Deolane fala em “perseguição” em carta escrita na cadeia. Leia
Advogada e influenciadora foi presa em operação contra lavagem de dinheiro, sob suspeita de envolvimento com o PCC
atualizado
Compartilhar notícia

Em uma carta divulgada nesta terça-feira (26/5) nas redes sociais da irmã, Deolane Bezerra se pronunciou após mais uma vez ser presa sob suspeita de lavagem de dinheiro e associação ao crime organizado. Ela foi presa preventivamente na última quinta-feira (21/5) em um condomínio de luxo no interior de São Paulo.
Em seu primeiro pronunciamento desde a prisão, a advogada e influenciadora afirma estar sendo alvo de “pura perseguição” das autoridades há mais de cinco anos. O papel como “formadora de opinião” foi o motivo que a colocou na mira das autoridades, afirma na carta.
“A mãe está enjaulada por pura perseguição!”, começa Deolane. “Isso já dura mais de cinco anos, afinal, até pela morte do Kevin eu fui acusada. Minha vida é pública, meu endereço é público. Nunca fui ouvida em mais de 4 anos, mas fui acordada com um fuzil apontado para o meu rosto na minha casa e presa sem ter a oportunidade de esclarecer os fatos”, afirmou.
No texto, Deolane afirma que não tem qualquer relação com o crime organizado e afirma que os ganhos que ostenta nas redes sociais são resultado da carreira como empresária, influenciadora e empresária.
“Já disse muitos ‘nãos’ para manter meus princípios e minha ética. Não sou e nunca fui bandida! Sou mãe, sou empresária, sou advogada. Uma nordestina que venceu na vida pelo próprio suor. Que segue de cabeça erguida acreditando na Justiça. Fé, já estou por aí esperando a próxima injustiça a ser combatida.”
Deolane presa pela 2ª vez
Esta é a segunda vez que a influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi presa sob suspeita de participações em esquemas de lavagem de dinheiro e supostas ligações ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo as investigações, a facção usava uma transportadora de cargas como empresa de fachada para movimentar recursos da facção criminosa. Desde 2019, de acordo com o Ministério Público de São Paulo, análises financeiras identificaram movimentações consideradas suspeitas em contas pessoais e empresariais ligadas a Deolane.
A investigação afirma que a influenciadora teria recebido depósitos fracionados entre 2018 e 2021 para dificultar o rastreamento bancário. As autoridades apontam também que Deolane mantinha vínculos pessoais e comerciais com investigados apontados como operadores financeiros do esquema.
A Justiça determinou o bloqueio de valores superiores a R$ 327 milhões, além do sequestro de 17 veículos – incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões – e quatro imóveis ligados aos investigados. Seis prisões preventivas foram decretadas.
Agentes também cumpriram mandados de busca e apreensão em imóveis ligados à influenciadora, incluindo a residência dela em Barueri, na Grande São Paulo.
Antes da operação, Deolane passou semanas em Roma, na Itália. O nome dela chegou a ser incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol, mas ela retornou ao Brasil na quarta-feira (20/5). Segundo a apuração do Metrópoles, o promotor Lincoln Gakiya foi pessoalmente a Roma para prender a influenciadora, mas ela acabou retornando ao Brasil antes que ele a alcançasse.
Leia a carta de Deolane completa
“Bom dia, Brasil, de novo! Mais uma vez a mãe está enjaulada por pura perseguição e por ser formadora de opinião. Isso já dura mais de cinco anos, afinal, até pela morte do Kevin eu fui acusada.
Sobre esse processo gostaria de expressar minha indignação, já que nunca fiz parte do crime organizado. Reitero a minha inocência e deixo claro que estou presa pela quantia de R$ 24.500 (valor de honorários que recebi na época como advogada). Valor depositado em minha conta em espécie, e não pela transportadora mencionada no inquérito. Não sou eu que estou afirmando isso, essa informação está no próprio inquérito.
Peço para ser ouvida, assim como foi pedido no momento da prisão. Além do mais, desde o ano de 2022 venho sendo citada em reportagens midiáticas com tons ameaçadores e em momento algum fui chamada para prestar esclarecimentos sobre esse caso.
Minha vida é pública, meu endereço é público. Nunca fui ouvida em mais de 4 anos, mas fui acordada com um fuzil apontado para o meu rosto na minha casa e presa sem ter a oportunidade de esclarecer os fatos.
É mentira que tenho 37 empresas em meu nome. Uma mentira que pode ser facilmente comprovada em uma simples pesquisa na junta comercial, uma mentira que se tornou verdade de tantas vezes que foi repetida.
Fui advogada atuante em centenas de processos e nunca sequer estive presente na Penitenciária de Presidente Venceslau. Já disse muitos nãos para manter meus princípios e minha ética.
Não sou e nunca fui bandida! Sou mãe, sou empresária, sou advogada. Uma nordestina que venceu na vida pelo próprio suor. Que segue de cabeça erguida acreditando na Justiça.
Conto com as orações e o apoio de quem sempre esteve comigo. Mais uma vez, vocês não irão se arrepender. Um beijo a todos! Fé, já estou por aí esperando a próxima injustiça a ser combatida.
Vocês não soltem a minha mão, não viu? Deolane Bezerra (carta ditada por Deolane para irmã e advogada Dayanne Bezerra)”.















