Dólar cai e Bolsa sobe com “day after” de Lula-Trump e emprego nos EUA

Na véspera, o dólar terminou a sessão em leve alta de 0,05%, cotado a R$ 4,92., Ibovespa, por sua vez, tombou 2,38%, aos 183,2 mil pontos

atualizado

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1 de 1 Imagem de notas de dólar dos EUA - Metrópoles - Foto: Jackal Pan/Getty Images

O dólar opera em baixa, nesta sexta-feira (8/5), um dia depois da reunião entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca.

O principal destaque da última sessão do mercado nesta semana é a divulgação do chamado “payroll”, um indicador econômico mensal dos EUA que mostra a evolução do emprego no país fora do setor agrícola. Em abril, foram criadas 115 mil vagas, muito acima do esperado.

O relatório, divulgado pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), é considerado determinante para as avaliações sobre o desempenho da economia norte-americana.

A força do mercado de trabalho nos EUA é um dos componentes considerados pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) para definir a taxa de juros e esfriar a demanda na economia a fim de combater a inflação.

Ainda no front internacional, os investidores monitoram a cotação do petróleo, que operava perto da estabilidade no início da manhã, e as negociações entre EUA e Irã pelo fim dos conflitos no Oriente Médio.


Dólar

  • Às 10h29, o dólar caía 0,53%, a R$ 4,897.
  • Mais cedo, às 9h48, a moeda norte-americana recuava 0,54% e era negociada a R$ 4,897.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 4,915. A mínima é de R$ 4,894.
  • Na véspera, o dólar terminou a sessão em leve alta de 0,05%, cotado a R$ 4,92.
  • Com o resultado, o dólar acumula perdas de 0,58% no mês e de 10,3% no ano.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava em alta no início do pregão.
  • Às 10h36, o Ibovespa avançava 1,11%, aos 185,2 mil pontos.
  • No dia anterior, o indicador fechou o pregão em forte queda de 2,38%, aos 183,2 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula baixa de 2,19% em maio e valorização de 13,71% em 2026.

Após reunião com Trump, Lula volta ao Brasil com relação distensionada

A reunião entre os presidentes Lula e Donald Trump realizada na Casa Branca, na quinta-feira (7/5), terminou com avaliação positiva por parte do governo brasileiro. O encontro tinha como objetivo, além de distensionar a relação bilateral, avançar em temas considerados estratégicos para o Palácio do Planalto.

Lula retornou ao Brasil na madrugada desta sexta-feira (8/5) tendo como principal resultado a consolidação da reaproximação diplomática com Washington.

A reunião, que durou cerca de três horas, tratou de temas como cooperação no combate ao crime organizado, minerais críticos e terras raras, tarifas comerciais e investimentos. Questões geopolíticas também entraram na pauta, incluindo o cenário no Irã e a situação de Cuba. Segundo Lula, Trump afirmou não ter intenção de invadir a ilha caribenha.

Uma das prioridades do governo brasileiro era evitar o risco de novas sanções comerciais. De acordo com Lula, não há temas proibidos na relação entre os dois países. “A única coisa de que não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania. O resto é tudo discutível”, afirmou.

Houve avanço no diálogo sobre as tarifas que ainda incidem sob produtos importados brasileiros, embora persistam divergências entre as delegações. Após o encontro, Lula informou que os dois países estabeleceram um prazo de 30 dias para que as equipes negociem uma solução.

“Tem uma divergência entre eles e nós que ficou explicitada na reunião. Como a gente não podia ficar debatendo o dia inteiro sobre isso, eu propus ao Trump: ‘Vamos dar 30 dias para esses companheiros resolverem o problema’”, disse o presidente, em coletiva na Embaixada do Brasil em Washington. Segundo ele, o prazo permitirá acompanhar as negociações “com mais precisão”.

Apesar do impasse, Lula demonstrou otimismo e afirmou que deseja que os EUA “voltem a ver no Brasil um parceiro importante”.

Trump diz que negociações com Irã seguem, mas ameaça novos ataques

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou, nessa quinta-feira (7/5), que não houve violação do cessar-fogo com o Irã, mesmo com ataques norte-americanos no Estreito de Ormuz. Apesar da ofensiva, ele destacou que as negociações para chegar a um acordo continuam.

“Eles nos provocaram hoje. Nós os pulverizamos… Se não houver trégua, você não vai precisar saber. Você só vai ter que olhar para um grande brilho saindo do Irã. E é melhor eles assinarem o acordo rápido”, disse Trump ao ser questionado por jornalistas.

O líder norte-americano também ameaçou o país com mais ataques, caso não se chegue a um acordo logo. “As negociações estão indo muito bem, mas eles têm que entender: se não for assinado, eles vão sofrer muito”, afirmou.

Mais cedo, Trump já tinha minimizado os ataques, dizendo que foram só um “tapinha” e que não houve violação da trégua. “Foi só um tapinha. O cessar-fogo continua em vigor”, ironizou em entrevista à ABC News.

O governo iraniano acusou os EUA de terem violado o acordo ao realizar ataques contra embarcações e áreas próximas ao Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo.

Ataques colocam cessar-fogo em xeque

As tensões entre EUA e Irã voltaram a crescer após relatos de novos ataques militares próximos ao Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e ponto sensível do conflito.

Segundo informações divulgadas pela Fox News, militares dos EUA realizaram ataques contra instalações iranianas nas regiões de Qeshm e Bandar Abbas.

As duas áreas ficam localizadas nas proximidades do Estreito de Ormuz, corredor marítimo que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e concentra parte significativa do comércio global de petróleo.

A agência iraniana Fars informou que explosões foram ouvidas tanto na cidade portuária de Bandar Abbas quanto na ilha de Qeshm. Já a agência estatal Mehr afirmou que os sistemas de defesa aérea também foram ativados em Teerã.

Em resposta aos ataques, um oficial militar iraniano afirmou à emissora estatal IRIB que forças iranianas reagiram à ofensiva norte-americana. “Unidades inimigas foram alvejadas por mísseis iranianos e forçadas a fugir após sofrerem danos”, disse a autoridade, segundo a televisão iraniana.

Os episódios acontecem em meio a um cessar-fogo envolvendo EUA, Israel e Irã, prorrogado no fim de abril por Donald Trump.

O Estreito de Ormuz é um canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.

Estados Unidos criam 115 mil vagas de emprego em abril

A economia dos EUA registrou a criação de 115 mil novas vagas de emprego fora do setor agrícola em abril, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (8/5) pelo Departamento do Trabalho do governo norte-americano.

O resultado veio muito acima das projeções do mercado, que indicavam a criação de 65 mil vagas. A taxa de desemprego foi de 4,3%.

No último relatório, o “payroll” mostrou a abertura de 185 mil vagas no país e uma taxa de desemprego de 4,3%.

Analistas temem que a aceleração do mercado de trabalho nos EUA leve a um novo aperto da política monetária pelo Fed. Por outro lado, dados fracos de emprego podem alimentar as projeções mais pessimistas de que a economia dos EUA entre em recessão nos próximos meses.

Na última reunião do Fed, na semana passada, os juros foram mantidos no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 16 e 17 de junho.

A taxa de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Segundo dados do Departamento do Trabalho, a inflação nos EUA ficou em 3,3% em março, na base anual. Na comparação mensal, o índice foi de 0,9%. A meta de inflação nos EUA é de 2% ao ano.

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