Dólar cai a R$ 5,17 e Bolsa dispara com Trump falando em fim da guerra
Declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, indicando o possível fim do conflito com Irã no Oriente Médio trouxeram alívio aos mercados
atualizado
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Em um dia de maior otimismo no mercado financeiro, o dólar terminou a sessão desta terça-feira (31/3) em queda firme frente ao real, enquanto o Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3), disparou.
O ânimo que tomou conta dos mercados, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, foi alimentado pela percepção de que o conflito no Oriente Médio pode estar chegando ao fim – especialmente após declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a hipótese de colocar um ponto final na guerra contra o Irã.
Dólar
- O dólar encerrou o dia em baixa de 1,31%, cotado a R$ 5,179.
- Na cotação máxima do dia, a moeda norte-americana bateu R$ 5,237. A mínima foi de R$ 5,179.
- Na véspera, o dólar terminou a sessão em alta de 0,12%, cotado a R$ 5,248, perto da estabilidade.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumulou ganhos de 0,9% frente ao real em março e tem perdas de 5,7% no ano.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da B3, fechou o pregão desta terça-feira em forte alta.
- O indicador encerrou a sessão com ganhos de 2,71%, aos 187,4 mil pontos.
- No dia anterior, o Ibovespa fechou o pregão em alta de 0,53%, aos 182,5 mil pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumulou queda de 0,59% em março e tem valorização de 15,92% em 2026.
Fim da guerra?
Os investidores repercutiram declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que disse que avalia encerrar a guerra contra o Irã mesmo com o Estreito de Ormuz ainda bloqueado pelas forças iranianas. A informação foi revelada pelo The Wall Street Journal nessa segunda-feira (30/3), com base em relatos de autoridades do governo.
Segundo a reportagem, Trump e seus assessores passaram a considerar que uma operação para reabrir completamente a rota marítima – por onde passa 20% do petróleo mundial – poderia prolongar o conflito além do prazo de seis semanas prometido pelo presidente.
O bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã já pressiona os preços do petróleo e provoca efeitos em cadeia na economia global. Nos EUA, o impacto ocorre em um momento sensível, às vésperas das eleições para o Congresso.
Diante do cenário, Trump teria indicado que o foco da ofensiva deve ser limitado aos objetivos centrais da guerra: enfraquecer a marinha iraniana e reduzir a capacidade de mísseis do país.
Depois disso, os ataques seriam reduzidos, em uma tentativa de forçar Teerã a reabrir a passagem marítima. Caso o bloqueio persista, a estratégia prevê pressionar aliados, especialmente na Europa e no Golfo, a assumir a responsabilidade pela segurança e reabertura do estreito.
Por outro lado, a Comissão de Segurança do Parlamento do Irã aprovou uma proposta que prevê a regulamentação e a cobrança de taxas de embarcações que atravessam o Estreito de Ormuz. De acordo com a emissora estatal IRIB, a iniciativa busca fortalecer “a autoridade soberana do Irã e de suas forças militares”.
O projeto inclui diversos pontos centrais voltados a ampliar o controle iraniano sobre a região, como ações para proteger a rota marítima, garantir a segurança da navegação e implementar regras financeiras. Entre essas medidas, estão a cobrança de tarifas em moeda local (rial iraniano) para navios em trânsito e a proibição da passagem de embarcações ligadas aos EUA e a Israel.
Nesta terça-feira, um petroleiro kuwaitiano foi atingido por um projétil lançado a partir do Irã enquanto estava no porto de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, segundo a Corporação Petrolífera do Kuwait. A companhia informou que o ataque provocou um incêndio e diversos danos no petroleiro. O impacto não deixou feridos e vítimas.
As autoridades de Dubai asseguraram não haver feridos nem derramamento de petróleo. A empresa Kuwait Oil Corporation informou que o petroleiro estava totalmente carregado com petróleo bruto no momento do ataque.
Petróleo perde força após falas de Trump
Os preços internacionais do petróleo perderam força após as declarações de Trump. Mesmo assim, a cotação do barril se mantinha acima dos US$ 100. A tendência ainda é que o petróleo feche o mês de março registrando uma valorização próxima de 60%. Caso isso se confirme, será a maior alta em mais de três décadas, desde 1990.
Por volta das 15h20 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para maio do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) recuava 1,38% e era negociado a US$ 101,46.
No mesmo horário, o contrato futuro para junho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) caía 2,92%, a US$ 104,25.
