Dólar caí e Bolsa sobe com guerra de narrativas entre Trump e o Irã
Moeda americana registrou queda de 0,43% frente ao real, a R$ 5,15. Ibovespa, o principal índice de B3, fechou em leve alta de 0,20%
atualizado
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O dólar à vista registrou queda de 0,43% frente ao real, cotado a R$ 5,15, nesta quarta-feira (1º/4). O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em leve alta de 0,26%, aos 187,9 mil pontos. Como a variação foi pequena, houve estabilidade do indicador.
Essa foi a terceira sessão de queda seguida da moeda americana em relação ao real e a terceira alta consecutiva do Ibovespa, apesar da pesada volatilidade que tem marcado o comportamento do câmbio e das ações, desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro. O conflito no Oriente Médio, desde então, têm atuado como vetor desses mercados.
Não foi diferente nesta quarta-feira. Desta vez, os investidores reagiram de forma positiva a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na véspera, o republicano disse que as forças americanas devem deixar o Irã em “duas ou três semanas”.
Depois disso, ele acrescentou em sua rede, a Truth Social, que o “novo presidente do regime do Irã” pediu um cessar-fogo aos Estados Unidos, embora a República Islâmica não tenha um novo presidente, mas sim um novo líder supremo. Trump acrescentou que vai considerar a proposta “quando o Estreito de Ormuz (responsável pela circulação de 20% do petróleo mundial) estiver aberto, livre e limpo”.
Discurso
“Até lá, vamos pulverizar o Irã ou, como se diz, mandá-lo de volta à Idade da Pedra!!!”, afirmou o presidente dos Estados Unidos. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, no entanto, negou que o país tenha pedido uma trégua. A Guarda Revolucionária do Irã, por sua vez, prometeu manter o Estreito de Ormuz fechado.
O mundo aguarda, agora, o discurso que Donald Trump deve fazer na noite desta quarta-feira sobre o Irã. O pronunciamento foi anunciado pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, em publicação na rede social X. Ela observou que o republicano deve fazer uma “atualização importante” a respeito da guerra.
Petróleo em queda
Apesar das narrativas divergentes sobre um eventual cessar-fogo, os preços do petróleo caíram. E foi esse o fato decisivo para o comportamento do dólar e das bolsas nesta quarta-feira. O contrato futuro do tipo Brent (a referência mundial) para junho recuou 2,70%, para US$ 101,06 por barril. O tipo West Texas Intermediate (WTI, que baliza o mercado nos Estados Unidos) para maio baixou 1,62%, para US$ 99,74 por barril.
Bolsas em alta
As bolsas europeias reagiram de forma positiva à perspectiva de fim dos conflitos no Irã e à queda do petróleo. O índice Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países do continente, subiu 2,5%. Em Londres, o FTSE 100 avançou 1,9% e, em Frankfurt, o DAX registrou alta de 2,7%. Em Paris, a elevação do CAC 40 foi de 2,1%.
Wall Street também se animou. Os principais índices das bolsas de Nova York valorizaram-se em uníssono. Às 15 horas, o aumento era de 0,95%, no S&P 500; de 0,72%, no Dow Jones; e de 1,40%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.
Mercado de trabalho
Embora abafados pela guerra, dados importantes sobre o mercado de trabalho foram divulgados nesta quarta-feira nos Estados Unidos. O levantamento Automatic Data Processing (ADP), feito em parceria com o Stanford Digital Economy Lab, indicou a abertura de 62 mil vagas de emprego no país em março.
O número ficou muito acima da estimativa do mercado, que apontava a criação de 39 mil vagas. O que indica que a economia americana segue aquecida, dificultando ainda mais um eventual corte de juros no país.
Eleições
No Brasil, no campo político, mas com impacto no mercado, uma pesquisa eleitoral Atlas/Estadão mostrou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparecem tecnicamente empatados em São Paulo, com vantagem numérica para o primeiro. Em um eventual segundo turno entre ambos, o senador venceria o petista com cinco pontos de vantagem.
Análise
Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a queda do dólar em relação ao real acompanhou o enfraquecimento global da moeda americana diante do aumento do apetite por risco. Isso depois de declarações de Trump indicando que o conflito com o Irã pode terminar nas próximas semanas.
“O movimento foi reforçado pela queda do petróleo que chegou a ser negociado abaixo dos $100 o barril, o que alivia em parte o risco de uma escalada inflacionária global”, diz. “Apesar da melhora no apetite por risco, a queda do dólar vem sendo limitada ainda pela persistência de incertezas — com o Irã negando negociações e mantendo o controle do Estreito de Ormuz — mantendo o mercado ainda em alerta.”
Bruno Perri, da Forum Investimentos, observa que o resultado da Bolsa brasileira acompanhou o otimismo externo com as declarações de Trump. Além disso, diz o analista, o Ibovespa também foi impulsionado pela pesquisa sobre a corrida presidencial, que favoreceu Flávio Bolsonaro, cuja ascensão nesse tipo de levantamento é regularmente comemorada pelo mercado.
