Dólar cai e Bolsa sobe forte com Caged e falas de Trump sobre a guerra
Na véspera, o dólar terminou a sessão em alta de 0,12%, cotado a R$ 5,248, perto da estabilidade. Ibovespa subiu 0,53%, aos 182,5 mil pontos
atualizado
Compartilhar notícia

O dólar operava em baixa, nesta terça-feira (31/3), com o mercado ainda em compasso de espera e apreensão quanto aos desdobramentos da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio.
No cenário doméstico, o principal destaque do dia é a divulgação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) referentes a fevereiro deste ano.
Dólar
- Às 12h32, o dólar caía 0,64%, a R$ 5,215.
- Mais cedo, às 11h05, a moeda norte-americana recuava 0,67% e era negociada a R$ 5,213.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,237. A mínima é de R$ 5,199.
- Na véspera, o dólar terminou a sessão em alta de 0,12%, cotado a R$ 5,248, perto da estabilidade.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula ganhos de 2,21% frente ao real em março e perdas de 4,39% no ano.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava em forte alta no pregão.
- Às 12h36, o Ibovespa avançava 1,49%, aos 185,2 mil pontos.
- No dia anterior, o indicador fechou o pregão em alta de 0,53%, aos 182,5 mil pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula queda de 3,3% em março e valorização de 13,21% em 2026.
Trump fala em acabar com a guerra
O principal fator que influencia os mercados continua sendo o conflito entre EUA e Irã, que segue pressionando os preços internacionais do petróleo e escalando a tensão geopolítica ao redor do mundo.
Nesse sentido, os investidores monitoram e repercutem declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que disse que avalia encerrar a guerra contra o Irã mesmo com o Estreito de Ormuz ainda bloqueado pelas forças iranianas. A informação foi revelada pelo The Wall Street Journal nessa segunda-feira (30/3), com base em relatos de autoridades do governo.
Segundo a reportagem, Trump e seus assessores passaram a considerar que uma operação para reabrir completamente a rota marítima – por onde passa 20% do petróleo mundial – poderia prolongar o conflito além do prazo de seis semanas prometido pelo presidente.
O bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã já pressiona os preços do petróleo e provoca efeitos em cadeia na economia global. Nos EUA, o impacto ocorre em um momento sensível, às vésperas das eleições para o Congresso.
Diante do cenário, Trump teria indicado que o foco da ofensiva deve ser limitado aos objetivos centrais da guerra: enfraquecer a marinha iraniana e reduzir a capacidade de mísseis do país.
Depois disso, os ataques seriam reduzidos, em uma tentativa de forçar Teerã a reabrir a passagem marítima. Caso o bloqueio persista, a estratégia prevê pressionar aliados, especialmente na Europa e no Golfo, a assumir a responsabilidade pela segurança e reabertura do estreito.
Por outro lado, a Comissão de Segurança do Parlamento do Irã aprovou uma proposta que prevê a regulamentação e a cobrança de taxas de embarcações que atravessam o Estreito de Ormuz. De acordo com a emissora estatal IRIB, a iniciativa busca fortalecer “a autoridade soberana do Irã e de suas forças militares”.
O projeto inclui diversos pontos centrais voltados a ampliar o controle iraniano sobre a região, como ações para proteger a rota marítima, garantir a segurança da navegação e implementar regras financeiras. Entre essas medidas, estão a cobrança de tarifas em moeda local (rial iraniano) para navios em trânsito e a proibição da passagem de embarcações ligadas aos EUA e a Israel.
Nesta terça-feira, um petroleiro kuwaitiano foi atingido por um projétil lançado a partir do Irã enquanto estava no porto de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, segundo a Corporação Petrolífera do Kuwait. A companhia informou que o ataque provocou um incêndio e diversos danos no petroleiro. O impacto não deixou feridos e vítimas.
As autoridades de Dubai asseguraram não haver feridos nem derramamento de petróleo. A empresa Kuwait Oil Corporation informou que o petroleiro estava totalmente carregado com petróleo bruto no momento do ataque.
“O quadro segue de elevada volatilidade, com o câmbio reagindo rapidamente ao noticiário externo. Enquanto não houver maior clareza sobre a evolução do conflito no Oriente Médio, a tendência é de movimentos contidos no curto prazo, mas com risco de oscilações mais intensas a qualquer mudança de cenário”, analisa João Duarte, sócio da One Investimentos.
Emprego no Brasil
No Brasil, as atenções do mercado estão voltadas para a divulgação dos dados oficiais de emprego do Caged pelo Ministério do Trabalho e Emprego. A média das estimativas dos analistas aponta para a abertura de cerca de 270 mil novas vagas de trabalho em fevereiro.
Em janeiro deste ano, o Brasil criou 112.334 postos de trabalho formais – ou seja, com carteira assinada. Na ocasião, o número veio acima da mediana das previsões do mercado, que apontavam para 92 mil. O saldo de janeiro foi resultado da diferença entre 2.208.030 admissões e 2.095.696 desligamentos.
Dos cinco grandes grupamentos de atividades econômicas, quatro deles registraram saldos positivos no primeiro mês de 2026: indústria (+54.991), serviços (+40.525), construção (+50.545) e agropecuária (+23.073). Em decorrência da sazonalidade pós-festas de final de ano, houve um saldo negativo no comércio (-56.800).
Em janeiro, foram registrados saldos positivos em 18 das 27 (vinte e sete) unidades da Federação, com destaque para Santa Catarina (+19 mil), Mato Grosso (+18.731) e Rio Grande do Sul (+18.421). Com maiores taxas de crescimento, se destacaram Mato Grosso (1,9%), Santa Catarina (0,7%) e Goiás (0,7%).
No acumulado de 12 meses até janeiro de 2026, o saldo de novos empregos com carteira assinada foi de 1.228.483. Com isso, o estoque de vínculos cresceu 2,6% (de 47.349.496 para 48.577.979 de empregados).
