Após prisão de MCs, Deolane iniciou reformulação de empresas laranjas

Polícia encontrou na casa da influenciadora documento que indica plano para modificar estrutura financeira supostamente ligada ao PCC

atualizado

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Deolane Bezerra se manifesta sobre prisão em carta: "Não sou bandida" - Metrópoles
1 de 1 Deolane Bezerra se manifesta sobre prisão em carta: "Não sou bandida" - Metrópoles - Foto: Instagram/Reprodução

Um documento apreendido na casa de Deolane Bezerra indica que, semanas antes de ser presa por lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), a influenciadora teria dado início a manobras em suas empresas com o suposto objetivo de dificultar a localização do patrimônio apontado como fruto do crime organizado. Uma das suspeitas da equipe de investigação é de que a advogada e influenciadora tenha arquitetado o plano de reformulação após a prisão de outros influenciadores também acusados de atuar em benefício da facção.

Em 14 de abril, a Polícia Federal (PF) deflagrou a operação Narco Fluxo, que apontou o funkeiro Ryan Santana dos Santos, o Mc Ryan, como o líder de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro. Marlon Brendon Coelho, o Mc Poze do Rodo, e Rafael Sousa Oliveira, dono da página de fofocas Choquei, também foram alvos. Em outubro do ano passado, Bruno Alexander Souza Silva, conhecido nas redes sociais como Buzeira da Roleta, também foi preso pela PF pela mesma suspeita na operação Narco Bet.

Assim como no caso dos funkeiros, a acusação envolvendo Deolane é de que ela usava sua “projeção pública” para dar aparência de legalidade a recursos do PCC. Com esse objetivo, a advogada teria criado 35 empresas de fachada com endereço registrado no mesmo local, uma casa de poucos metros quadrados e tijolos aparentes no bairro Parque das Acácias em Martinópolis, no interior de São Paulo.

Uma das empresas, a DB Santos Apoio Administrativo e Financeiro, criada em julho de 2020, teve o endereço transferido, em 22 de abril de 2026, para a capital. Para a equipe de investigação, o movimento pode estar relacionado ao plano de reestruturar a teia de empresas.

Operação contra Deolane e o PCC

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram, no dia 21 de maio, a Operação Vérnix, contra um esquema de lavagem de dinheiro do PCC. A ação é desdobramento de uma investigação iniciada após trocas de bilhetes dentro de uma penitenciária. As mensagens foram localizadas na caixa de esgoto de uma cela na Penitenciária II Maurício Henrique Guimarães Pereira, em Presidente Venceslau (SP).

Os bilhetes foram descobertos em 2019, após dois detentos darem descarga nos papéis durante uma vistoria na cela. Os manuscritos revelaram elementos relacionados à dinâmica interna do PCC, ao tráfico de drogas dentro da penitenciária, à atuação de lideranças do crime organizado e a planos de atentados contra agentes públicos, incluindo um ex-diretor do presídio.

Um dos manuscritos sugeria uma cobrança do chefe do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, sobre a execução do plano de ataque. O bilhete indicava que “aquela mulher da transportadora” havia fornecido o endereço atualizado de um dos alvos do atentado.

Em busca da “mulher da transportadora”, a Polícia Civil identificou uma empresa de transportes sediada em endereço ao lado do presídio e deflagrou, em 2021, a Operação Lado a Lado. Durante a operação, as autoridades apreenderam um celular e analisaram mais trocas de mensagens de pessoas ligadas à facção. O conteúdo também revelou indícios de repasses financeiros a Deolane Bezerra e apontou estreitos vínculos pessoais e comerciais da influenciadora com um dos gestores fantasmas da transportadora.

Entenda o envolvimento de Deolane Bezerra com o PCC

  • Segundo a investigação, Deolane desempenhava um papel fundamental ao fornecer uma camada de aparente legalidade para os recursos ilícitos do PCC.
  • A projeção pública da influenciadora, além de suas atividades empresariais formais e da movimentação de seu patrimônio, era utilizada para ocultar e dissimular a origem criminosa do dinheiro, dificultando a identificação do vínculo com a facção.
  • Deolane, segundo os investigadores, tinha vínculos pessoais e negociais estreitos com um dos “gestores fantasmas” de uma transportadora em Presidente Venceslau. A empresa já havia sido identificada como braço financeiro do PCC em uma operação anterior.
  • Os investigadores ainda apontam que a influenciadora apresentou movimentações financeiras expressivas e um fluxo vultoso de dinheiro que não tinha lastro econômico compatível com suas atividades.
  • A estrutura envolvia o recebimento de valores de origem não esclarecida por meio de empresas, além da aquisição ou vinculação a bens de alto padrão, como imóveis e veículos de luxo.

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