Eleitorado 60+ entra no radar das campanhas de Tarcísio e Haddad
Número de brasileiros com 60 anos ou mais aptos a votar cresceu 74% entre 2010 e março de 2026. Em SP, eles representam 25% dos votantes
atualizado
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Com o envelhecimento da população, o eleitorado 60+ entrou no radar das pré-campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e de Fernando Haddad (PT). No estado, essa parcela representa 25% do eleitorado, quase os 23,2% dos votantes dessa faixa etária no país.
Enquanto o número de eleitores de todas as faixas etárias no país cresceu 15% entre 2010 e 2026, o eleitorado 60+ aumentou 74% no período, o que revela expansão de 20,8 milhões em 2010 para 36,2 milhões em março deste ano. Quanto às abstenções associadas a essa faixa do eleitorado, houve queda nas últimas três eleições: somavam 37,1% em 2014 e passaram para 36,4% em 2018 e a 34,5% em 2022.
Na estratégia do petista, parte do plano de rede inicial será reapresentar Haddad para os mais velhos, que têm memória dos governos do presidente Lula.
Em rumo similar, a movimentação de reeleição do atual governador ainda está sendo pensada. Em princípio, a campanha está focada em “evidenciar o que já foi feito” na primeira gestão, a partir de 2022, principalmente as entregas de infraestrutura, como as obras do Rodoanel, o monotrilho e o túnel Santos-Guarujá.
“O Brasil está diante de uma nova geografia eleitoral. O fato de os maiores colégios eleitorais do país estarem entre os que mais envelhecem coloca a geração 60+ no centro gravitacional de qualquer estratégia política vitoriosa para 2026. Os eleitores com 60 anos ou mais correspondem a 23,2% do eleitorado, quase o dobro do percentual de jovens de 16 a 24 anos, que representam 11,9%. Não se ganha mais eleição negligenciando as demandas desse grupo”, destacou Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, empresa que fez o levantamento do eleitorado 60+.
“Exercício da democracia”
O casal Luiz Paulo e Luisa Magda Oliveira, de 82 e 81 anos, respectivamente, faz parte da parcela da população que executará o poder do voto por opção. Mineiros radicados há mais de 50 anos em São Paulo, eles não dispensam a oportunidade.
“Eu não deixo de votar de jeito nenhum. Minha mãe e meu pai foram até o fim, e eu também vou. É o meu exercício da democracia”, reconhece Magda. O marido completa: “É importante. A gente tem esperança de que apareça alguém que acabe com a corrupção, porque ninguém aguenta mais.”
Em outubro deste ano, Magda e Luiz pretendem ir juntos às urnas, caminhando até uma escola em Perdizes, na zona oeste da capital paulista, para escolher os representantes ao governo do estado, presidência da República e Senado Federal.

Entre os eleitores com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo, o comparecimento foi de 41,1% em 2022. No entanto, a abstenção nessa faixa etária apresentou queda ao longo das últimas eleições: diminuiu de 63,6% em 2014 para 58,9% no último pleito.

Eleitorado idoso no Brasil
Os dados foram levantados pela Nexus em 1º de março e podem aumentar até o dia 6 de maio, prazo final para o cadastro de eleitores no TSE. Até a data da coleta, 156,2 milhões de pessoas estavam aptas a participar do processo eleitoral em outubro.
No geral, a população idosa do estado de São Paulo cresceu 46% em 13 anos e chegou a 8 milhões de pessoas em 2025, o que significa 17,6% do total. No total, são 46 milhões de paulistas, 3 milhões a mais do registrado em 2012.
A estimativa representa a maior proporção de moradores do país, o equivalente a 22% do total de habitantes brasileiros. Os indicadores são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

