora não acredite nas chances de Marçal reverter a inelegibilidade, o entorno de Haddad acredita que um candidato como ele iria “bagunçar” as eleições em São Paulo, porque há a análise de que o eleitor está fatigado do “bolsonarismo raiz”.
Marçal, por outro lado, alega que suas condenações na Justiça Eleitoral não transitaram em julgado e que, portanto, o cenário no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é reversível.
Integrantes do União Brasil defendem lançá-lo ao Senado, o chefe do partido em São Paulo, Milton Leite, diz que ele seria um candidato à Câmara dos Deputados, mas os adversários acreditam que, caso Marçal consiga reverter a situação na Justiça, irá se candidatar ao governo.
