Nova alta do petróleo reacende temor de inflação global. Dólar sobe

Moeda americana teve leve alta de 0,05% sobre o real, a R$ 5,15. Ibovespa, o principal índice da B3, também fechou com elevação de 0,05%

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1 de 1 Imagem de notas de dólares dos Estados Unidos - Metrópoles - Foto: Artem Priakhin/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

O dólar à vista registrou leve alta de 0,05% frente ao real, cotado a R$ 5,15, nesta nesta quinta-feira (2/4). O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), também fechou com pequena elevação de 0,05%, aos 188 mil pontos. Como as duas variações foram pequenas (e idênticas), elas indicaram estabilidade dos indicadores.

Os mercados de câmbio e ações operaram, contudo, sob elevada tensão – o que, na prática, significa volatilidade. Eles foram chacoalhados por uma retórica especialmente agressiva usada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em discurso realizado na noite da véspera. Na ocasião, o republicano prometeu novos e severos ataques contra o Irã.

Com isso, o dólar, os juros futuros e o petróleo subiram. Embora a alta do dólar tenha sido pequena em relação ao real, ela atingiu 0,46% na comparação com uma cesta de seis moedas fortes (como euro, iene e libra esterlina), segundo o índice global DXY.

O petróleo disparou depois de uma pequena queda no dia anterior. O barril do tipo Brent (referência internacional) com entrega para maio avançou 7,77%, cotado a US$ 109,03. O tipo West Texas Intermediate (WTI, que baliza o preço no mercado norte-americano) para junho subiu 11,41%, a US$ 111,54. Nesta semana, o WTI acumula elevação de 11,94%; e o Brent, de 3,52%.

Bolsas

O impacto negativo do discurso de Trump também atingiu o mercado de capitais. Na Bolsa brasileira (B3), às 10h53, o Ibovespa, o principal índice da B3, registrava queda de 0,83%, aos 186,4 mil pontos. Na véspera, ele havia fechado em leva alta de 0,26%, aos 187,9 mil pontos. Ao longo do dia, o índice recuperou-se, porém, fechando em leve alta.

Os principais indicadores de Nova York também oscilaram. Caíram durante boa parte do pregão, mas ganharam pequeno fôlego no fim da sessão. Pouco antes do fechamento, o S&P 500 subia 0,11% e o Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia, avançava 0,18%. O Dow Jones, no entanto, recuava 0,13%. Os juros futuros subiam em todas as curvas, empurrados pelo temor de uma inflação global, provocada pela alta do petróleo.

Ataques

E o que Trump disse no discurso? O presidente dos Estados Unidos, ao contrário do que muitos investidores esperavam, alardeou novas ameaças e não falou em cessar-fogo no discurso que fez na noite de quarta-feira (1º/4).

Trump prometeu que os Estados Unidos atacarão o Irã “com extrema força” nas próximas duas ou três semanas. Mais uma vez, afirmou, referindo-se aos iranianos: “Vamos levá-los de volta à Idade da Pedra, onde eles pertencem”. O republicano disse ainda que, se não houver acordo, atacará “duramente todas as usinas de geração de energia elétrica” do país árabe.

Análise

Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o Ibovespa virou para queda e o dólar passou a subir na sessão, refletindo a deterioração do ambiente externo após novas sinalizações de escalada no conflito no Oriente Médio.

“A alta do petróleo — com o WTI acima de US$ 110 — reacendeu o risco de choque inflacionário global, pressionando as curvas de juros e reduzindo o apetite por risco”, diz o analista. “A ausência de avanços concretos no discurso de Trump, combinada à manutenção de ameaças à infraestrutura energética do Irã, elevou a incerteza e levou a um movimento de maior aversão a risco, com queda das bolsas e fortalecimento do dólar.”

Para Shahini, parte desse movimento também reflete uma devolução dos ganhos recentes diante de um cenário ainda indefinido e rodeado de incertezas. “No Brasil, isso se traduziu na reversão do Ibovespa, abertura dos DIs (juros futuros) e valorização da moeda americana ao longo da tarde”, afirma.

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