Haddad inicia ataques a Tarcísio explorando elos entre polícia e PCC
Pré-candidato ao governo, Haddad deve explorar também casos de roubos e furtos de celulares para minar Tarcísio na área da segurança
atualizado
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O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), começou a alvejar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) explorando ligações da polícia paulista com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O Metrópoles apurou que o assunto deve ser um dos principais flancos do governo utilizados pelo petista durante a campanha, uma vez que dá um discurso a Haddad em uma área que governos do PT são constantemente criticados e que virou munição para o bolsonarismo: a segurança.
O primeiro episódio explorado por Haddad foi o do ex-comandante da Polícia Militar de São Paulo, o coronel José Augusto Coutinho, que pediu para deixar o cargo após ser citado em uma investigação da Corregedoria da corporação sobre a atuação de PMs como seguranças de supostos integrantes do PCC ligados à empresa de ônibus Transwolff. O caso foi revelado pelo Metrópoles.
“Falhar na escolha pode até acontecer. É por isso que você tem que vigiar de perto. Agora, tentar esconder da população o real motivo do afastamento do comandante, isso não é aceitável”, disse Haddad, em um vídeo postado em sua rede social.
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Inicialmente, a troca havia rendido uma agenda positiva ao governo, porque Coutinho foi substituído pela coronel Glauce Anselmo Cavalli, primeira mulher a ocupar o cargo. Posteriormente, com a revelação do motivo que causou a saída do comandante, o tema virou matéria-prima para a oposição.
Entenda o caso do ex-comandante da PM
- O Metrópoles apurou que o nome de Coutinho teria aparecido no depoimento do sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário, preso em fevereiro, por fazer escolta ilegal para diretores da Transwolff, que operava linhas de ônibus em São Paulo e teve o contrato rompido pela Prefeitura da capital após ser alvo de operação por suspeita de lavagem de dinheiro para a facção.
- Segundo o relato, o coronel tinha conhecimento do esquema de escolta.
- Como revelado pelo Metrópoles, em 2021, na época em que comandava as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), tropa de elite da PM, Coutinho foi avisado pelo promotor Lincoln Gakyia de que PMs do setor de inteligência do batalhão estariam vazando informações sigilosas para proteger membros da célula do PCC na zona leste da capital. O coronel, no entanto, não teria tomado providências.
- A descoberta de que o setor de inteligência da Rota estava envolvido com o PCC ocorreu a partir de um áudio em que o então líder da facção nas ruas, Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, diz ter pagado R$ 5 milhões ao “pessoal da R” para “salvar sua vida” na Operação Sharks, deflagrada contra a facção pelo MPSP em setembro de 2020.
- O áudio, enviado por Tuta a um outro integrante do PCC, chegou às mãos dos promotores do Gaeco em outubro de 2021. Na ocasião, um traficante da facção foi recebido no Batalhão da Rota para delatar outros integrantes e PMs corruptos.
- Diante da descoberta, Gakyia levou o caso ao então comandante da Rota, José Augusto Coutinho, e cobrou providências. Em conversas com interlocutores, o promotor afirmou que “ninguém fez porra nenhuma, ele [Coutinho] não fez nada a respeito”.
Haddad também lembrou o episódio em que, diante de casos de violência policial, Tarcísio disse que não não estava “nem aí” e que podiam ir na Organização das Nações Unidas (ONU) denunciar. “O resultado do não tô nem aí é esse”, afirmou na peça.
O eventual envolvimento de policiais com o PCC é uma avenida aberta a ser explorada, na visão de pessoas da equipe do petista. Entre os pontos que podem ser usados, estão as investigações sobre o assassinato de Vinícius Gritzbach, delator de policiais e do PCC, executado em novembro de 2024, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Ele mantinha conexões com policiais corruptos e tinha escolta ilegal de PMs.
O bolsonarismo, ligado a Tarcísio, cresceu com um discurso linha-dura na segurança pública e com críticas e até tentativas de ligar o PT ao PCC. No entanto, uma vez no poder, o governo estadual, responsável pelo dia a dia do combate ao crime, acaba virando vidraça para a esquerda.
Gangue da bicicleta e quebra-vidro
Outro ponto que deve ser explorado pela campanha de Haddad é a epidemia de roubos e furtos de celular e vídeos de jovens que praticam esses crimes postados nas redes sociais. Nessa área, o governo federal criou o programa Celular Seguro, com objetivo de bloquear aparelhos furtados ou roubados, o que pode ser lembrado mais adiante.
Tarcísio de Freitas, com a máquina na mão, busca capitalizar ações de grande visibilidade da polícia. Na última sexta-feira (24/4), a Polícia Militar mobilizou 200 agentes, três helicópteros e drones para uma ação em mais de 100 pontos da capital. No fim, 18 pessoas acabaram presas.
“Chega de ter medo de andar nas nossas ruas. A Polícia Militar foi pra cima das chamadas gangues do “quebra-vidros” e o resultado veio: 18 criminosos presos, em uma operação com mais de 200 policiais, drones e atuação em mais de 100 pontos da cidade. Quem acha que pode aterrorizar trabalhador no trânsito de São Paulo vai encontrar resposta”, escreveu o governador.
Em outras ocasiões, Tarcísio já rebateu às críticas do PT ao afirmar que, em cinco gestões, a sigla não conseguiu melhorar a questão no país -pelo contrário, ela piorou em vários aspectos.
