Dólar e Ibovespa avançam com disparada do petróleo, Trump e eleição

Investidores repercutiram alta dos preços do petróleo e declarações de Trump sobre a guerra, além de pesquisa eleitoral e falas de Galípolo

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Olena Malik/Getty Images
Imagem de notas de dólar dos EUA - Metrópoles
1 de 1 Imagem de notas de dólar dos EUA - Metrópoles - Foto: Olena Malik/Getty Images

O dólar encerrou a primeira sessão da semana em leve alta, nesta segunda-feira (30/3), diante da escalada da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio, que segue causando preocupação nos mercados e elevando os preços internacionais do petróleo.

O Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3), também fechou o pregão em alta, impulsionado pelo bom desempenho da Petrobras e da Vale – os dois papéis que exercem maior peso sobre o índice.


Dólar

  • Nesta segunda-feira, o dólar terminou a sessão em alta de 0,12%, cotado a R$ 5,248, perto da estabilidade.
  • Na cotação máxima do dia, a moeda norte-americana bateu R$ 5,267. A mínima foi de R$ 5,224.
  • Na sessão da última sexta-feira (27/3), o dólar terminou em baixa de 0,28%, cotado a R$ 5,241.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula ganhos de 2,21% frente ao real em março e perdas de 4,39% no ano.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da B3, fechou em alta de 0,53%, aos 182,5 mil pontos.
  • No último pregão da semana passada, o indicador recuou 0,64%, aos 181,5 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula queda de 3,3% em março e valorização de 13,21% em 2026.

Trump sobe o tom, e petróleo dispara

O principal fator de influência sobre a cotação do dólar e o movimento da Bolsa de Valores continua sendo o conflito entre EUA, Israel e Irã, que vem afetando os preços do petróleo no mercado internacional e causando uma onda de preocupação em todo o mundo.

Nesta segunda-feira (30/3), os valores do barril de petróleo vendido no mercado internacional seguiam em forte alta, voltando a ultrapassar os US$ 100 e se aproximando de marcas históricas.

A tendência é a de que o preço do petróleo feche o mês de março registrando uma valorização próxima de 59%. Caso isso se confirme, será a maior alta em mais de três décadas, desde 1990.

Por volta das 15h55 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para maio do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) avançava 3,69% e era negociado a US$ 103,32.

No mesmo horário, o contrato futuro para junho do petróleo do tipo Brent (referência para o mercado internacional) subia 2,33%, também superando a marca dos US$ 100 (US$ 107,77).

Desde o início da manhã, os preços do petróleo vinham registrando forte alta. Mais cedo, às 9h10, o barril do petróleo WTI avançava 1,72%, cotado a US$ 101,35, enquanto o Brent subia 2,3%, a US$ 107,74.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse, nesta segunda-feira, que está em negociações com um “novo regime, mais razoável” do Irã. O norte-americano ainda ameaçou bombardear alvos estratégicos caso o Estreito de Ormuz não seja aberto para petroleiros, como a ilha de Kharg, que é responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã.

“Grandes progressos foram feitos, mas, se por algum motivo um acordo não for alcançado em breve, o que provavelmente acontecerá, e se o Estreito de Ormuz não for imediatamente ‘aberto para negócios’, concluiremos nossa adorável ‘estadia’ no Irã explodindo e obliterando completamente todas as suas usinas de geração de energia elétrica, poços de petróleo e a Ilha de Kharg”, escreveu Trump na rede social Truth Social.

O Irã é comandado, desde o dia 8 de março, pelo aiatolá Mojtaba Khamenei, filho do ex-líder supremo Ali Khamenei, morto em ataque dos EUA e Israel no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro.

A escolha de Mojtaba Khamenei, que tem fortes ligação com a Guarda Revolucionária do Irã, como novo líder supremo representou uma continuação do regime teocrático islâmico xiita do Irã.

No entanto, Trump declarou que o regime é “mais razóavel” que o anterior, de Ali Khamenei. Nesse domingo (29/3), ele já havia dito que a liberação da passagem de 20 petroleiros do Paquistão pelo Estreito de Ormuz foi “sinal de respeito” do regime iraniano.

Ainda nesta segunda-feira, um ataque de mísseis iraniano atingiu uma refinaria de petróleo de Haifa, em Israel, causando um incêndio de grande proporção no local. Imagens divulgadas pela imprensa israelense mostraram uma grande fumaça no local após o impacto. Ainda não está claro se os danos foram causados pela colisão direta de um míssil ou pela queda de destroços.

Equipes de emergência foram acionadas para conter as chamas, enquanto sirenes de alerta soaram em diversas regiões do país. Até o momento, não há confirmação de vítimas.

Segundo o Corpo de Bombeiros de Israel, “13 equipes de bombeiros e resgate do Distrito Costeiro, Estação Kiryat, estão atuando no local das refinarias de Haifa, onde fragmentos de uma interceptação foram identificados após o último bombardeio”.