Dados de emprego no Brasil e nos EUA
No Brasil, as atenções do mercado estiveram voltadas para a divulgação dos dados oficiais de emprego do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Em fevereiro, o país registrou a criação de 255.321 novas vagas de emprego formal, com carteira assinada.
A média das estimativas dos analistas apontava para a abertura de cerca de 270 mil novas vagas de trabalho em fevereiro. O resultado, portanto, veio abaixo do que se esperava.
O saldo de março é decorrente de 2.381.767 admissões e 2.126.446 desligamentos. No mês, os cinco grandes agrupamentos de atividades econômicas apresentaram saldos positivos.
Em fevereiro, houve crescimento em 24 unidades da Federação, com destaque para São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
O salário médio real em fevereiro foi de R$ 2.346,97, com redução de R$ 55,91 (-2,3%) em relação ao valor de janeiro de 2026, de R$ 2.402,88. Na comparação com fevereiro do ano passado, houve aumento real de R$ 62,95 (2,75%).
Já nos EUA, o número de postos de trabalho em aberto registrou queda em fevereiro, de acordo com dados divulgados pelo Departamento do Trabalho. Segundo o relatório “Job Openings and Labor Turnover Survey” (Jolts), houve um recuo de cerca de 358 mil vagas de trabalho em aberto em relação a janeiro, para 6,882 milhões.
O resultado ficou ligeiramente abaixo das estimativas do mercado, que eram de cerca de 6,89 milhões de vagas em aberto.
As vagas em aberto são as posições disponíveis dentro das empresas que os empregadores buscam preencher por meio de contratações. Para participar do relatório Jolts, os empregadores recebem um formulário no qual informam o número de vagas em aberto na empresa no último dia útil do mês, além do número de contratações e demissões no período.
Em tese, portanto, o aumento na quantidade de vagas em aberto indica que as empresas pretendem acelerar suas contratações. A redução, por sua vez, indica que as companhias querem apertar o cinto e pisar no freio.
O desempenho do mercado de trabalho norte-americano é um dos indicadores considerados pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) para definir a taxa básica de juros do país.
Analistas temem que a aceleração do mercado de trabalho nos EUA leve a um novo aperto da política monetária pelo Fed. Por outro lado, dados fracos de emprego podem alimentar as projeções mais pessimistas de que a economia dos EUA entre em recessão nos próximos meses.
Na última reunião do Fed, há duas semanas, os juros foram mantidos no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado.
O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 28 e 29 de abril.
Ações da Natura disparam
No mercado de ações, o principal destaque do pregão desta terça-feira foi a Natura, que registrou forte valorização um dia depois de a companhia anunciar a venda de parte de suas ações para um fundo de investimento.
Por volta das 15h20 (pelo horário de Brasília), os papéis da Natura disparavam 11,47%, cotados a R$ 10,30.
Mais cedo, na máxima da sessão, a ação da Natura avançou 12,66% e foi negociada a R$ 10,42.
Na noite de segunda-feira, após o fechamento do mercado, a Natura informou que fez um acordo com o fundo de private equity Advent International para a venda de 8% a 10% das ações da companhia.
Private equity é uma modalidade de investimento por meio da qual fundos ou investidores compram participações societárias em empresas privadas.
Segundo um comunicado divulgado pela Natura, a operação com o fundo de investimentos deve ser sacramentada em até seis meses, com preço médio de R$ 9,75 por ação.
Com isso, o Advent se tornará acionista minoritário da empresa e poderá indicar dois membros para compor o Conselho de Administração.
Análise
Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar operou em queda ao longo da sessão “em um movimento puxado pela melhora do apetite global por risco após sinais mais concretos de desescalada no conflito entre EUA e Irã, com Trump indicando disposição para encerrar a campanha militar mesmo com o Estreito de Ormuz parcialmente fechado”.
“O noticiário de hoje trouxe avanços mais tangíveis na direção de um possível encerramento do conflito, reduzindo o prêmio de risco geopolítico. Esse ambiente favoreceu moedas emergentes e direcionou fluxo para o Brasil, tanto via Bolsaa quanto via renda fixa, em um cenário ainda marcado pelo diferencial elevado de juros”, analisa Shahini.
Para João Duarte, sócio da One Investimentos, “o quadro segue de elevada volatilidade, com o câmbio reagindo rapidamente ao noticiário externo”. “Enquanto não houver maior clareza sobre a evolução do conflito no Oriente Médio, a tendência é de movimentos contidos no curto prazo, mas com risco de oscilações mais intensas a qualquer mudança de cenário”, afirma.