De acordo com as Forças de Defesa de Israel (IDF, sigla em inglês), mísseis vindos do território iraniano foram identificados. Os militares informaram ainda que “cinco mísseis antitanque, que seriam lançados contra o território israelense, foram destruídos”.

Também nesta segunda, a morte do comandante da Marinha da Guarda Revolucionária iraniana, Alireza Tangsiri, anunciada pelo governo norte-americano e pelo Exército de Israel, foi confirmada pelo Irã. Ele foi morto em bombardeios israelenses. Segundo comunicado da Guarda Revolucionária, Tangsiri não resistiu a ferimentos graves após o ataque de Israel.

A morte do comandante foi reivindicada por Israel em 26 de março. “Em uma operação precisa e letal, as Forças de Defesa de Israel eliminaram o comandante da Marinha da Guarda Revolucionária iraniana, Tangsiri, juntamente com altos oficiais do comando naval”, informou o ministro da Defesa israelense, Israel Katz.

Segundo o Exército israelense, o chefe de Inteligência da Marinha da Guarda iraniana também morreu no ataque. O Exército israelense detalhou, em comunicado, que Tangsiri era responsável por executar o fechamento do Estreito de Ormuz, importante via marítima por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial, “e supervisionou ações no domínio marítimo contra países do Oriente Médio”.

Pesquisa mostra empate entre Lula e Flávio Bolsonaro

No âmbito doméstico, os investidores voltaram suas atenções ao novo levantamento do instituto Paraná Pesquisas sobre a disputa presidencial de outubro deste ano. A sondagem mostrou um cenário de empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tanto no primeiro quanto no segundo turno.

Na simulação de primeiro turno, Lula apareceu com 41,3% das intenções de voto, ante 37,8% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – a diferença está dentro da margem de erro da pesquisa. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que lançou sua pré-candidatura ao Planalto, ficou com 3,6%.

Em um eventual segundo turno, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente, com 45,2%, ante 44,1% de Lula – novo empate técnico.

O levantamento do Paraná Pesquisas também mostrou que o governo Lula conta com aprovação de 44,6% e desaprovação de 52% dos eleitores. Os resultados mostram estabilidade na opinião do eleitor em relação à gestão petista no comparativo com a última pesquisa, divulgada em fevereiro, quando o governo Lula registrou 45% de aprovação e os mesmos 52% de desaprovação.

O levantamento também mostrou a impressão do eleitor sobre o governo. Para a maior parte dos entrevistados (37%), a gestão petista é considerada “péssima”, enquanto 14,8% avaliam o trabalho do atual mandatário como “ótimo”.

Para a pesquisa, foram entrevistados 2.080 eleitores entre os dias 25 e 28 de março de 2026, por meio de entrevistas pessoais e domiciliares. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

BC atua “de forma serena e parcimoniosa”, diz Galípolo

Ainda no cenário doméstico, as atenções dos investidores se voltam para a participação do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, em um seminário promovido pelo Banco Safra, em São Paulo. O mercado aguarda eventuais sinalizações a respeito da trajetória da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14,75% ao ano.

Galípolo voltou a afirmar que a autoridade monetária atua “de forma serena e parcimoniosa” para analisar a conjuntura e os dados macroeconômicos e definir a taxa básica de juros, a Selic – atualmente em 14,75% ao ano, após uma redução de 0,25 ponto percentual na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), há duas semanas.

“Agora, mais do que nunca, temos de separar o ruído do sinal. Isso será ainda mais importante para guiar as reações que o BC deve ter. O BC sempre vai continuar agindo de forma serena e parcimoniosa”, disse Galípolo.

“É normal que o BC esteja sempre um pouquinho mais para o lado conservador. Mas temos toda uma governança justamente para aparar as pontas, para que não tenhamos posições mais extremadas. É por isso que é um colegiado.”

O presidente do BC chamou atenção para o fato de o caminho trilhado pelo Copom não ter sido alterado por causa dos efeitos da guerra no Oriente Médio, especialmente sobre os preços internacionais do petróleo – e diante do risco de aumento da inflação global.

“Gradativamente, a posição de manutenção de 15% por um período mais prolongado foi ganhando confiança dentro do mercado. Depois começa um debate sobre quando deveria cortar. E iniciamos o ciclo de cortes por 25 pontos-base. Mesmo diante de novos fatos, eles não alteraram a conjuntura como um todo, à luz do que vem acontecendo, para que a gente alterasse a nossa trajetória. Decidimos seguir com a trajetória e começar o ciclo de calibragem da política monetária”, explicou Galípolo.

Para o chefe da autoridade monetária, o BC é “mais um transatlântico do que um jet ski” e evita “fazer movimentos bruscos ou extremados” mesmo em momentos teoricamente mais turbulentos.

Em seu último comunicado, no dia 18, o Comitê de Política Monetária do BC (Copom) afirmou que o cenário criado pelo conflito no Oriente Médio resultou em “forte aumento da incerteza” na economia global. Com isso, a projeção de novos cortes da Selic fica comprometida.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNegócios

Você quer ficar por dentro das notícias de negócios e receber notificações em tempo real?